Devoções individuais dos soldados mortos em guerra

Devoções individuais dos soldados mortos em guerra: a documentação do Pelotão de Sepultamento (1944-1945)

Adriane Piovezan[1]

Resumo:

O presente artigo trabalha com a questão das devoções individuais dos soldados brasileiros caídos durante a Segunda Guerra Mundial. A documentação pesquisada refere-se aos relatórios individuais gerados pelo Pelotão de Sepultamento, responsável pela coleta, identificação e enterramento dos mortos em campanha. Além de elementos práticos, cabia ao Pelotão a realização dos ritos simbólicos finais referentes ao sepultamento do soldado. Nesta perspectiva, percebemos que a dimensão religiosa interfere neste universo temporal-espacial do sujeito, longe de casa em outro país, em um período em que a mortalidade era considerável. Desta forma, o imaginário devocional de cada soldado também é revelado, com a presença em seu cadáver de objetos de cunho religioso que teriam a função de proteger e demonstrar sua crença.

Palavras-chave: morte, instituições militares, Pelotão de Sepultamento.

 

Objetos relacionados à devoção dos soldados brasileiros, tais fontes encontram-se no Museu do Expedicionário de Curitiba.

Quando foi criada em agosto de 1943, a FEB (Força Expedicionária Brasileira), não intencionava enviar um grupo de capelães militares junto com os soldados. Tal decisão só foi ocorrer dois meses antes do embarque da tropa para a Itália em 1944. O motivo para que este descaso com a questão religiosa na organização e preparação para a guerra se deve ao histórico de conflitos entre Igreja e Exército desde a Proclamação da República até aquele momento.

As alegações sobre as circunstâncias nas quais, afinal, foi reconstituído o corpo de capelães militares no Exército ainda não foram totalmente esclarecidas. As poucas informações disponíveis dão conta de que se tratou, de fato, do resultado de um acordo de cúpula, entre as elites políticas e religiosas. Havia também, claro, questões de ordem prática. As experiências recentes com os conflitos e revoluções internas sugerem que não se cogitava a ausência de capelães nestas circunstâncias.

Veja-se, por exemplo, a interpretação de um tenente de artilharia da FEB:

“O Serviço de Assistência Religiosa teria sido restabelecido, no Brasil, em consequência de pedido do Cardeal Câmara ao Presidente. O fato ocorrera por ocasião do desfile de despedida da FEB ao povo do Rio de Janeiro, no dia 24 de maio de 1944. Mostrando as enfermeiras desfilando, o dr. Getúlio Vargas dissera ao Cardeal: ‘Vossa Excia. Revma. está contente de vê-las?’ ao que ouvi dizer lhe fora respondido: ‘Sim, Sr. Presidente, mas estão faltando os Capelães militares’. ‘Pois bem, sr. Cardeal, a FEB os terá”.

O autor, ele mesmo assim o admite, “ouviu dizer” que assim teriam se passado esses eventos. Não se conhece nenhuma outra interpretação para o episódio, muito embora a subordinação da FEB ao padrão organizacional do Exército dos EUA por si só já a obrigasse a contar com um corpo de capelães. Ambas interpretações não são antagônicas, mas o episódio narrado acima sugere no mínimo uma má vontade política em prover a FEB de capelães; no limite, a intenção de procrastinar – ou evitar – ao máximo sua reincorporação ao Exército.

Independentemente ou não deste episódio ter supostamente ter ocorrido, de fato, dois dias depois o presidente Vargas assinou o Decreto-Lei nº 6.535, de 26 de maio de 1944, recriando o Serviço de Assistência Religiosa nas Forças Armadas (SARFA) destinado a compor os efetivos da FEB. Em função disso foram tomadas providências, junto a Igreja Católica, para o recrutamento de 25 capelães, todos voluntários. Posteriormente, quando inclusive já havia zarpado para a Itália o 1º Escalão de tropas da FEB foram acrescentados dois pastores protestantes, um da Igreja Batista e outro da Evangélica, também incorporados voluntariamente.

A recriação do corpo de capelães para a FEB coloca várias questões intrigantes, relativas às devoções pessoais e as correspondentes atitudes de indivíduos diante da possibilidade ou iminência da própria morte. A primeira diz respeito a proporção de capelães de diferentes confissões na FEB, em comparação aos dados disponíveis sobre a filiação da população a cada uma delas. Retomaremos essa questão ao tratar da representatividade, suposta ou real, da FEB em relação a população brasileira. A segunda diz respeito a intensidade da atuação desses religiosos junto a tropa, bem como suas implicações.

