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Uma história esquecida sobre brasileiros que lutaram na Itália.


Pouco conhecida, quando não completamente esquecida é a participação do Brasil no maior conflito bélico do século XX (e por que não da humanidade), que envolveu nações dos cinco continentes e assistiu á combates se desenrolando de norte à sul e de leste à oeste. Combatendo nas areias do Saara, nas gélidas águas do Atlântico Norte, nas paradisíacas praias do Pacifico, ou nas paisagens européias tão conhecidas, a guerra estendeu-se de 1º de setembro de 1939, com a invasão da Polônia por forças nazistas, iniciando-se como mais um conflito tipicamente europeu, alcançando em pouco tempo a África, Ásia e por fim as Américas; findando apenas em agosto de 1945 após dois bombardeios atômicos contra cidades japonesas.

Anualmente assistimos a algum novo lançamento de Hollywood falando sobre os Marines que lutaram em Iwo Jima, os Rangers que desembarcaram na Normandia ou ainda os homens da 101th Airborne que saltaram por trás das linhas inimigas no dia D, e vibramos a cada cena de batalha e agradecemos por termos sido libertos da ameaça nazista. Porém, enquanto glorificamos os feitos históricos de outros paises, esquecemos nossa própria participação naquele conflito, a qual não se limitou apenas a acompanhar os fatos enquanto oscilávamos entre Berlim ou Washington e muito menos nos aliamos aos Estados Unidos em troca de uma siderúrgica ou por mera pressão destes. A participação brasileira na guerra foi voluntária, resultado dos interesses nacionais (industrialização) e conveniências políticas e ainda, contou com pleno apoio da população a partir do momento em que a agressão do Eixo contra a frota mercante nacional atingiu seu ápice em meados de agosto de 1942, vitimando mais de 500 brasileiros, mortos em decorrência do torpedeamento de seis navios que serviam à navegação de cabotagem, trafegando a poucas milhas da costa e realizando a ligação entre as regiões sul/ sudeste e o nordeste, consistindo na única ligação entre os extremos do Brasil.

Desde a implantação do Estado Novo no Brasil, um regime totalitário de caráter fascista, em fins de 1937, o que até então consistia em uma relação amigável com a Alemanha Nazista se converteu em uma série de desentendimentos diplomáticos, tendo como pivô a política varguista de integrar a colônia alemã ao país, coibindo o financiamento alemão às escolas e ainda, cortando a influencia política do nazismo através do combate direto ao partido nazista. Com relações rompidas desde meados de 1938 com a Alemanha, o Brasil passou a aproximar-se dos Estados Unidos, estreitando os laços de amizade com àquela nação e foi além, atuou em favor de um acordo de segurança continental, o qual asseguraria a proteção do continente contra qualquer ingerência externa. Os temores do Brasil se justificavam em razão dos acontecimentos que levaram à Crise de Munique onde a Alemanha teve suas reivindicações territoriais aceitas sob a alegação de estar apenas reunindo o povo alemão.

Desde o começo de 1941 o Brasil já assumia uma postura cada vez mais favorável aos norte-americanos, situação que se tornou escancarada após o ataque japonês a Pearl Harbor. Enquanto a Alemanha declarava guerra aos EUA nos dias finais daquele ano, unidades de patrulha e soldados estadunidenses chegavam ao Brasil, e daqui operaram com pleno consentimento do governo. O Brasil fazia sua decisão, a qual seria ratificada na III Conferência de Consulta, realizada em janeiro de 1942 e que, no dia 28, resultou no rompimento de relações diplomáticas das Repúblicas Americanas com os paises do Eixo. A guerra chegava ao continente e a partir de fevereiro os alemães enviaram seus U-boats contra o litoral norte-americano, dando inicio a uma campanha que, até agosto daquele ano, vitimou inúmeros mercantes brasileiros.

Em resultado aos ataques realizados na costa brasileira, que mobilizaram a população que saiu às ruas em protesto, finalmente o Brasil oficializava sua entrada na guerra. Participando do esforço de defesa do saliente nordeste do Brasil, patrulhando o Atlântico Sul em busca aos submarinos inimigos e prestando segurança aos mercantes que levavam importantes recursos para suprir o esforço de guerra aliado, as forças armadas brasileiras lutavam para aprenderem as novas técnicas de combate, bem como se modernizavam com material de procedência norte-americana que chegavam cada vez mais em quantidade. Logo a recém criada Força Aérea Brasileira estava voando caças P.40, bombardeiros B.25 e aeronaves de patrulha Ventura e Catalina; o Exército Brasileiro recebia carros de combate, peças de artilharia e diversos veículos; e a Marinha do Brasil passaria a operar navios de guerra submarina.

Porém, a medida em que a ameaça de uma invasão nazista contra o Brasil, através da costa oeste da África, usando Fernando de Noronha como escala, se afastava, a prioridade para o recebimento de armas era deslocado para a URSS e Inglaterra, o que representaria atrasos no re-aparelhamento das forças brasileiras. O bem sucedido desembarque anglo-americano no norte da África (Operação Torch) havia afastado esta possibilidade, e logo o governo brasileiro assumiu a iniciativa em propor ao presidente norte-americano o preparo e envio de uma força expedicionária brasileira ao norte da África, atuando decisivamente na proteção do continente. Apesar da recusa inicial dos ingleses, a persistência brasileira e o apoio americano resultaram, a partir de 1943, na seleção e preparo de uma força brasileira que tomaria lugar no front do Mediterrâneo. Mais do que a manutenção do fluxo de material bélico para o Exército, o envio desta força representou o importante aprendizado de novas técnicas de combate e ainda, marcou na memória dos italianos a presença dos brasileiros na luta contra o nazi-fascismo.

Colaborador: Anderson Luiz Salafia

Licenciado em História pela UNISA.


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