Gabriel Pastore – 9º Batalhão de Engenharia

Ao portal, relato um pouco do que aconteceu com meu tio-avô, Gabriel Pastore, nono batalhão de engenharia. Na verdade, é meu tio – avô por afinidade, é cunhado de minha avó por parte de mãe.

Nascido em 27/04/1921, Campinas – SP, mais precisamente no distrito de Souzas, onde seus pais eram imigrantes italianos e viviam basicamente da subsistência agrícola e de um pequeno comércio. Exerceu ele a profissão de carpinteiro e ainda possuía habilitação para dirigir. A maioria dos soldados convocados da cidade de Campinas integrou o sexto R.I. de Caçapava, apenas ele, que eu tenha conhecimento, integrou o batalhão de engenharia, onde desempenhou a função de motorista.

Realizou treinamentos em São João Del Rey – MG e Rio de Janeiro, tendo embarcado no segundo escalão da FEB. Muitos fatos curiosos e incríveis que lá aconteceram ele relata, vou citar precisamente dois:

Bem,  faz muito tempo, ele não sabe precisamente qual era o local da Itália, mas uma operação que envolveria 4 “exércitos” para cercar os alemães: Os americanos brancos deveriam atacar frontalmente, os americanos negros (Bufallo) deveriam atacar a retaguarda, os brasileiros e ingleses os dois flancos (ou algo do tipo).

Na função de engenharia, ele estava encarregado de levar material até onde o front começava, disseram para ele que um soldado americano estaria esperando e meu tio(como a maioria dos soldados brasileiros) não falava inglês, então estava estabelecida uma senha: Era só chegar e dizer “elefante” (devido à proximidade sonora com o inglês, “elephant“) que o soldado iria entender.

Chegando ao local, ele não viu ninguém, continuou avançando com o caminhão, achou um soldado: Brasileiro!. Este já perguntou indagado:

“Rapaz, você tinha que ter feito a entrega lá atrás, aqui você já tá no front, amigo!”.

E ele se deu conta: O lugar estava um inferno e ouvia – se claramente rajadas, tiros e explosões: Algo deu errado, a idéia era de que os aliados cercassem os alemães, mas no fim, os aliados é que acabaram cercados por eles.

Segundo meu tio, já não tinha como voltar mais, o jeito era esperar para que os aliados tivessem sucesso, o que não parecia ser muito provável. Ele mesmo atuou como soldado de infantaria nesse embate, disse ele que o pessoal “separa em inglês, brasileiro, americano negro, americano branco, mas na hora do “vamo vê!”, é uma bagunça!. Junta todo mundo!.  Diz ele que um dos oficiais brasileiros conversou em inglês com um outro oficial, americano e requisitou apoio aéreo. A base mais próxima era a de Pisa, justamente onde estava o Senta à Pua!.

O próprio oficial brasileiro requisitou, 40 minutos depois, chegaram os P – 47 da FAB, segundo ele, com uma “estratégia pra lá de esperta, mas perigosa!“.  O primeiro avião, deu um rasante nas posições alemãs, mas sem atirar, só para atrair o fogo inimigo, segundo ele, tão baixo que dava até para ver as insígnias da FAB e o emblema do Senta à Pua. Logo atrás, outros três P-47 em formação arrasaram as posições inimigas com tudo o que tinham: Bombas, rajadas de .50. Nisso, os alemães fugiam desesperados e acabavam alvejados pelos aliados.

Segundo ele, foi o momento de mais medo que passou durante toda a guerra, com o oficial brasileiro encarregado da missão inclusive reunindo todos os homens ali presentes e rezando com a tropa para que saíssem vivos de lá, alguns não saíram.

Por Cristiano Zago Damas Garlipp, 17/07/2010


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9 comentários

  1. jurcileia /

    Nossa!!! Adorei a historia do seu avô, verdadeiros heróis e eu tenho orgulho de saber q ele foi um brasileiro e estava nesta batalha.

  2. Valeu Cris :D

  3. Cristiano /

    Valeu pessoal, eu não pus o
    local aí porque não tenho certeza,
    mas andei pesquisando fontes sobre
    os “Soldados Búfalo” (negros americanos)
    e esse confronto foi com certeza em alguma
    região do vale do Secchio.

  4. Ricardo Bieri /

    A Campanha da Itália foi uma verdadeira “Torre de Babel”; lá as Forças Aliadas do 5° Exército, sob o comando do general americano Marck Klarck, tinham de tudo um pouco: americanos (a maioria deles eram descendentes de italianos e poloneses), britânicos, sul-africanos, argelinos, polonêses, franceses da “França Livre”, neuzelandeses, brasileiros e marroquinos. Os alemães também não ficavam atrás, e lutaram com ucranianos e russos (a maioria eram soldados capturados na Campanha da Rússia, e obrigados a lutar pelo Reich em outras Frentes), letões, bielorrussos, hungaros e croatas.

  5. glaucia pastore /

    Este texto foi muito bem escrito pelo Cristiano.
    Nos , filhos de Gabriel Pastore e como brasileiros temos imenso orgulho de nosso querido Pai, que alem de Heroi, e um pai maravilhoso e nos ensinou a noção de ética, caráter e um imenso amor pelo Brasil.
    Glaucia Pastore

  6. glaucia pastore /

    Quando os livros e historia das escolas brasileiras vao ter esta parte tao importante da vida brasileira, relatados de forma correta?
    Sera que os historiadores sao ouvidos na confecção do material didático das esolas brasileiras?

  7. Cristiano Zago Damas Garlipp /

    Hoje faz um ano que nosso herói Gabriel
    se foi desse mundo, entretanto: Está eternizado
    em nossas memórias, assim como seus feitos!
    VIVA A FEB! Verdadeiros Heróis do Brasil!

  8. Guaraci Alfredo /

    Cristiano conheci seu tio avó, na Associação e tb te conheço e sei q tds as histórias por eles contadas são simplesmente um exemplo e de raça, coragem e bravura, de tds os nossos pracinhas vivos, q são poucos, e já tb os já falecidos.
    Pude ouvir mts deles na Associação qdo lá estava cheia deles, animados e felizes por contar pata nós, tds os seus feitos. Mas vida é assim mts já se foram, mas como disse guardo em minha memória suas histórias.
    Abraços,
    Guaraci
    Aexpcamp

  9. Clermont /

    O mome do seu tio-avô encontra-se gravado no Monumento aos Heróis do 9º Batalhão de Engenharia de Combate. Todos os dias, ao entrar no Quartel, passo em frente aos nomes dos bravos combatentes da nossa Engenharia na 2ªGM.

    Abraço,

    TC Clermont
    Subcomandante do 9ºBECmb

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