História, Memória e Exposição sobre o pracinha Artur Melo da Costa

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HISTÓRIA, MEMÓRIA E EXPOSIÇÃO DE LONGA DURAÇÃO DOS MATERIAIS DO EX- PRACINHA ARTUR MELO DA COSTA

MARIZA KLEIN DITZ*

RESUMO:

Este artigo aborda como objeto central de estudo a pesquisa sobre a vida de um são-luisense chamado Artur Melo da Costa, enfatizando sua participação como ex-pracinha do Exército Brasileiro – um febiano da Segunda Guerra Mundial. Esta pesquisa faz parte do Programa de Mestrado em Patrimônio Cultural da Universidade Federal de Santa Maria. A maneira que encontramos além da pesquisa para deixar um registro desse personagem histórico é a salvaguarda de objetos, imagens e pesquisas referentes ao ex-pracinha. Material esse que faz parte do acervo da exposição de longa duração do Museu Senador Pinheiro Machado na cidade de São Luiz Gonzaga, Rio Grande do Sul. Integrando está exposição desenvolvemos também uma exposição itinerante e folderes. Abordaremos sobre a produção deste material neste artigo.

PALAVRAS CHAVE: Memória, ex- pracinha, exposição.

Num passado distante e ao mesmo tempo tão presente nas representações e no imaginário da sociedade local, ocorreu a ocupação espanhola na América, a região do noroeste do Rio Grande do Sul ficou marcada por essa ocupação. A Companhia de Jesus, criada pela igreja católica como uma reação à Reforma Protestante na Europa, teve, como grande objetivo, a busca por novos fiéis e, para isto, seus integrantes – conhecidos como padres jesuítas – se espalharam por novas terras, entre elas americanas e asiáticas. Aqui na América, além de marcar a ocupação da Coroa Espanhola criou-se um projeto de evangelização dos índios guaranis, consolidado através das Missões Jesuítico- Guaranis em duas fases: a primeira nos anos de 1626 a 1641 e, a segunda, nos anos de 1682 a 1768. Na segunda fase, no ano de 1687 foi fundada a redução de São Luiz Gonzaga.

São Luiz Gonzaga, cidade do noroeste do Rio Grande do Sul, tem bem presente esse passado, fazendo parte do imaginário local e regional, por meio de sua divulgação histórica e principalmente turística. Por isso, sempre que se pensa em São Luiz Gonzaga, se fala em missões, e os são-luisenses têm orgulho de ter esse passado missioneiro. Nós também temos, mas acreditamos que a história continua e a pesquisa tem que avançar.

Sendo assim é nesta cidade, São Luiz Gonzaga, e abordando parte da história mais recente, que estamos desenvolvendo nosso estudo, abordando como objeto central a pesquisa sobre a vida de um são-luisense chamado Artur Melo da Costa, enfatizando sua participação como ex-combatente do Exército Brasileiro – um Febiano da Segunda Guerra Mundial.

O presente estudo justifica-se pela importância que Artur vem adquirindo na história local – relevância esta corroborada pela existência de um monumento em homenagem aos são-luisenses que participaram da Segunda Guerra Mundial e no qual consta seu nome. Este monumento está localizado no Centro Esportivo Expedicionário Cícero Cavalheiro, cujo nome enaltece outro ex-combatente que também lutara na Segunda Guerra; justifica-se, ainda, pela participação de Artur nas escolas, através de palestras ministradas; pelos registros nos jornais; pela sua valorização regional; e, principalmente, pelo documentário intitulado Artur Melo da Costa: um herói missioneiro[1].

Um de nossos objetivos com essa pesquisa foi organizar uma exposição de longa duração no Museu Municipal Salvador Pinheiro Machado em São Luiz Gonzaga, com os materiais que retratam a trajetória de vida do ex- combatente, para que exista a salvaguarda desse material.

Como trabalharemos com a questão da memória, acreditamos ser importante o conhecimento referente à memória de idosos; para isto, pretendemos analisar as ideias de Ecléa Bosi em seu livro “Memória e sociedade – lembranças de velhos”:

Por mais nítida que nos pareça a lembrança de um fato antigo, ela não é a mesma imagem que experimentamos na infância, porque nós não somos os mesmos de então e porque nossa percepção alterou-se e, com ela, nossas idéias, nossos juízos de realidade e de valor (BOSI,1994: 55).