Teria havido demanda pelos serviços religiosos, ou ainda, apoio à sua prestação, por parte de membros de uma força armada notoriamente desligada das questões religiosas desde a promulgação da primeira constituição republicana? E, nesse caso, teria a atuação dos capelães contribuído para fomentar as devoções cristãs entre os combatentes da FEB?

Responder a qualquer das questões de forma conclusiva demandaria extensas pesquisas, para as quais, talvez, não se encontre mais as fontes necessárias. O que se sabe é que existem evidências que nos permitem responder de forma afirmativa a ambas  as indagações. Tais vestígios são esparsos, pontuais, geralmente obtidos em livros de memórias, biografias e escritos legados pelas altas autoridades da FEB. Comecemos por estes últimos.

No Boletim Interno no. 64 de 5 de março de 1945 o comandante da FEB fez as seguintes referências elogiosas a atuação do Serviço Religioso:

“Eficiente tem sido a atuação do serviço religioso… Acompanhando com desvelo a vida do soldado, fortalecendo-lhe a convicção na dignificante missão que veio executar tão longe da pátria, confortando-o nos momentos de crise com a palavra de amigo ou com os sacramentos da Igreja, esses pastores da alma tem grandemente auxiliado a ação de comando… Alentando os feridos na frente de combate ou nos hospitais, aplicando-lhes os socorros espirituais tão necessários, esses missionários da paz muito tem feito pelo bom êxito da FEB na guerra.”

Estas breves considerações tem sido confirmadas em outras obras, sejam de memórias, sejam biografias, tanto de religiosos como de autoridades ou combatentes comuns. Ou seja, existem evidências de que havia vasta demanda pelos serviços religiosos entre os militares da FEB. Missas eram rezadas diariamente, se assim a situação militar o permitisse. Os padres e pastores se esforçaram por estar junto aos feridos e moribundos, tanto na linha de frente quanto nos hospitais à retaguarda. Inversamente, é importante notar, não se conhece exemplos de veteranos da FEB que tenham criticado, dispensado ou entendido como desnecessária ou irrelevante a atuação dos capelães.

A segunda questão já é mais complexa. Por um lado existem indícios de que a atuação dos capelães teria, de fato, contribuído para fomentar as devoções cristãs. Por exemplo, o caso do padre Jacob Schneider, que montou um fichário para listar os membros do 1º. Batalhão do 1º. RI que ainda não tivessem praticado a primeira comunhão.  Ou o reverendo Sören que organizou com praças da FEB o primeiro coro militar evangélico da história do Brasil, o qual contava inicialmente com 40 vozes, mas que logo atingiu o efetivo de 70 militares.

Contudo, por outro lado, não se pode deixar de reconhecer que o simples fato dos militares da FEB se encontrarem em um dos teatros de operações da mais letal e mortífera guerra que a Humanidade já conheceu, deveria, muito provavelmente, estimular a adesão, ou intensificação da adesão, às devoções religiosas. A proximidade ou iminência da morte tem, por si só, o efeito de levar os indivíduos a reforçarem – ou criarem – laços mais estreitos e intensos com o além e a vida religiosa, dada a alta probabilidade de virem a serem mortos ou feridos.

Além deste auxílio espiritual junto aos vivos, os capelães também se fizeram presentes no interior mesmo do Cemitério Militar de Pistoia. Ao baixar a sepultura os corpos dos brasileiros mortos invariavelmente se faziam acompanhar das orações proferidas por um capelão. É significativo que no formulário individual empregado pelo PS conste um campo para indicar a religião seguida pelo morto, a fim de providenciar o rito fúnebre correspondente.

Em que pese a precariedade das fontes disponíveis a conclusão a que se pode chegar é que a presença de capelães militares entre os efetivos da FEB teve, muito provavelmente, o efeito de estimular as devoções. Particularmente entre os militares mais expostos aos perigos da linha de frente, e muito especialmente entre aqueles que convalesciam ou agonizavam nos hospitais, a ação dos capelães levou a intensificação ou adesão às práticas religiosas por parte dos militares da FEB.

Diante deste panorama, nos detemos agora com a questão das devoções individuais que nos revelam as atitudes e representações diante da morte naquele contexto histórico específico.

