Guarda Civil de São Paulo na Segunda Guerra Mundial

Isalete Leal presenteia o Portal FEB com mais uma colaboração. No artigo de hoje, trecho de uma publicação de seu arquivo pessoal sobre os civis que serviram a Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial. Segue com o seguinte resumo:

“Com o Brasil se preparando para embarcar com destino a Segunda Guerra Mundial, teria que organizar um pelotão de polícia, como o que havia nas tropas americanas, garantindo assim a ordem durante as batalhas. E no exército brasileiro não havia ninguém treinado para fazer os serviços de escoltar prisioneiros, organizar o trânsito, escoltar comboios e manutenção da disciplina.

Os Guardas Civis de São Paulo mantinham a ordem na cidade seguindo o comportamento da polícia londrina. Atuavam na zona sul, oeste e parte do centro da capital. Eram atenciosos com a população, cuidavam do trânsito e atendiam aos turistas estrangeiros e patrulhavam a cidade. Como também atuava em São Paulo a Força Pública na outra parte da cidade. Todos que conheciam os Guardas da cidade de São Paulo elogiavam o comportamento e trabalho por eles executado.

O General Mascarenhas de Morais, conhecedor do trabalho desempenhado pela Guarda Civil de São Paulo, resolveu que em vez de treinar soldados seria melhor convocar alguns da guarda, pois já sabiam fazer esse serviço. Foram abertas 80 vagas para voluntários e 600 guardas se inscreveram e foram selecionados 73.

Esse 73 guardas civis foram para a Cidade do Rio de Janeiro onde passaram seis meses em treinamentos. Embarcaram para a Itália junto com o primeiro escalão da FEB. Quando chegaram ao porto do Rio de Janeiro dois deles desertaram e durante a viagem já começaram a desempenhar suas funções de manter a ordem.

Chegando ao destino foi equipado e receberam armas dos americanos foi então que o pelotão de polícia brasileiro se tornou a “Military Police”.

Durante a guerra morreram 2 guardas, Paulo Emygdio Pereira que estava fazendo a escolta de um comboio, como a estrada estava ruim e não podiam acender os faróis por causa do inimigo, o jeep caiu de uma altura de 30 metros.  E o outro guarda foi Clóvis Rosa da Silva que estava trabalhando no controle de transito de uma ponte perto do acampamento americano. Começou uma briga e o guarda foi separar os dois americanos que estavam brigando um dos americanos atirou e ele morreu na hora. No dia seguinte, o soldado que atirou foi fuzilado pelos próprios americanos para servir de exemplo.

Dos 69 guardas que voltaram para o Brasil quando acabou a guerra, sete chegaram feridos e muitos tiveram sequelas psicológicas. Alguns se mataram, outros tornaram alcoólatras e uma parte continuou trabalhando na polícia.

Foi esse pelotão que deu origem ao 1o Batalhão de Polícia do Exército que é uma tropa de elite.

Em 1970, as duas polícias se uniram e formaram a Polícia Militar do Estado de São Paulo”.

(Pesquisa feita no jornal “Diário do Vale da cidade de Volta Redonda – 14/04/2002) – “Histórias brasileiras da 2a Guerra”. Livro relata experiência de soldados paulista na Guerra junto aos “pracinhas”, civis também lutaram.

Livro: “A Polícia de São Paulo nos Campos da Itália”.
Autor: Major Paulo Adriano Telhada.

Colaboradora: Maria Isalete de Britto Leal


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22 comentários

  1. Renato Luckow Junior. /

    Olha como sempre , os artigos do blog são otimos. Parabéns Maria , e ao dono do blog também.
    Gostaria de saber mais histórias de soldados Brasileiros em Monte Castelo,detalhadamente como foi.
    Obrigado

  2. isalete leal /

    Agradeço ao portal e muito em especial ao Derek por postar o artigo. E sempre que for possível estarei presente nesse portal que é sério e está sempre com assuntos importante para a nossa história.

  3. ola tenho duas fotos de 1946 onde um oficial do exercito cumprimenta um ics da guarda civil e ao fundo da imagem as fotos dos integrantes da guarda civil q fizeram parte da feb.