Neste mesmo sentido, nos apoiamos também em TEDESCO, que ao se referir aos fragmentos da memória de idosos, afirma:

Os “nonos” querem transmitir. Essa noção de transmissão é muito forte no significado dos relatos. Transmitir às gerações seguintes ensinamentos não apenas com o sentido de linearidade, mas, também, como revisão, comparação, reflexão, crítica à idéia de fim, de ausência, etc. No fundo, está o desejo de uma manifestação de um aprendizado de vida, anos de vida vivida, de desejo de conhecer o viver e o vivido vivenciado, de não se deixar levar pela dimensão atual do movimento rápido das coisas e de sua superação, alteração, fragmentação e descarte (TEDESCO, 2002: 57).

Em relação à salvaguarda de objetos, imagens e pesquisas referentes ao ex- combatente Artur Melo da Costa, esse material faz parte, desde 15 de maio de 2013, do acervo da exposição de longa duração do Museu Senador Pinheiro Machado, na cidade de São Luiz Gonzaga. O material citado constitui o produto, que se insere como pré-requisito obrigatório nos contextos em que se pretende inserir uma pesquisa para o  Mestrado Profissional em Patrimônio Cultural. Integrando esse produto, desenvolvemos também uma exposição itinerante, com três banners, que fazem um breve histórico da vida de Artur, além de destacar o material exposto no Museu, e construímos um folder para ser distribuído à população visitante do museu bem como  nos locais em que a  exposição itinerante for exposta. Sobre os detalhes da construção desse produto e sua inserção na sociedade, abordaremos a seguir.

Pretendemos, com essa pesquisa e com esse produto, recuperar a memória e a história do senhor Artur como patrimônio cultural da nossa região. A principal característica de um patrimônio é que a sua conservação seja de interesse público, uma vez que todo ser humano é um patrimônio e a sua memória é o seu maior bem. Por meio do patrimônio cultural, é possível conscientizar os indivíduos, proporcionando-lhes a aquisição de conhecimentos para a compreensão da história local, e da sua própria história.

O patrimônio cultural de uma nação, segundo a declaração de Caracas em 1992, é composto de todas as expressões materiais, imateriais e expressões simbólicas, assim como o meio natural.

Desde o ano de 2004, quando entramos em contato com a pessoa do Artur Melo da Costa, um ex- combatente da Segunda Guerra Mundial, uma das principais preocupações como pesquisadora foi a de deixar o registro de sua história; num primeiro momento, isto foi feito através de gravações pessoais e do documentário “Artur Melo da Costa: um Herói missioneiro”.

Desenvolvemos o projeto do documentário com a contribuição do professor Anderson Iura Amaral e o colocamos em prática. O documentário foi patrocinado pela Prefeitura Municipal de São Luiz Gonzaga, e, como também exercemos a profissão de educador, incentivamos a participação de Artur como palestrante nas escolas de nossa cidade.

Com a possibilidade de aprimorar os nossos estudos, em nível de mestrado, tivemos também a oportunidade de aprofundar o conhecimento sobre esse personagem histórico da nossa região. Por isso, fizemos mais entrevistas orais com o nosso objeto de estudo e com seus familiares, além de pesquisas bibliográficas sobre o momento histórico que o personagem vivenciou.

No transcorrer do tempo dos nossos estudos, o senhor Artur completou 91 anos de idade. Encontrava-se em estado frágil de saúde, permanecendo acamado, mas, mesmo assim, nos impressionava sua memória e vontade de nos contar sobre sua vida e principalmente sobre a guerra. Segundo depoimentos de familiares que o acompanhavam diuturnamente, nossa visita sempre foi motivo de alegria e falar na sua participação na guerra mais ainda, sendo um dos únicos assuntos que ele mostrava interesse. O que realmente nos impressionava é que mesmo com seu estado de saúde agravando, continuava com uma grande lucidez, que só foi atingida poucas vezes pelos medicamentos fortes ou nas últimas horas de existência.

Na mensagem lida por seus familiares, no momento de sua despedida, destacou-se a última frase que diz: “sua história não termina aqui, ela continua e vai ser contada por muitas gerações”.