Estes estudos para o Brasil contemporâneo são particularmente escassos. Uma das principais causas desse fenômeno se deve ao fato de que, no que se refere a esse período, as fontes disponíveis são muito mais raras e esparsas. Por outro lado, pode-se achar fontes e referências numerosas para se entender as atitudes e representações diante da morte em manifestações oficiais e monumentos públicos.

As atitudes individuais contam com muito menos fontes ou, no limite, inexistem. De fato, em se tratando de acessar as providências que tomam os indivíduos diante da possibilidade de morrerem, o período anterior à República oferece fontes muito mais ricas e diversificadas do que aqueles que se seguem. É compreensível que os mais relevantes, consistentes e fundamentados estudos sobre as atitudes diante da morte no Brasil sejam aqueles dedicados aos períodos colonial e imperial.

Nossa tentativa é de que a partir desta amostra, ou seja, dos mortos durante a Segunda Guerra Mundial, indicar uma possibilidade de análise do tema tomando como fonte os relatórios individuais gerados pelo Pelotão de Sepultamento.

Na organização da FEB, a ideia do que fazer com os possíveis mortos no conflito não foi levada em consideração no início. Constatamos isso ao perceber que o Pelotão de Sepultamento foi criado somente em 4 de julho de 1944, dois dias depois do primeiro escalão da FEB ter zarpado do Rio de Janeiro, levando cerca de cinco mil homens para a Itália. O fato do PS não ter seguido de imediato com o primeiro escalão colocou como problema para aquelas tropas a remoção, identificação e enterramento dos mortos em combate nessa primeira fase da Campanha da Itália.

Desde sua origem o PS esteve subordinado ao Serviço de Intendência, primeiro agregado a Companhia de Intendência e, em seguida, ao Depósito de Intendência da FEB. Tal era a prática organizacional adotada pelo Exército Americano e que coube à FEB emular. Aqui é importante notar outras peculiaridades da organização militar então adotada. Cabia ao Serviço de Intendência o abastecimento das tropas de todos gêneros alimentícios, munição, peças de reposição, etc. Havia, contudo, uma exceção importante: o abastecimento de água da tropa era incumbência da arma da Engenharia, e não do Serviço de Intendência.

O PS só foi conseguir chegar à Itália em 9 de outubro daquele ano. As tropas brasileiras estavam em combate desde 15 de setembro, de forma que foi necessário formar um PS na Itália. Esse primeiro PS foi treinado pelos norte-americanos, oferecendo estágios aos brasileiros nos cemitérios militares e postos de coleta do Exército dos EUA.  O PS original não foi substituído por aquele criado no Brasil, mas fundido a ele. Os recém-chegados foram incorporados como recompletamentos ao PS original.

Cabia ao pelotão o preenchimento do relatório individual de cada morto. Nesta documentação, constam diversos elementos que nos permitem analisar algumas características referentes aos caídos em combate. Neste momento, destacamos os objetos encontrados nos corpos identificados pelo trabalho do Pelotão.

Sobre estas fontes geradas pelo Pelotão de Sepultamento, duas críticas devem ser feitas. A primeira questão é relacionada a integridade do corpo do morto e seus pertences dizem respeito ao tempo decorrido desde a morte até o sepultamento, por um lado e, por outro, a natureza das causas da morte.

Pode se assumir como óbvio que quanto menor for o tempo decorrido desde a morte do indivíduo e o seu sepultamento, maior será a probabilidade de se resgatar, identificar e preservar em bom estado o conjunto dos pertences legados. Inversamente, quanto maior for o tempo passado entre a morte do sujeito e o seu sepultamento, tanto menores serão tais possibilidades.

A forma pela qual o indivíduo morreu também é determinante no grau de sucesso da tarefa dos membros do PS em descrever de forma acurada os pertences encontrados com o morto. Parece claro que os corpos – e o objetos pessoais – de  indivíduos que morreram em combate na linha de frente podem ter passado por extensos processos de fragmentação, degradação e dispersão de seus fragmentos. Deve-se ter em conta que o maior número de baixas – tanto de mortos quanto de feridos – brasileiros na Campanha da Itália decorreu entre aqueles que foram atingidos por estilhaços. A razão para tão alta letalidade destes projéteis é explicável. Trata-se de fragmentos de metal de tamanho variado, arremessados instantaneamente em todas as direções pela explosão de granadas. A própria explosão da granada no impacto com o solo gerava mais e mais estilhaços, aumentando a probabilidade dos homens expostos sobre o solo serem atingidos em qualquer uma das suas partes.

