Expedicionário Sérgio Bernardino – O Humilde Herói de Montese

*Gesiel Júnior

Filho único, Sérgio Bernardino morava com a mãe viúva num modesto bangalô perto da Santa Casa na rua que hoje leva o seu nome. Alfabetizado e sem nenhum preparo militar, ele foi inscrito na FEB sob número 1G-307.210.

Integrante do 6º Regimento de Infantaria Expedicionária, ele avançou pelas colinas da região de Montese, vizinhas das províncias de Modena e Bolonha, área cheia de rios com rica vegetação, bosques e castanhais antigos que rodeiam os povoados medievais.

A meta da missão era desalojar os alemães escondidos em casamatas e trincheiras. Sérgio Bernardino, entretanto, foi atingido mortalmente pela artilharia inimiga no cair da tarde, quando os nazistas desencadearam um forte bombardeiro de artilharia com cerca de 2.800 tiros.

O militar avareense tombou durante a primeira grande vitória obtida exclusivamente pelos brasileiros na Itália, porém a mais sangrenta: a conquista de Montese. Essa batalha marcou o início da chamada “Ofensiva da Primavera” que contribuiu para o completo desmantelamento do dispositivo alemão e o fim da 2ª Guerra menos de um mês mais tarde.

Agraciado postumamente com as Medalhas de Campanha, Sangue do Brasil e Cruz de Combate de 2ª Classe, Sérgio Bernardino teve o seu corpo sepultado no Cemitério de Pistoia, na Itália, junto de outros soldados brasileiros.

Homenagem aos Pracinhas, 1961. Idealizado e projetado pelo escultor Fausto Mazzola (1918-2004) para homenagear os ex-combatentes da Força Expedicionária Brasileira de Avaré/SP••

Em 1960, os despojos do expedicionário avareense foram trasladados para o Rio de Janeiro. Em meados dessa mesma década, a pedido de sua mãe, suas cinzas foram trazidas para Avaré e inumadas em pequena urna no monumento ao Pracinha, no Largo São João, pelas mãos da poeta Anita Ferreira De Maria.

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• Do livro “Avaré em memória viva – volume II”, de Gesiel Júnior, Editora Gril, 2011.

•• O monumento aparece neste flagrante durante sua construção, no Largo São João. Ao centro da imagem estavam o prefeito Misael Euphrasio Leal (1909-1983), o artista plástico e o mestre dos serviços. No alto, em meios aos andaimes, construtores ergueram o arco com linhas modernas, marcante trabalho feito para as comemorações do 1º Centenário de Avaré. Anos depois, a urna mortuária com as cinzas do soldado avareense Sérgio Bernardino, morto em combate na Batalha de Montese, na Itália, foi inserida no corpo do monumento.


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