Sempre colocamos ao senhor Artur e aos familiares, as intenções do registro de sua história por meio dessa pesquisa e até dela poder se tornar um livro no futuro. Em troca, tivemos apoio e incentivo dos familiares, que também tinham o desejo sua história não ser esquecida.

A ideia da salvaguarda de materiais surgiu em meio a essa pesquisa, pois se percebia a atenção que o senhor Artur dava a certos objetos, guardados por ele como relíquias.  Com o objetivo de preservá-los, pensou-se primeiramente em disponibilizar esse material para o acervo do museu, desejo nosso que foi falado em vida para o senhor Artur, o qual nos autorizou.

Alguns dias após seu falecimento, sua esposa entrou em contato conosco e nos passou diversos materiais, que especificaremos mais adiante. Com esse material em mãos, foi feito o projeto, demonstrando nossa intenção em integrá-lo ao acervo do Museu Municipal Senador Pinheiro Machado.

Em conversas informais com funcionários do museu Senador Pinheiro Machado, soubemos que diversas pessoas lhes pediam mais informações sobre o ex- combatente. Esses tinham poucas informações a conceder, a não ser um livro da história de Pirapó, que fazia um breve relato sobre a sua existência. O projeto viria ao encontro dos anseios dos funcionários e da população em geral.

Hoje sabemos, como educadores, que o fato de guardar coisas em um museu não nos leva a nada.  Procurando uma maneira de dar mais ênfase a sua história de vida e a esse material, que seria salvaguardado no museu, pensamos em fazer uma exposição itinerante e folders, divulgando sua trajetória de vida. Como pano de fundo, pretendemos dar um novo olhar sobre a valorização da história mais recente de São Luiz Gonzaga, fazendo com que as novas gerações tenham mais atenção e percebam que a história se dá no nosso cotidiano.

Na condição de educadores, entendemos que nossas práticas, devem estimular reflexões acerca do patrimônio existente, tanto material como imaterial, sendo este divulgado por meio de lugares de memória que são estimulados pelo turismo.

Temos consciência de que o nosso produto fará parte do turismo em São Luiz Gonzaga, pois fazendo parte do acervo do Museu Municipal Senador Pinheiro Machado, estaremos nos referindo a “lugares de memória” e locais visitados por turistas.

Esse museu é um dos pontos turísticos de São Luiz Gonzaga, tendo em seu acervo a história mais recente da cidade.

O prédio do museu, onde morou o Senador José Gomes Pinheiro Machado, um político do período republicano, hoje é um local com acervos doados pela comunidade, contando parte da história de São Luiz Gonzaga, inclusive do próprio Senador.

O referido museu foi fundado em 08 de maio de 1975 e é uma instituição de caráter educativo, mantido pela prefeitura municipal. Seu objetivo principal é preservar objetos, documentos, fontes de pesquisa sendo um instrumento de divulgação da história e da cultura do município e região. Funciona no turno da manhã e tarde de segunda a sexta- feira e fins de semana e feriados com pré-agendamento.

No corredor da entrada do museu Senador Pinheiro Machado, encontramos um relato da biografia do Senador e a esquerda uma sala com alguns materiais do mesmo, como: roupas, móveis, máscara mortuária, fotografias dele e da família, tinteiros, espada usada por ele entre outros.

Seguindo o corredor de entrada, encontramos outra sala, que tem como ponto principal a exposição de moedas de várias nacionalidades e de vários anos (1869 até os dias atuais). Nesta mesma sala temos fixado nas paredes fotos de São Luiz Gonzaga mais antiga, do século XIX e XX, com destaque para a questão da aviação nas décadas de 1940 e 1950 e documentos históricos como jornais antigos entre outros.

À esquerda desta sala com as moedas, temos a chamada sala da leitura, onde estão dispostos todos exemplares do principal jornal da cidade “A Notícia” e a evolução das máquinas de datilografias, rádios, toca discos, gramofone, telefones doados pela comunidade, mostrando a evolução tecnológica nos meios de comunicação.

Aos fundos temos as dependências com um pequeno banheiro, cozinha e almoxarifado.

Do lado direito do corredor principal, a primeira sala, é da administração, hoje ocupada no turno da manhã por uma funcionária chamada Maria Janete Bogado e no turno da tarde, pelo diretor dos museus, João Alberto Machado Hengen. Nesta sala há um armário onde constam os principais documentos datados e fotografados das administrações municipais são-luisenses e sobre a história de alguns municípios da região.