  4. ANDREIA DOMINGUES DE OLIVEIRA /

    Isalete como posso saber se um antepassado meu participou da força expedicionaria brasileira, obrigada

  5. Dª. Maria Isalete – como posso entrar em contato com o Major Paulo A. Telhada, e adquirir o Livro ” a Polícia de São Paulo nos Campos da Itália “. O meu pai foi Guarda-Civil e integrou o Pelotão de Polícia Militar da FEB. Atenciosamente, Henrique.

  6. Sr.Henrique, essa reportagem é do jornal de minha cidade do ano de 2002. Verei o que posso fazer para ajudar a encontrar o livro, ok. abraços Maria Isalete

  7. Sr.Henrique, o livro pode ser adquirido na Livraria Saraiva no valor de 36,00 a 40,00 reais. Pode ser comprado pela net. abraços Maria Isalete

  8. Ana Luiza /

    Artigos como esses que precisamos resgatar para que a nossa história seja completa.

  9. carlos roberto /

    Boa Noite, meu falecido pai foi Guada Civil do Estado de São Paulo e me orgulho muito disso. Me lembro como se fosse hoje e por eu ser o filho mais velho, engraxava os sapatos da farda dele e lustrava os distintivos de metal que ele ostentava com muito orgulho na farda. Sempre impecável ao sair para trabalhar, garboso e muito bem fardado e a sua postura era fundamental, não é atoa que minha falecida mãe ficava cheia de siúmes…kkkkk. Que pena que isso não acontece mais nos dias de hoje. Que pena que menospresam as nossas Forças Armadas e as Forças de Segurança (AS POLÍCIAS). Que pena que o povo Brasileiro se deixa manipular por pessoas que não sabem oque é o sacrifício da própria vida em razão de outras vidas inocêntes e até mesmo pela PÁTRIA! Será que essas pessoas que hoje estão no poder sabem oque é isso? QUE PENA, QUE PENA………….

  10. carlos roberto, Fico feliz de poder ler seu depoimento nesse portal. Achei que nenhum filho postaria um comentario sobre esse valorosos policiais. Temos mesmo que sentir orgulho de nossos pais. Quem sabe um dia, com a nossa insistência, o valor chega, não é?

  11. Marco Antonio /

    MARCO ANTONIO – 04 DE JULHO DE 2011.
    Boa noite,eu também tenho muito orgulho de ser filho de um Guarda Civil,”ANTONIO MARQUES JUNIOR” que também integrou o pelotão que participou da campanha na Italia. O livro A POLÍCIA DE SÃO PAULO NOS CAMPOS DA ITALIA, escrito pelo Cel PM TELHADA, atualmente comandante da ROTA em São Paulo, também pode ser adquirido na ASSOCIAÇÃO DOS OFICIAIS DA RESERVA, localizada na RUA TABATINGUERA no centro de São Paulo. Estive pessoalmente com minha família do lançamento do livro, para prestigiar e agradecer o Cel PM TELHADA pela iniciativa. Como o fruto nunca cai longe da arvore, hoje também sou integrante da Polícia Militar de São Paulo. Um abraço à todos.

  12. Olá Marco Antonio. O pai do Cel Telhada foi ao lançamento do meu livro: “Da glória ao esquecimento: os socorrenses na Segunda Guerra”.

  13. Marco Antonio /

    Olá Derek. Parabéns pela iniciativa, e pelo lindo trabalho, que “Deus” o abençoe. Vou correndo comprar o livro. Um abraço à todos.

  14. Isalete Leal /

    Marco Antonio, o sorriso tomou conta do meu rosto ao ler seu depoimento. Que maravilhos saber que também os filhos dos GUARDAS CIVIS que participaram da SGM estão presentes com seus depoimentos. Tenho grande admiração por esse bravos e corajosos que fizeram parte da FEB. Em breve estarei lançando um livro com as histórias de meu pai. Obrigada por participar no Portal. Abraços

  15. Prezados leitores,
    Sou o Cmt do 1º Batalhão de Polícia do Exército, Batalhão Marechal ZENÓBIO DA COSTA, Organização Militar do Exército Brasileiro que se originou do Pelotão MP, constituído por estes bravos Brasileiros da Guarda Civil de São Paulo.
    Gostaria de entrar em contato com o Cel Telhada, bem como, com os familiares destes bravos integrantes do Pel MP, por intermédio do Tel (21) 2288-7148 / 1º BPE / Tenente-Coronel Cursino – Cmt 1º BPE.