As granadas podiam ser disparadas tanto por canhões pesados ocultos na retaguarda inimiga, quanto pelos morteiros operados pela infantaria na imediata linha de frente. É importante lembrar que não apenas durante a fase de atuação da FEB, como também em toda Campanha da Itália durante a Segunda Guerra Mundial, foram os morteiros os responsáveis pelo maior número de baixas em ambos os lados em luta. As razões são simples de entender. Por dispararem suas granadas em uma trajetória acentuadamente curva (“parabólica”) são capazes de atingir tanto o inimigo oculto atrás dos morros que ocupa, quanto dentro de suas trincheiras e outros abrigos abertos no solo. Desta forma seus projéteis alcançam homens que, inclusive, se encontram protegidos contra projéteis que tem uma trajetória paralela ao do solo.

Para além dos estilhaços de granadas de canhão ou morteiro, na vizinhança imediata da explosão se verificava a súbita e insuportável compressão do ar, capaz de provocar extensos danos aos órgãos internos dos indivíduos, favorecendo seu esfacelamento. A explosão de minas explosivas terrestres, ocultas no solo, ou de armadilhas explosivas plantadas nos bosques, edificações, etc. também podiam provocar efeitos similares sobre os cadáveres de suas vítimas. Também o impacto das balas de metralhadora que podiam desfigurar, desmembrar, mutilar partes extensas do corpo dos soldados expostos ao combate na linha de frente.

Tais são as principais razões pelas quais os corpos encontrados pelo PS na linha de frente tinham muito menor probabilidade de estarem preservados do que os corpos dos mortos na retaguarda. Cabe mencionar um fator secundário, mas importante, da maior probabilidade dos corpos encontrados na linha de frente: a ação humana, tanto de inimigos quanto de civis.

Até que finalmente fossem encontrados pelos membros do PS tais corpos podem ter sido revistados, saqueados ou – como afirmam algumas poucas fontes, minados pelos alemães. Civis italianos, tanto moradores das regiões onde ocorreram os combates, quanto refugiados (“sffolatti”) de passagem podem ter também saqueado os corpos de brasileiros mortos. Finalmente, o fato mesmo do corpo de um combatente brasileiro ter caído na linha de frente praticamente garantia que o mesmo não poderia ser recuperado imediatamente. Pior ainda, no caso de terreno que foi abandonado em poder do inimigo, muito tempo pode ter decorrido até que os membros do PS pudessem ter acesso aos corpos ali caídos. Já os corpos dos mortos na retaguarda podiam ser – como em alguns casos foram – enterrados no Cemitério Militar de Pistóia no mesmo dia em que morreram.

Ainda sobre a crítica destas fontes, existem considerações referentes as atitude e procedimentos de indivíduos que atuaram no Pelotão de Sepultamento e seu grau de comprometimento com as tarefas que lhes cabiam executar. E aqui reside uma pergunta crucial para o destino de toda pesquisa histórica que, neste caso, cabe formular assim: cumpriam os membros do PS seu compromisso com a descrição acurada, precisa e honesta dos bens e valores encontrados nos corpos que recuperavam?

Partir do pressuposto de que essas fontes são merecedoras de crédito implica em responder tal pergunta afirmativamente. Não se trata aqui de tomar tais fontes com “reflexo” fiel da realidade histórica, mas perceber as fortes motivações – positivas e negativas – que tinham os membros do PS para (na medida permitida pelas circunstâncias) executarem suas tarefas a contento, profissionalmente, responsavelmente.

As motivações positivas para o bom desempenho das funções dos membros do PS dizem respeito ao papel que assumiram: o de tornar possível para os entes ligados aos mortos tanto os procedimentos legais quanto espirituais decorrentes do falecimento de um combatente. De seu desempenho em recuperar, identificar e resgatar os corpos dos brasileiros mortos dependia a comunicação da morte aos parentes, o pagamento de pensões à viúvas, e o envio dos pertences do morto à família, única última – e frequentemente premeditada – ligação dos mortos com o mundo dos vivos. Não se tratam de tarefas que possam ser facilmente negligenciadas, a não ser por parte de indivíduos distantes ou mesmo completamente desligados dos valores morais vigentes à época, os quais também eram insistentemente apregoados pelas instituições religiosas e militares, para não mencionar a sociedade brasileira mais ampla.