Seguindo a direita encontramos um salão bem espaçoso. Há diversos objetos como, por exemplo: armas antigas, objetos da cultura gaúcha, fotos da praça matriz e entorno, coleção de vários modelos de ferro de passar roupa e de máquinas de costura. Também há um armário de exposição permanente de Jaime Caetano Braun, que é um músico renomado por cantar músicas que contam a história missioneira, neste espaço, ficaram livros e indumentárias suas. Na mesma sala o diretor dos museus nos concedeu um espaço para a salvaguarda do material do senhor Artur Melo da Costa.

Sobre os museus temos como definição pelo Departamento de Museus e Centros Culturais – IPHAN em outubro de 2005 o seguinte:

O museu é uma instituição com personalidade jurídica própria ou vinculada a outra instituição com personalidade jurídica, aberta ao público, a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento e que apresenta as seguintes características:

I – o trabalho permanente com o patrimônio cultural, em suas diversas manifestações

II – a presença de acervos e exposições colocados a serviço da sociedade com o objetivo de propiciar à ampliação do campo de possibilidades de construção identitária, a percepção crítica da realidade, a produção de conhecimentos e oportunidades de lazer;

III – a utilização do patrimônio cultural como recurso educacional, turístico e de inclusão social;

IV – a vocação para a comunicação, a exposição, a documentação, a investigação, a interpretação e a preservação de bens culturais em suas diversas manifestações;

V – a democratização do acesso, uso e produção de bens culturais para a promoção da dignidade da pessoa humana;

VI – a constituição de espaços democráticos e diversificados de relação e mediação cultural, sejam eles físicos ou virtuais.

Sendo assim, são considerados museus, independentemente de sua denominação, as instituições ou processos museológicos que apresentem as características acima indicadas e cumpram as funções museológicas. (http://www.museus.gov.br/museu/ acesso em 10 de abril de 2013).

Outro conceito é a Definição aprovada pela 20ª Assembléia Geral. Barcelona, Espanha em 6 de julho de 2001:

Instituição permanente, sem fins lucrativos, a serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público e que adquire, conserva, investiga, difunde e expõe os testemunhos materiais do homem e de seu entorno, para educação e deleite da sociedade.

Além das instituições designadas como “Museus”, se considerarão incluídas nesta definição:

–  Os sítios e monumentos naturais, arqueológicos e etnográficos;

–  Os sítios e monumentos históricos de caráter museológico, que adquirem, conservam e difundem a prova material dos povos e de seu entorno;

–  As instituições que conservam coleções e exibem exemplares vivos de vegetais e animais – como os jardins zoológicos, botânicos, aquários e vivários;

–  Os centros de ciência e planetários;

–  As galerias de exposição não comerciais;

–  Os institutos de conservação e galerias de exposição, que dependam de bibliotecas e centros arquivísticos;

–  Os parques naturais;

–  As organizações internacionais, nacionais, regionais e locais de museus;

–  Os ministérios ou as administrações sem fins lucrativos, que realizem atividades de pesquisa, educação, formação, documentação e de outro tipo, relacionadas aos museus e à museologia;

–  Os centros culturais e demais entidades que facilitem a conservação e a continuação e gestão de bens patrimoniais, materiais ou imateriais;

–  Qualquer outra instituição que reúna algumas ou todas as características do museu, ou que ofereça aos museus e aos profissionais de museus os meios para realizar pesquisas nos campos da Museologia, da Educação ou da Formação. (http://www.museus.gov.br/museu/ acesso em 10 de abril de 2013.)

Ao pensarmos na salvaguarda do material de Artur Melo da Costa, pensamos em uma preservação, mas não só como um lugar onde a sua história é preservada, mas também numa célula de incentivo a uma maior produção sobre o seu personagem ou sobre outros personagens da história recente de São Luiz Gonzaga, que muitas vezes são esquecidos pelas novas gerações.

