Dia da Vitória e a história (quase) esquecida da participação brasileira

Por Fabrício Robson de Oliveira.
Bacharel em Direito. Especialista em Direito Internacional. Pesquisador em segurança e defesa.

aterro do flamengoMonumento Nacional aos Mortos na Segunda Guerra Mundial

Dia 08 de maio de 2017, comemora-se o 72º ano do término da II Grande Guerra, conhecido também como dia da vitória. Nesta data, em 1945, foi a data formal da derrota da Alemanha nazista e a vitória do grupo dos Aliados. Um dia antes, em 7 de maio, houve a assinatura de um documento preliminar, que indicava a rendição das tropas alemãs. Contudo, a formalidade da rendição aconteceu no dia 8, através de representantes da Alemanha, que juntamente na presença do Alto Comando das Forças Aliadas e das Forças Armadas Soviéticas, assinaram a derrota alemã.

“Tal data é lembrada com afinco e patriotismo por outros países, mas não o Brasil, que realiza solenidades que estão em seu calendário militar e de algumas cidades, tornando tal data não um evento ou uma relembrança, mas um simples compromisso em cumprir o calendário e muitas vezes de discursos de pessoas “influentes” dos municípios que realizam uma leitura de uma nota copiada de sites de buscas, nem ao mesmo sabendo do que está falando ou como tudo aconteceu ou de militares que apesar de amarem a bandeira, estão desmotivados pela falta de apoio institucional e a falta do sentimento de amor à bandeira que a população vai deixando de lado.

É dia de um mix de alegrias e tristezas para aqueles que estiveram no fronte, em uma época que verdadeiras crianças, saíram de suas casas, principalmente das zonas rurais, onde nunca ouviram falar de guerra e nem ao mesmo sabiam ao certo o que era se voluntariar para tal feito. Deixaram suas famílias e casa, onde muitos nunca tinham deixado, para obter treinamento e embarcar, no caso, para a Itália, onde descobriram realmente o lugar que estavam após o desembarque.

Brasileiros reunidos de várias partes do Brasil em terras desconhecidas, com uniformes semelhantes aos nazistas, sem roupas apropriadas ao frio, esta era a realidade das primeiras fileiras que desembarcaram em terras italianas, que posteriormente, se adaptaram. Após as primeiras campanhas, ver o companheiro ser tombado ao seu lado, momento este que não poderia se fazer nada, de aviões da Senta a Pua abatidos em missões, que são reconhecidas até hoje, claro, reconhecidas fora do Brasil, pois o Brasil é um país sem memória.

PARABÉNS a todos os pracinhas que conduziram no braço o nome de nosso país ao um conflito que irá ser contado para sempre, PARABÉNS aos verdadeiros heróis, que mesmo não sabendo exatamente o porquê de estarem ali, lutaram bravamente e libertaram a população da Itália, principalmente nas regiões de Montese e Monte Castelo.

Todos os anos, os italianos realizam solenidades em homenagem a estes homens e mulheres que salvaram seus antepassados, soldados que dividiram o pouco que tinham para comer com aquela população sofrida pela guerra. Os italianos sentem se honrados e com uma espécie de dívida eterna com o povo brasileiro, mas aqui, no Brasil, não existe dívida, existem comentários que não rotulam os pracinhas como heróis, e sim como velhos, velhos que usam boina e medalhas no pescoço…

Antes destes comentários, procurem saber o peso que é a boina e as medalhas que carregam, muitas vezes uma medalha é o peso de uma morte amiga. Aprenda e ensine a seus filhos o que foi e o que passaram os brasileiros que lutaram nos teatros de operações.

Aprendam que heróis são os que estão dispostos a morrer por um objetivo e na defesa de terceiros, não àqueles que estão na TV.

Ensine a seu filho e aprenda também, que neste dia, quando ouvir uma aeronave da FAB realizando sobrevoos na área do Monumento do Expedicionário, escutar a salva de tiros seguida do depósito de uma coroa de flores no monumento ao som do toque de silêncio, saibam o porquê àqueles “velhinhos” como dizem, vão estar com os olhos lacrimejados e porque ficam com extremo orgulho ao ouvirem e cantarem a Canção do Expedicionário”.

Foi realizada uma pesquisa online simples e despretensiosa para uma noção do conhecimento das pessoas acerca da participação brasileira na Segunda Guerra. Foram colhidas 94 respostas. Na pergunta não obrigatória “Em poucas palavras fale o que significa para você a participação do Brasil na 2ª Guerra e qual foi a marca que o Brasil deixou”. Houve respostas que sem dúvida confirma o não conhecimento e a não preocupação com a participação canarinha na guerra.

A seguir, os dados colhidos na pequena pesquisa.

Alexandria/GO (1); Alto Rio Doce/MG (2); Barbacena/MG (51); Belém/PA (1); Belo Horizonte/MG (16); Brasília/DF (2); Carandaí (2); Congonhas/MG (1); Contagem/MG (1); Mariana/MG (1); João Pessoa/PB (1); Pirassununga/SP (2); Porto Alegre/RS (2); Recife/PE (1); Ressaquinha/MG (1); Rio de Janeiro/RJ (2); Santos Dumont/MG (1); São João Del Rei/MG (1) e Desconhecido (5).

Perguntas Submetidas e Seus Resultados:

guerra feb

feb significadopuafeb motivosfeb localdiferenca febpracinhas8 de maiocancao expedicionarioSe você quiser ver o link com o resultado da pesquisa e mensagens deixadas, acesse AQUI

“A COBRA SEMPRE IRÁ FUMAR”


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2 comentários

  1. Francisco Muniz /

    Nossos heróis jamais serão esquecidos, Parabéns a todos que lutaram para que a liberdade seja nossa riqueza.

  2. Paulo Afonso Paiva /

    Prezado Sr.

    O Brasil esqueceu seus heróis. Pergunte a qualquer jovem o que foi o “Titanic” e ele sabe. No entanto, pergunte o que foi o naufrágio do Cruzador “Bahia”, a maior tragédia da Marinha do Brasil e ninguém sabe. A Guerra acabou em 8 de maio de 1945, mas continuou na Europa. No dia 4 de julho daquele ano (dois meses após o armistício), o Cruzado “Bahia” estava fundeado nas proximidades dos Penedos de São Pedro e São Paulo, quando explodiu repentinamente. O inquérito apurou que foi “incidente de tiro”. N dia 10 daquele mês, o submarino alemão U-530 se rendeu na Argentina. Sessenta anos depois, dois jornalistas argentinos tiveram acesso a documentos argentinos, tornados ostensivos e descobriu que foram os alemães que torpedearam o navio – mesmo depois da guerra ter acabado. O porquê dos americanos terem encoberto aquele crime é o que conto no meu livro “O Porto Distante” (A disposição através do e-mail paivap50@gmail.com. Dos 382 tripulantes, somente 36 se salvaram. Honra a esses heróis.
    Um abraço
    Paulo Paiva

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