E a cobra fumou – Walter Bello Faria

NAPOLES- NAPOLI

Navegavamos pelo estreito de MESSINA,
Que liga o mar IONIO ao TIRRENO,
Foi quebrada a faina da retina,
Anunciando Napoles-NAPOLI, com mar sereno.

A velha cidade ainda dormia,
Nesta madrugada de clima ameno,
sob pesada bruma que envolvia
Toda a baia-golfo do mar TIRRENO.

Desfeita a nevoa que a envolvia,
Surge uma colina bem distante,
Sobre o VESUVIO imponente!

Tudo que vejo encanta e extasia,
Neste ambiente beligerante.
Oh! Que beleza! Nao é fantasia!

(Napoles-NAPOLI, outubro de 1944)

PAVANA

Engastada nas montanhas pistoenses,
Esse lugarejo trepado nas serras
Faz lembrar a todos os fluminenses
Paisagens comuns as nossas terras

Ao alto, um velho castelo imponente,
Construido de pedra sobre pedra;
Em baixo, um convento alvacente,
Cobrindo a neve todas as terras.

Neste ambiente gelado,
Aguardamos o sol da primavera,
Ocupando o casario abandonado,

Mas no momento aprazado,
No calendario da guerra,
Deixaremos este “front” castigado.

(Pavana – fevereiro de 1945.
Pequeno lugarejo, na serra de PISTOIA, no qual estivemos acantonados,
aguardando o fim do tenebroso inverno, com 16 graus abaixo de zero).

QUANDO FIRENZE SONHA

FIRENZE, cidade das flores!
Cortada pelo ARNO(rio), serpeante,
Tem jardins de todas as cores,
Esta bela cidade envolvente.

FIRENZE, cidade das flores!
Sua gente tao acativante,
E suas “ragazze”(meninas), que amores!
Tornam a cidade atraente.

Quando FIRENZE sonha….
E’ uma cançao tao dolente,
Que embala seus amantes,

Cantada por toda gente,
Repetida a todo instante:
Quando FIRENZE SONHA….

(FIRENZE – Florença, fevereiro de 1945
QUANDO FIRENZE SONHA….
Nome de uma canção popular cantada na cidade de FIRENZE).

PISA

Oh! Cidade da Toscana milenar!
Banhada pelo Arno em vazante,
Com sua torre pendente,
Vejo-a tristonha a chorar.

Oh! Cidade da Toscana milenar!
O contra forte das serras, distante,
Coberto de nevoa ao poente,
Cheia de soldados a marchar.

Suas ruas estreitas, enlameadas;
Em cada praça um monumento,
Mas com suas glebas abandonadas.

Ouça-me um so instante!
Lembre-me dos seus antepassados,
Que tambem foram sacrificados.

(Pisa, novembro de 1944)

HEROICA ARRANCADA

Findo o inverno inclemente,
Ao alvoreçer da primavera,
Desfeita a neve da estrada,
Eis a F.E.B. viril, valente,
Em decisiva arrancada.

Galgando o MONTE CASTELO,
A cidade aguerrida,
Agindo com sincronia,
A gloriosa artilharia,
Com seus tiros de canhao.
E a Infantaria com a metralha,
Em golpes de mao a mao,
Coberta pela engenharia,
Fez o “TEDESCO” recuar.

Vencido o MONTE CASTELO,
Seguiram-se outras vitorias:
CASTELNUOVO – MONTESE
FORNOVO – ZOCCA
COLLECCHIO,
Enchendo-se de glorias.

Escrevendo as nossas armas,
Paginas de heroismo,
Com o sangue brasileiro,
Mostrando ao mundo inteiro,
A vitoria de MONTE CASTELO,
Vencendo um povo guerreiro.

Pavana, maio de 1945
Tedesco = Alemão
(A F.E.B. esteve, durante o inverno, aguardando o seu termino
para prosseguir numa arrancada, rumo ao norte da ITALIA.)

No dia 08 de maio de 1945, quando terminou a guerra,
acantonado na sede de um banco em ruinas, chegou
correndo o soldado JOSE LITO, para avvisar que o
povo estava comemorando. Quando cheguei, ouvi:
“VITORIA!   VITORIA!
Senhor tenente”. Numa das salas do banco, que
ficou intacta, instalamos a sede da nossa Auditoria
e ali, de improviso, escrevi:

DIA DA VITORIA

VITORIA!   VITORIA!   VITORIA!
O povo gritava fremente:
Senhor tenente, VITORIA!
Percorrendo as ruas alegremente.