Como observação, pretendemos por à disposição da população mais leituras, como o trabalho de conclusaõ de curso em nível de graduação de História de Ivete Venilda Grundemann, intitulado “Segunda Guerra Mundial”, onde a mesma faz um estudo de campo, sobre pracinhas sobreviventes e cita a história do senhor Artur. Também  a dissertação a nível pós graduação no Mestrado Profissionalizante em  Patrimonio Cultural de Anderson Iuri Amaral, intitulada “Artur vai à  guerra: A memória de um febiano perenizada em linguagem fílmica”, onde o mesmo dispõe de uma pequena biografia referente a Artur e analisa a produção, execusão e divulgação do  documentário “Artur Melo da Costa: um herói missioneiro”. Sendo que ficará uma cópia deste materal no museu, juntamente com outros livros da história de São Luiz Gonzaga e região.

A exposição itinerante compõe-se de três banners, onde se relata, atrás da escrita e principalmente imagens, a trajetória de vida de Artur Melo da Costa.

No primeiro banner consta um breve histórico de sua vida, por exemplo: onde e quando nasceu, quando faleceu, quem era e o que fez; acrescentamos imagens de três momentos de sua vida, ou seja, na adolescência, quando soldado, e aos 90 anos de idade.

No histórico do banner 1 escrevemos: “Artur foi um dos 1.880 soldados rio-grandenses, num total de 52.000 soldados brasileiros que participaram da 2ª Guerra mundial. Natural de Pirapó, na época distrito de São Luiz Gonzaga, incluiu no 3º RI – SLG, no ano de 1943, foi para a Guerra em 22/01/1945 e retornou em 03/10/1945.

Após o seu retorno da Guerra, trabalhou como agricultor no interior do município de Pirapó até o ano de 1991, quando mudou-se para a cidade de São Luiz Gonzaga.

Foi um verdadeiro exemplo de patriotismo. Vivenciou esse amor a pátria por meio de sua postura como cidadão. Há um monumento no Centro Esportivo Cícero Cavalheiro – SLG no qual consta o nome de senhor Artur, bem como, dos outros combatentes de nossa região.

Sua memória impressiona leigos e estudiosos, pois, dos ex-combatentes da região, ele era o único que falava em público sobre seus feitos na guerra e na vida.

O senhor Artur participou de diversas palestras em escolas locais e a nível regional. No museu de Pirapó encontramos um pouco de sua história, que também se encontra no livro “oficial” do município. Pirapó prestou várias homenagens para Artur, principalmente no ano de dois mil e sete onde ele foi homenageado na semana da pátria.

Todos os anos, o 4º Regimento de Cavalaria Blindado realiza formaturas e Artur Melo da Costa era sempre convidado de honra.

Normalmente, ele se fazia presente nas comemorações do Dia do Exército, da Cavalaria, da Vitória e principalmente no desfile militar de sete de setembro, em homenagem à Independência do Brasil.

Admirado por muitos, conquistou diversos públicos que estavam sempre dispostos a escutar as suas falas. Era tido como um herói, um exemplo de patriotismo. Em vida, as pessoas o procuravam para conhecer e registrar a sua história.

No segundo e terceiro banners, representados nas figuras,  mostramos imagens de sua trajetória de vida e dos objetos que disponibilizados para o Museu Municipal Senador Pinheiro Machado.

Esta exposição foi montada com o objetivo de dar mais mobilidade a história de Artur Melo da Costa, como itinerante pode ser solicitada para vários espaços na sociedade. Essa solicitação, poderá ser feita com os funcionários do Museu Senador Pinheiro Machado, onde será guardada a exposição itinerante, sendo por pré agendamento. Juntamente com os banners da exposição será proporcionado uma cópia do documentário “ Artur Melo da Costa: um herói missioneiro”. Destacamos que o foco principal é os visitantes da exposição itinerante conhecerem a história do senhor Artur e se possível, visitarem o seu material exposto no Museu Municipal de São Luiz Gonzaga.

Optamos pela confecção de um folder por ser um instrumento de divulgação, de fácil manuseio e acessível. A iniciativa teve por objetivo levar ao conhecimento das pessoas um breve relato sobre a vida de Artur Melo da Costa motivando-as a conhecer a exposição de longa duração sobre ele no Museu Senador Pinheiro Machado. Na parte interna do folder fizemos um breve histórico de sua vida (o mesmo que colocamos no banner 1) e acrescentamos ao final mais um parágrafo “Para homenageá-lo e deixar como acervo e preservação alguns pertences referente a sua trajetória de vida foi criado um espaço destinado aos materiais do ex-combatente no Museu Senador Pinheiro Machado, compondo a exposição de longa duração da instituição. Sobre o mesmo tema será disponibilizada uma exposição itinerante”.  Na parte externa, dividimos em três partes, a capa com o nome de Artur Melo da Costa e a referência como ex-combatente da Segunda Guerra Mundial; a parte externa do folder com dados para contato com o diretor dos museus ou a nossa pessoa, a foto do Museu Senador Pinheiro Machado, onde está exposta a exposição com os materiais de Artur de forma permanente; e na parte que é vista ao abrirmos o folder os nomes dos ex-combatentes da região que estão presentes no monumento supracitado.

