Expedicionário José Fontoura Ferreira: Um Herói de Fé

José Fontoura Ferreira filho de Porfírio José Ferreira e Joana Amanda Castilho Ferreira nasceu no dia 15 de março de 1917 e faleceu no dia 11 de setembro de 2005 em Estrela Velha. Quando nasceu Estrela Velha era o 5º distrito do município de Soledade, Estado do Rio Grande do Sul, e onde viveu toda sua vida.

Era reservista quando foi convocado para a defesa de sua Pátria na Segunda Guerra Mundial logo no 1º Escalão, servindo de 02-VII-1944 a 06-VII-1945(data conforme certificado recebido) incorporado ao 6º Regimento de Infantaria tendo sido licenciado do Serviço Ativo no dia 27 de julho de 1945 ingressando na Reserva do Exército Nacional.

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CERTIFICADO

Em sua volta na chegada ao Rio de Janeiro no dia 29 de julho de 1945 enviou um telegrama à sua mãe a qual aguardava notícias suas:

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TELEGRAMA

“Mamãe estou Rio estou com saúde, espera-me em breve felicidades.”

Quando chegou à terra-natal em Jacuizinho-RS fora agraciado com muitas homenagens e festa. Dentre as homenagens um trecho do discurso proferido pela primeira-dama do município da época”

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DISCURSO

“Lutaste e venceste. Venceste, sim porque venceu, o Brasil e venceste os poderosos e nobre aliados, és digno de nossa admiração. Mereces o nosso respeito.”

Foi congratulado com Medalha de Campanha e Diploma pelo decreto de 21 de janeiro de 1946.

Casou-se em 26 de abril de 1952 com Rozilda de Anastácio e desta união tiveram sete filhos. Não foi uma tarefa fácil conseguir a mão de Rozilda em casamento, pois sua futura sogra era alemã e resistia por ele ter lutado contra os seus descentes na Segunda Guerra Mundial.

Porém, como José Fontoura sempre fora aliado à alegria, ao bom humor e a persistência logo conseguiu casar-se com Rozilda.

Quando perguntado sobre a Segunda Guerra Mundial tinha vezes que não queria responder, ficava quieto e entristecia-se. E, quando falava lembrava com muita tristeza do frio rigoroso que passara, dos rios vermelhos de sangue, do cheiro ruim, dos corpos mutilados espalhados por toda aquela terra.

Porém, ressaltava com carinho daquele povo que já os receberam como heróis que iriam salvar suas vidas. Foram famílias e principalmente crianças com as quais ele e seus companheiros mais se preocupavam.

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MONTE CASTELO

José Fontoura entre seus companheiros após a Tomada de Monte Castelo.

A cada batalha vencida, a cada dia de vida, um agradecimento a Nossa Senhora Aparecida e acompanhado por seu escapulário de pano(o préve como ele chamava) carregado de orações costurado por sua mãe para firmar sua fé de que Deus jamais lhe abandonaria e que aquilo tudo logo terminasse. Após, a Guerra usou esse escapulário por muitos anos refazendo nova costura.

Com a vitória conquistada pela força, brandura e coragem dos Pracinhas Brasileiros marcando o fim da Segunda Guerra Mundial José Fontoura contava das festas que aquele povo prestava-lhes. Ouvia a música “Italiana” do cantor Agnaldo Rayol com muita emoção lembrando-se das festas e do carinho que ele e seus companheiros receberam.

Antes e após casar-se com Rozilda levou uma vida simples trabalhando na lavoura e com a atividade que mais gostava a lida com o gado nos campos de uma fazenda e fazendo a doma dos animais. Como bom gaúcho levantava às 04 horas da manhã para matear seu chimarrão e antes de percorrer os campos a fora para cuidar do gado, tomava um café bem reforçado preparado por sua esposa.