  16. Nelson Alves da Cruz /

    Sou filho de Pedro Alves da Cruz um dos 80 voluntarios da extinta Guarda Civil de Sao Paulo que fizeram parte da FEB na Italia. Tenho um orgulho que me faz chegar as lagrimas qundo lembro do embarque da tropa pelo Rio de Janeiro ao som do Hino Nacional. Ele voltou ferido e foi para a reserva pela Policia Militar a qual havia incorporado a Guarda Civil e como muitos outros fez parte do Livro de Autoria do hoje Tenente Coronel PM comandante
    da Rota,Sr. Telhada, antes de mais nada uma pessoa maravilhosa a quem tenho um eterno agradecimento por tao memoravel homenagem.Sao Paulo, 25 de Outubro de 2011

  17. Olha que eu estudo a história da II Guera desde quando eu tinha 22 anos (agora 54). Eu não sabia desse fato em que morreu um Guarda Civil de São Paulo.

    Muito obrigado pelo seu trabalho desenvolvido neste site.

    Então o americano foi fuzilado?

  18. Por mais que tenha tentado entender a II Guerra, minhas faculdades mentais não conseguem me esclarecer como a Alemanha conseguiu se armar em 20 anos e se tornar uma potência tão poderosa militarmente, que mesmo juntando o mundo todo para derrotá-la quase venceu. Falo isso, não porque penso isso. Digo o que li no livro “A Guerra Que Eu Vi”, do General Patton. O livro foi escrito pela esposa dele, haja vista que o General morreu em 21 de dezembro de 1945. na Alemanha, vítima de acidente automobilístico. Ela serviu-se dos diários de guerra do marido para escrever o livro. O General deixa bem claro que muitas vezes viu claramente que os aliados iam perder a guerra. O guerreiro alemão era verdadeiro titan. Se Hitler tivesse confiado a guerra a um dos seus Generais, a partir de 1942, era bem provável que teria vencido. Hitler cogitou tomar-nos o Sul do Brasil. Pesquise e veja que agora outra potência cogita tomar-nos o Norte. Já tem lugar no Norte onde brasileiros não podem entrar. A net trás essas informações. Não são descobertas minhas.

  19. Maria do Socorro Sampaio M. de Barros /

    Gostei, sei que essa história permanecerá ! Agora contamos com essa maravilha da ” Idade Mídia” ao socializarmos nossos arquivos pessoais ( de nossos pai e mãe).
    Abraços febianos

  20. jose vacir cogo /

    A Revista Veja desta Semana (09.09.13), tem matéria dizendo que o Governador Ademar de Barros criou a Guarda Rodoviária em 1948 para empregar os ex-pracinhas que voltaram da II Guerra. Muito Justo. Inclusive usavam a mesma farda dos oficiais do 5º Exército Americano, ao qual o Brasil ficou subordinado durante as operações na Itália.

  21. Luiz Carlos Massi /

    Caros leitores,

    Sou filho de Ex guarda civil de São Paulo, hoje oficial da reserva da Polícia Militar, conviví muito dentro daquela instituição, que era uma verdadeira polícia que jamais deveria ter acabado e não permanecido essa atual Polícia Militar, pois não precisamos militares policiais, deixa isso para as forças armadas, como acontece em qualquer país civilizado, conhecí também um inspetor que era amigo de meu pai, que efetivamente participou da guerra. Aqueles policiais eram confiáveis, infelizmente isso não acontece!!!

  22. Linda materia,eu como guarda civil de sto andre,fico mto orgulhoso pelo trabalho que esses corajosos homens fizeram na italia!!

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