Junto com o material da exposição itinerante acompanha o documentário “Artur Melo da Costa: um Herói missioneiro” e alguns folders.

Finalizando gostaria de fazer uma reflexão, dizendo que, as exposições são muito mais do que o simples processo de colocar objetos em vitrines, armários ou banners em paredes com um texto e legendas. Elas educam, inspiram e levam o visitante à reflexão, por isso precisam de um planejamento de curto e longo prazo.

Desde quando pensamos na exposição, pensamos na melhor maneira te torná-la atraente, pensamos na preparação dos intermediários entre a exposição, o museu e o público visitante, proporcionando momentos de aprendizagem aos funcionários do museu para que estes repassassem seus conhecimentos sobre o tema da exposição aos visitantes.

Pensar em quem seria o público alvo, foi fundamental para a disposição do material e até para legenda dele.  Sendo que, os visitantes seriam desde alunos, professores e população em geral, foi necessário um maior cuidado na disposição das palavras.

Portanto, foi pensando em atingir um maior público para a exposição de longa duração, aumentando seu impacto na sociedade, que organizamos uma exposição itinerante e os folders que, ao mesmo tempo em que levam ao conhecimento sobre o tema, também divulgam o acervo exposto no museu.

Acreditamos que agora devemos avaliar o impacto da exposição e os recursos associados em etapas diferentes, o que nos ajudará a ter certeza de que os objetivos pretendidos foram atingidos.

Enfatizamos que o senhor Artur é importante para a história de São Luiz e que as suas memórias, suas lembranças jamais deverão cair no esquecimento. Portanto a exposição é uma contribuição ao reconhecimento, à preservação e a valorização dessa memória, que inserida à memória coletiva são-luizense se constituiu no acervo patrimonial da cidade. O produto contribuiu para a visibilidade da pessoa de Artur, assim como o documentário supracitado que organizamos juntamente com o professor Anderson Iura Amaral Schmitz, bem como a dissertação produzida por ele e a monografia de Ivete Grundemann, formando no conjunto peças articuladas que narram outros aspectos da história do tempo presente de São Luiz Gonzaga e a propagação do seu patrimônio cultural.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOSI, E. Memória e sociedade. Lembrança de velhos. 2º ed. São Paulo: T. A. Queiroz Editora, 1983.

GRUNDEMANN, I. V. Segunda Guerra Mundial. Trabalho de conclusão de curso do curso de História, UNOPAR, 2010.

INSTITUTO BRASILEIRO DE MUSEUS. Disponível em: http://www.museus.gov.br/museu/. Acessado em 10 de abril de 2013.

LE GOFF, J. História e Memória. 5 ed. Trad. de Bernardo Leitão. Campinas: Ed. Unicamp, 2003.

NORA, P. Entre a memória e a história: a problemática dos lugares. Projeto História, n.º 10, p. 7-28, dez. 1993).

SCHMITZ, A. I. A. Artur vai a guerra: a memória de um febiano perenizada em linguagem fílmica. Dissertação de mestrado do Programa de Pós Graduação Profissional em Patrimônio Cultural, UFSM, 2011.

TEDESCO, J. C. (org.). Usos de Memória (política, educação e identidade). Universidade de Passo Fundo – UPF, 2002.



* Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação Profissionalizante em Patrimônio Cultural (UFSM) marizakd@hotmail.com, este artigo teve orientação do professor Doutor Júlio Quevedo dos Santos.

[1] Documentário produzido em São Luiz Gonzaga, no ano de 2005, com objetivo pedagógico referente ao conteúdo da Segunda Guerra Mundial, no qual Artur Melo da Costa conta grande parte de sua história como ex- combatente deste episódio da história.


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