Passava muita lição de honestidade tanto que jamais tentou tirar proveito de qualquer situação e se fosse enganado ou trapaceado como aconteceu algumas vezes deixava pra lá, pois “Mais tem Deus pra dar, do que o diabo pra tirar”, dizia ele. Preferia sempre ajudar a ser ajudado. E, por essas e outras que Deus sempre o protegeu e deu a missão de ajudar a proteger muitas vidas em terras distante da sua como contava.

Nos importunos da vida sempre demonstrava força e vontade de vencer. Caso estivesse enfermo logo começava a cantar e improvisar seus versos. Até mesmo em seus últimos dias de vida no hospital cantava e tentava agradar as moças bonitas(as enfermeiras) como ele dizia.

Mesmo sem saber ler e escrever em algum de seus versos ele dizia: “Lá se vai o sol entrando redondinho igual um ovo tem.” Venha cá morena me dá um abraço que eu não conto pra ninguém.” E ainda ensinava para seus netos: “Laranjeirinha pequeninha carregadinha de flor. Eu também sou pequeninho carregadinho de amor”.

Era muito brincalhão com as pessoas as quais lhe admiravam pelo seu jeito faceiro de ser com a vida e principalmente porque sabia respeitar as pessoas.

Em sua terra natal, agora município de Estrela Velha recebeu várias homenagens como:

Título Cidadão Benemérito no ano de 2000 pela Câmara Municipal de Vereadores;

Em 06 de abril de 2006 pela Lei Municipal n°652 foi denominada a rua onde residia com o seu nome “rua José Fontoura Ferreira”;

Com a criação do Museu Municipal foi promulgada a Lei Municipal n°788 de 02 de dezembro de 2008 denominando-o “Museu Municipal José Fontoura Ferreira”.

E, sempre que podia participava com muita alegria dos Desfiles Cívicos que seu Batalhão convidava. Como venerado patriota ouvia os toques de comando e aceitava as continências nos desfiles militares e nas visitas ao 7º BIB com orgulho e presteza. Tanto que sua última vontade era estar acompanhado pela bandeira da Pátria Amada e assim foi atendido.

Sem dúvida a lição mais bela do herói José Fontoura Ferreira foi deixar a todos que lhe conheceram a importância da fé em Deus, da alegria, da humildade e da honestidade vivenciados em todos os momentos de sua vida independente da situação em que se deparava. Provou a todos que só através de Deus se alcança as verdadeiras vitórias, não deixando que os horrores e os males da guerra viessem a prevalecer sobre seus sentimentos e emoções.

Como verdadeiro herói, José soube fazer da triste experiência na Segunda Guerra Mundial num aprendizado de respeito e valorização pela própria vida e a dos outros, e assim o Criador lhe permitiu que vivenciasse outras vitórias em sua vida pós-guerra.

No Museu Municipal José Fontoura Ferreira situado na cidade de Estrela Velha-RS pode ser encontrado documentação sobre sua vida e congratulações que recebera como Expedicionário; suas medalhas, diplomas, fotos,….

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PLACA DO MUSEU

Créditos: Fernanda Ferreira Schneider


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3 comentários

  1. Franciele Raquel Ferreira /

    Realmente um herói, exemplo de honestidade a ser seguido!
    Tenho imenso orgulhoso de ter o privilégio de ser neta (filha do seu primogênito) um homem que era exemplo de vida e dignidade, de simplicidade e honestidade, trabalho e dedicação, sempre atencioso, carinhoso e brincalhão, e sempre com bons conselhos para nos instruir e orientar! Saudades eternas do meu querido “Vô Zeca”

  2. LÚCIA A. FERREIRA ORLANDI /

    REALMENTE MEU PAI FOI UM ORGULHO PARA NÓS E PARA A NAÇÃO BRASILEIRA.TENHO MUITO ORGULHO DE SER SUA FILHA POIS SEU EXEMPLO DEVE SER SEGUIDO.

  3. Roberta Ferreira Billig /

    Saudades “Vô Zeca”, eterno Herói, que soube transmitir seus verdadeiros princípios, carinho e alegria, pois nunca lhe vi triste, preservando a Família como bem maior.

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