Cabe destacar que a demora, negligência ou mesmo a impossibilidade em se recuperar e identificar os cadáveres seria causa de angústia entre os entes queridos dos falecidos, sempre inclinados a pensar no pior na ausência de notícias por muito tempo. Seus dependentes seriam reduzidos à pobreza, se não pudessem obter através da comprovação da morte em combate de seu provedor, os benefícios financeiros da pensão concedida pelo Governo Brasileiro. Nesse cenário, somente indivíduos marginalizados dos valores morais compartilhados por amplas camadas da sociedade brasileira na época, no limite, párias diante de seus semelhantes na comunidade da qual se originaram, deixariam de encarar com seriedade suas atribuições.

Havia, porém, um imperativo moral ainda mais forte para motivar a ação eficiente dos membros do PS em suas tarefas: a responsabilidade que lhes cabia de serem os portadores da última comunicação, da última vontade ou manifestação dos mortos aos seus entes queridos. Os membros do PS certamente sabiam que, independentemente de raros ou banais, caros ou baratos, pessoais ou indistinguíveis, os objetos, valores ou documentos encontrados com o morto seriam sempre encarados pelas famílias como de incalculável valor afetivo. Para além da afeição, seriam também os últimos objetos terrenos que o morto destinaria aos vivos, o que o que os ligava de forma inequívoca a ocorrência de toda sorte de reações psicológicas e sensoriais. Negar essas possibilidades aos parentes vivos não poderia ser encarada de outra forma que não o exercício de uma crueldade e grave infração ética.

É o que se percebe através do exame do relatório que o comandante do PS, 1º. Tenente Lafayette Varga Moreira Brasiliano apresentou em 2/02/1945. Logo de saída, em seu preâmbulo lê-se:

“A guerra moderna em sua complexidade sentiu a necessidade de criação de um serviço de sepultamento, que viesse de modo conveniente atender a esta parte do seu desenrolar, evitando os lamentáveis casos ocorridos nas guerras passadas, de verdadeiras hecatombes de epidemias mortíferas, ocasionadas, em geral, pela displicência com que eram tratados os mortos, permanecendo na maioria das vezes insepultos e, não havendo preocupação com registros e outros documentos indispensáveis à perfeita identificação dos mesmos, assim como cuidado e o carinho que deve existir pelos objetos pessoais deixados por eles, porque estes são o maior conforto moral que uma mãe, esposa, irmã ou noiva pode ter ao receber essas relíquias que pertenceram àqueles que souberam com desprendimento de espírito e com honra, sacrificar o que há de mais precioso, que é a própria vida, em holocausto à causa sagrada da Pátria”.

Para além dos imperativos morais e éticos a regerem a ação dos membros do PS havia, claro, a coerção institucional, manifesta tanto nas sanções administrativas e penais a transgressões ao regulamento, quanto no estímulo ao bom comportamento como pré-requisito a uma bem-sucedida carreira militar. O interesse do comando da FEB no êxito das ações do PS não se prendia apenas a realização de ações do interesse dos entes queridos dos falecidos, nos termos já comentados. A rápida e bem sucedida remoção dos corpos da área de trânsito e combate da FEB era também um imperativo de ordem moral. É sabido que a visão dos corpos dos companheiros caídos, decompondo-se à vista (e ao olfato) de todos é deletéria para a vontade de combater das tropas. Daí os cuidados que o comando da FEB dedicou a oferecer meios de consecução das tarefas do PS.

Isso não resolve, obviamente, o problema fundamental de estabelecer o grau de honestidade e seriedade dos membros do PS no exercício de suas funções. Mesmo uma rápida e eficaz remoção de cadáver não impede os responsáveis pelo serviço de se apropriarem dos bens e valores encontrados em poder dos mortos. Afinal de contas, trata-se de bens portáteis, facilmente ocultáveis para serem oportunamente desviados. Se isso aconteceu frequentemente, ou mesmo como regra, toda base empírica aqui analisada seria de escassa utilidade. Contudo, existem razões para se acreditar que tal não aconteceu.

