Flores nas Portas: 25 mil Vezes Santa Maria

Israel Blajberg (*)

Não apenas Santa Maria, mas a Nação Brasileira sofreu e se comoveu com a tragédia; Imagine-se então algo assim mais de 25 mil vezes, levando 6 milhões de almas ! algo tão brutal e inexplicável que uma nova palavra teve de ser cunhada: Holocausto.

Diz-se que D_us é brasileiro, assim poucas vezes passamos por algo semelhante à tragédia de Santa Maria. Lamentavelmente, o desastre que se abateu naquela madrugada trouxe para perto de nós recordações igualmente tristes de passado não muito distante na Europa sofrida, quando 6 milhões de seres humanos foram dizimados, um tormento que iria se abater 70 anos depois sobre 235 almas tão inocentes quanto aqueles.

Para os 6 milhões não foi a espuma de poliuretano, mas o gás Zyklon B; as portas também estavam fechadas; ninguém se dava conta do destino cruel que os aguardava, presos e confinados em uma pequena câmara. E pouco foi feito antes para prevenir que tudo isso acontecesse. As duas tragédias foram parecidas na forma.

O mundo silenciava, as leis não funcionaram. O socorro foi tardio. Quem conseguiu lutou pela própria vida. Asfixia, lá e cá. Vidas e sonhos interrompidos, de trabalhar, estudar, construir, curar, ensinar. Houve salvadores, os Justos. E não poucos bravos perderam a própria vida em desprendimento, heróicamente.

Dos culpados de ontem muitos não sofreram a punição merecida. Dos culpados de hoje resta a indagação – sofrerão o castigo dos homens ?

As vezes nem o tempo inexorável consegue amenizar as feridas da alma. Não podemos esquecer, nem permitir que a opinião pública amorteça em sua indignação. Há que lutar também contra os que se atrevem a negar o que aconteceu.

A madrugada fatídica deste 27 de janeiro não será olvidada. Há 68 anos as tropas soviéticas libertaram Auschwitz, nesta mesma data que a ONU consagrou como o Dia Internacional de Recordação das Vitimas do Holocausto. Nesse dia também recordaremos aquelas jovens almas inocentes de Santa Maria, igualmente sacrificadas sem culpa.

Depois das imensas tragédias, as mesmas flores estão presentes, seja em Auschwitz na porta dos crematórios, seja em Santa Maria na porta que foi aberta tarde demais.

Que todas essas flores sirvam como mensagem de alerta para a humanidade – que nunca jamais venham a acontecer martírios assim, em nenhum lugar.

(*) iblaj@poli.ufrj.br


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1 comentário

  1. sonia francisco do nascimento gameleira /

    Gostaria muito de participar da Associaçao do Ex-Combatentes.Meu pai se encontra acamado.O HCE,nao quiz ficar com ele.Alegaram que em casa seria melhor.Eu nao acho.Moramos distante.Para locomove-lo e muito dificil.Tanto que veio em uma ambulancia.Porque sera que agem desta forma?Sera porque e um ex-combatente e nao um militar da ativa?Tinham que valorizar mais,a estes herois que,foram para uma guerra,sem saber na epoca,para onde estavam indo.Mas,foram,lutaram e voltaram,trazendo a vitoria.Meu pai se orgulha do que fez,e tenho certeza que todos os outros.Mereciam um final de vida,com mais dignidade.Com todas as honras de um militar atual.Este e um pouco do meu desabafo como filha.

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