VITORIA!   VITORIA!   VITORIA!
Do soldado ao comandante,
Todos cobertos de gloria,
Repetiam: VITORIA!   VITORIA!   VITORIA!

Velhos, moços, crianças,
Homens de todas as crenças,
Gritavam: VITORIA!   VITORIA!   VITORIA!

Soldados de todas as patentes,
Todos muito importantes,
Entoavam:   VITORIA!   VITORIA!   VITORIA!

(VIGNOLA, 08 de maio 1945).

PISTÓIA

Deitada aos pes dos Apeninos,
Que emoldura sua paisagem,
PISTOIA! Velha cidade da TOSCANA,
Dedico-lhe esta nossa homenagem.

Recebe-nos como peregrinos,
Depois de uma longa viagem,
Cantando conosco nossos hinos,
Agradeçendo sua hospedagem.

E a prova da nossa gratidao,
Para guardar nossos mortos,
Escolhemos o seu dadivoso chao,

Aos pes dos APENNINOS TOSCANOS,
Pois, quanto mais passarem os anos,
Maior sera a nossa admiraçao.

PISTOIA, novembro de 1955
(Nessa cidade italiana ficaram sepultados nossos mortos de guerra, ate serem repatriados.)

SALVE ROMA, DESLUMBRANTE.

1
Vendo-a de ceu aberto,
Quantas vezes exultei,
Ao senti-la de perto.
Salve ROMA, exclamei!

2
O seu COLISEU, o FORO ROMANO,
O ARCO de SETIMO SEVERO,
Os templos de CASTER e VESPASIANO,
A “VILA Del’IMPERO”.

3
O FORO de AUGUSTO e de TRAIANO
As ruinas do PALACIO de TIBERIO,
Lembram a historia di povo romano
Recordam a vida de cada IMPERO.

4
O PANTEAO de AGRIPPA,
Antigo templo pagao,
Transformado em templo cristao.

5
A BASILICA de SAO Joao de LATRAO,
As fontes de EXEDRA e dos RIOS,
A das TARTARUGAS e de TRISTAO,
E os PALACIOS QUIRINALE e dos BORGIA.

6
E a ” CITTA’ DEL VATICANO,”
Onde esta o sepulcro de SAO PEDRO,
Guardado pelo povo romano,
Na monumental BASILICA DE SAO PEDRO

7
As portas monumentais de SAO JOAO,
A MAIOR, a de S. PAULO, a PIACENTINA,
A do POVO e a de S. SEBASTIAO,
As capelas SISTINA e PAULINAS.

8
Os PALACIOS SANATORIO,
da JUSTICA e do CAPITOLIO,
do QUIRINALE e dos BORGIA.

9
As suas galerias e museus:
BARNIERI, BORGETTI, SANT’ ANGELO.
Tantas obras de arte!

10
A que mais me impressionou:
“LA PIETA'” de MICHELANGELO,
Nao esqueçendo MOISES,
Que sempre se destacou.

11
E o famoso tesouro do VATICANO,
Repleto de castiçais,
Crucifixos, tiaras,
Tantas obras raras.

12
Baculos de ouro maciço,
Cravejados de diamantes,
Esmeraldas, rubis,
Topazios e brilhantes.

13
As vestes papais,
Com perolas e diamantes,
Em trabalhos imortais,
De beleza fulgurantes.

14
Finalmente, a figura do PAPA,
De rosto palido, sem jaça,
Olhar vivo, penetrante.
Salve ROMA, deslumbrante!

ROMA, maio de 1945
(Tendo visitado ROMA, em gozo de 5 dias de ferias, tive tempo de colher dados para escrever este pequeno poema.)

Colaborador: Giuseppe Pertica – perticagiuseppe62@yahoo.it


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3 comentários

  1. Olá Derek, este livro é recente? Não o conhecia. Abraço, Cesar.

  2. Olá. O colaborador do artigo é um senhor da Itália. Pesquisei na internet, parece que o livro foi lançado em 1991. Abraço

  3. Fernanda Sussekind /

    Esse livro foi publicado pelo meu avo, no incio dos anos 90. O meu avo escreveu varias historias veridicas sobre a epoca em que esteve na Italia. Ele era brasileiro, advogado e apaixonado pela Italia.

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