Cabe examinar os fatores que negativa e positivamente contribuíram para a lisura dos trabalhos dos membros do PS. Já foram citadas as objeções de ordem moral e ética à subtração de bens encontrados nos corpos dos brasileiros mortos no Teatro de Operações na Campanha da Itália. Cabe agregar a estas as restrições de ordem legal. Nos termos do Código Penal Militar tanto o roubo, quanto o furto e a apropriação indébita são tipificados como crimes, incorrendo seus autores em penas de prisão respectivamente de, no mínimo, quatro anos no primeiro caso e até seis anos, no máximo, no demais. Também a violação de correspondência é tipificada como crime, e nele poderiam ter incorrido os membros do PS, dada a recorrência com que eram encontradas cartas, postais e outras correspondências nos cadáveres dos mortos na guerra. Nesse último caso, a pena prevista era de até seis meses de prisão. Finalmente, cabe lembrar que também a lei civil criminaliza a violação do cadáver, prevendo o Código Penal de 1940 sentenças de um a três anos e multas para os que a praticassem.

Consultando os registros da Justiça Militar Brasileira na Campanha da Itália não constatamos o envolvimento de nenhum dos membros do PS em quaisquer dos crimes citados. Aliás, não consta que nenhum dos seus integrantes tenham sido levados às cortes militares por terem cometido quaisquer crimes, de qualquer tipo ou gênero. Desse ponto de vista, não há como deixar de reconhecer que o OS era uma unidade, do ponto de vista disciplinar, impecável. É difícil imaginar que, se houvesse existido a prática – seja eventual, seja frequente – de desvio de valores e bens dos mortos da FEB por parte dos membros do PS ela não tivesse sido jamais descoberta ou denunciada.

Para encerrar essa parte cabe colocar outra hipótese que pesaria contra a lisura e o profissionalismo dos integrantes do PS: a de que elementos estranhos ao serviço a ele fossem incorporados como “castigo”. É um fato estabelecido a ligação do serviço militar no Brasil com o papel de instituição correcional ou mesmo prisional, conforme já comentado. Na FEB essa dimensão foi – em certa medida – preservada, transmutando-se no uso da transferência de indivíduos de comportamento desviante ou condenável para tarefas mais penosas do que aquelas que exerciam. Destas, a mais temida era, obviamente, a transferência das cômodas, lucrativas e seguras atividades de retaguarda para o serviço na linha de frente dos combates. À luz disso, pode-se descartar também esse fator como possível “porta-de-entrada” de elementos de perfil criminoso ou delituoso no PS, na medida em que inexistem menções ao fato. Com efeito, só se encontram disponíveis descrições de tais punições que tratam da incorporação de elementos sob punição exclusivamente para serviço na linha de frente.

Que necessidade teriam eles de roubar valores ou bens dos mortos quando não só todas suas necessidades básicas eram satisfeitas pela logística do V Exército Americano, como também recebiam na qualidade de militares brasileiros os mais altos salários pagos naquele Teatro de Operações? Pode-se entender a eventual profanação dos cadáveres dos brasileiros por parte dos militares alemães ou dos civis italianos. Ambos os grupos passavam por privações de todo tipo e, portanto, inclinados a saquear bens e valores encontrados nos mortos. No caso dos alemães, haveria ainda o natural desprezo pela condição dos mortos brasileiros: inimigos, aos quais não se devia, na prática, qualquer respeito.

Nenhum dos militares brasileiros em ação na Itália – incluindo aí obviamente os membros do PS – jamais foi submetido a carências materiais de qualquer tipo que os levassem (por hipótese) a se apropriarem dos bens e valores de companheiros mortos. Todas necessidades relativas a alimentação, agasalho, diversão, calçado, transporte, cigarros, etc. eram abundantemente supridas pela logística norte-americana.

Muito pelo contrário, contavam os brasileiros com tamanha abundância de bens que se permitiam negociar com ou doar aos civis italianos suas mercadorias excedentes. É um fato estabelecido que mesmo o mais modesto do soldados era perfeitamente capaz de dispor na maior parte do tempo de bens de consumo de todo tipo para barganhar ou, caridosamente, dar de graça a civis italianos. Não havia, absolutamente, motivações relacionadas à privação material que levassem os membros do PS a tomar para si o que encontrassem com os mortos. Os substanciais valores em dinheiro de diversas procedências entregues pelos membros do PS para serem remetidos aos seus entes no Brasil não deixa margem à dúvida nesse aspecto.

Nosso problema maior seria o caráter sintético e lacunar das informações sobre os objetos encontrados com os mortos. Os objetos encontrados com os mortos são listados, mas não descritos. Em que pese a diversidade de objetos encontrados com os mortos, os RI se atém a lista-los de forma a mais simples e direta possível.

O maior problema com que se defronta o pesquisador diz respeito à diversidade dos objetos. Um primeiro conjunto de objetos, os quais apareciam com maior recorrência, mereceram ser identificados e contados. Dentre estes se incluem, em ordem de importância: dinheiro (com a especificação das quantias e origem do papel moeda), fotos, medalhas religiosas, cartas, estampas de santos, cartão de identificação, crucifixos, orações, quadros religiosos, rosários, imagens santas, relíquias religiosas, bíblias, etc.

Um segundo conjunto de objetos diz respeito àqueles encontrados com pouca frequência, ou mesmo apenas uma única vez, com os mortos. Aqui tem-se uma diversidade de objetos tanto de uso diário quanto de caráter religioso, a qual é difícil se estabelecer uma frequência de aparecimento de caráter estatístico. Nesse caso, os objetos encontrados pelo PS foram colocados numa categoria a parte (“outros”).

Finalmente, um outro ponto se refere ao elevado número de corpos com os quais nada foi encontrado. Aqui é fundamental se estabelecer uma diferença entre os casos em que isso decorreu da vontade do indivíduo daqueles em que o fato decorreu das circunstâncias nas quais o corpo foi encontrado. Em se tratando de corpos encontrados e sepultados com relativa brevidade, em especial no que diz respeito a indivíduos exercendo atividades na retaguarda, pode-se assumir que o fato derivou de uma opção do falecido. Já o mesmo não se pode afirmar com relação a corpos recuperados e sepultados muito tempo após a morte. Aqui é mais cabível se presumir que o fato de nada ter sido encontrado se deve à perda, saque ou extravio dos bens do morto no tempo decorrido entre o falecimento e o achado do cadáver.

A classificação preliminar dos objetos encontrados nos forneceu esta tabela:

 

Objeto Ocorrências mais frequentes
Chapa de identificação

Objetos diversos

Nada

Dinheiro

Fotografias

Medalhas religiosas

Correspondência

Carteira

Estampas de Santos

Cartão de Identificação

Crucifixos

Orações

Quadros Religiosos

Anel

Manual de Orações

Relógio

Recibo Banco do Brasil

Rosários

Corrente

Registro de Vacina

Caneta

Canivete

Imagens Religiosas

Telegrama

Reliquias Religiosas

 

333

187

175

144

116

84

59

51

47

43

34

32

31

30

27

27

24

23

21

20

19

15

11

10

9

A porcentagem de indivíduos que continham objetos de uso religioso é de 32,17%. Em praticamente um terço dos cadáveres foram encontrados artefatos ou impressos relacionados a diferentes devoções, praticamente todos de origem cristã. O fato parece indicar, por si só, um acentuado distanciamento do apego às devoções – mesmo num contexto de permanente e extremo risco de vida – por parte dos componentes desse grupo social tão peculiar, mas ao mesmo tempo tão significativo para se entender a sociedade na qual foram formados.

Parece claro que os componentes da FEB viviam num período histórico em que a laicização das práticas e das representações associadas aos ritos funerários já estava bem adiantada. No caso dos militares brasileiros esse processo estava muito mais próximo da concretização do que no resto da sociedade, mesmo à luz de alguns desenvolvimentos que parecem contradizer essa tendência mais geral, como é a própria reinstituição do corpo de capelães que seguiu com a FEB.

O período a que se refere essa pesquisa está historicamente, muito longe dos tempos em que os brasileiros levavam à frente das suas tropas em combate imagens de santos que os protegessem dos perigos do campo de batalha e atemorizassem seus inimigos. Tal aconteceu na prolongada campanha das tropas do Império Português contra a ocupação holandesa no Brasil do século XVII.

Porém, historicamente, os indivíduos aqui examinados já estavam bastante próximos da época em que rezava-se missas antes das batalhas e jurava-se fidelidade ao imperador com a mão direita sobre a bíblia. Essa foi a prática institucional até o fim do Império, distante escassos 56 anos do momento em que acabou a Segunda Guerra Mundial. Contudo, e pensando em termos teleológicos, os brasileiros que lutaram na Segunda Guerra Mundial estão muito mais próximos dos anos 1970, quando se nota pela primeira vez e de forma inequívoca, a interdição das atitudes diante da morte e da invisibilidade do luto. Apenas um quarto de século separa os combatentes da FEB deste contexto que para nós é tão contemporâneo.

A época em que viveram os membros da FEB é marcada por sucessivas revoluções urbanas, industriais, científicas e tecnológicas. Todas essas amplas, importantes e, por vezes, radicais transformações agiram no sentido do enfraquecimento dos dogmas religiosos, do reforço da crença no poder da ciência e na geral laicização de todos ritos e monumentos públicos.

No caso dos membros da FEB essas tendências devem ter sido sentidas de maneira a mais intensa que se possa, a princípio, conceber. A razão é fácil de se perceber: foram incorporados à um dos exércitos mantidos na linha de frente da Segunda Guerra Mundial pela maior super-potência econômica, industrial e científica que o mundo já havia conhecido – os EUA.

As demonstrações da superioridade material, organizacional, cultural, etc. da civilização norte-americana, e seu profundo efeito sobre os brasileiros, são bem conhecidas. Nenhum dos ex-combatentes que escreveu a respeito deixou de descrever da forma a mais intensa e explícita possível sua admiração, por vezes até assombro, diante da materialidade do caráter superior da civilização construída nos EUA. Quaisquer indivíduos que alimentassem simpatias ou veleidades sobre o fascismo ou nazismo como modelos de organização social e política, tão importantes entre alguns militares brasileiros dos anos 1930, mudaram completamente de idéia diante da inequívoca e ampla demonstração da superioridade da sociedade norte-americana. Inversamente, não se conhecem escritos legados pelos ex-combatentes que enfatizassem o papel das crenças religiosas como elemento relevante para o sucesso de quaisquer das operações da FEB.

A Segunda Guerra Mundial foi um choque armado no qual questões como o  nível de  produtividade industrial, o grau de desenvolvimento científico e tecnológico e a adequada organização dos recursos  nacionais foram os fatores decisivos. Nada disso estava disponível no Brasil dos anos 1940, ainda mais se tratando de cumprir com o compromisso de participar de uma guerra na Europa contra a Alemanha Nazista.

É possível afirmar que na guerra travada pelos brasileiros nos Montes Apeninos na Itália ao final da Segunda Guerra Mundial a importância do poder material foi demasiado evidente para poder passar desapercebida ou ser minimizada por qualquer um vivendo naquela época. A todos envolvidos era óbvio que, embora as habilidades militares e a motivação para combater fossem importantes, a vitória viria como decorrência da superioridade material dos Aliados contra o Eixo.

As aparentemente infinitas disponibilidades materiais da logística norte-americana ajudariam os brasileiros a prevalecer diante dos defensores alemães, respeitados como combatentes, mas padecendo de graves privações materiais e humanas. No caso dos membros da FEB, se acontecesse de serem atingidos em combate os brasileiros sabiam que podiam contar com a remoção pelos padioleiros até uma ambulância, que os levaria até um hospital, no qual suas chances de sobreviver e se recuperar seriam maximizadas numa escala sem precedentes. E, se acontecesse o pior, igualmente sabiam os brasileiros que seus companheiros – e, novamente,  a Intendência – providenciariam para que ele  tivesse um enterro decente.

O que se está sugerindo aqui é que a crença no poder material, na capacidade de construção e destruição possibilitada pela logística que o exército norte-americano fornecia à FEB, teria deslocado o papel que noutros tempos teria sido desempenhado pelas crenças religiosas. Longe estavam os tempos nos quais a fé na verdadeira crença traria a desejada vitória. Agora se os brasileiros venciam e (sobre) viviam era devido ao fato de responderem aos alemães com dez tiros para cada um que fosse disparado por eles. Era porque tinham roupas, calçados e luvas apropriados ao clima. Era porque tinham uma dieta hiper-calórica. E assim indefinidamente. Era um cenário no qual as crenças no além não tinham muito a oferecer, exceto no caso de morte.

A partir destes dados, percebemos que a dimensão religiosa interfere neste universo temporal-espacial do sujeito, longe de casa em outro país, em um período em que a morte estava presente em cada ação de combate. Desta forma, o imaginário devocional de cada soldado também é revelado, com a presença em seu cadáver de objetos de cunho religioso que teriam a função de proteger e demonstrar sua crença. Tais elementos configuram aspectos destas atitudes diante da morte no Brasil contemporâneo reveladas por estas fontes.

 

            REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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[1] Doutoranda em História da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Texto originalmente publicado na Revista Brasileira de História Militar.

 


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1 comentário

  1. isalete leal /

    Parabéns pela postagem. Realmente foi de grande importância a participação dos capelães na FEB. Meu pai sempre fala do capelão D. Francisco que ajudou a ele e seus companheiros que precisava de ajuda espiritual.

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