“Der Deutschen Rio Zeitung” Jornal Alemão do Rio

O nome do periódico é “Der Deutschen Rio Zeitung”, literalmente Jornal Alemão do Rio. “Suplementos agrícolas. Cultivo de vegetais em grande ou pequena escala”. 13 de Novembro de 1940. Edição 26.

O nome do periódico é ''Der Deutschen Rio Zeitung'' (Jornal alemão  do Rio)  "Suplementos agricolas. Cultivo de vegetais em grande ou  pequena escala"  Coleção Particular: Derek Destito Vertino

Este periódico faz parte da minha pequena coleção. Apesar de não ter nenhum cunho político, é uma rara edição das publicações editadas no idioma alemão aqui no Brasil. O turbulento período do Estado Novo de Getúlio Vargas acionou um grupo de medidas, conhecido como Campanha de Nacionalização, em que quase toda a atividade de imprensa de origem alemã, italiana e japonesa foi encerrada.

 

Outras publicações alemãs no Brasil, mas de cunho político: Blumenauer Zeitung (Jornal de Blumenau), Urwaldsbote (Correio da Mata), Volk und Heimat (Povo e Pátria) e Deutscher Morgen (Aurora Alemã).

Primeira edição do Jornal Deutscher Morgen (Aurora Alemã). São Paulo. Sociedade Nacional Socialista Allemã. Fonte: DIETRICH, 2007, p.292Segunda edição do Jornal Deutscher Morgen (Aurora Alemã). São Paulo. Sociedade Nacional Socialista Allemã. Fonte: DIETRICH, 2007, p.294

Segundo Dennison de Oliveira, o distanciamento das comunidades alemãs com os centros urbanos, fez com que o Estado Brasileiro omitisse durante gerações o dever de ofertar serviços básicos como: escolas, hospitais, instituições culturais e de lazer. Em conseqüência disso, os colonos alemães financiaram com seu próprio capital, instituições criadas por alemães para atender exclusivamente alemães:

Entre 1850 e 1930, o número de escolas mantidas pelas comunidades de origem alemã cresceu continuamente. No Rio Grande do Sul, por exemplo, elas passaram de 24 para 937 estabelecimentos de ensino. Em Santa Catarina não foi diferente. O caso de Blumenau é típico dessa tendência. Em 1928, das 200 escolas daquele município, nada menos de 132 eram alemãs.

Anúncios no jornal Deutschen Morgen. Sociedade Nacional Socialista Allemã. Fonte: DIETRICH, 2007, p.300

Com tamanha população sendo alfabetizada exclusivamente em alemão, é natural que a imprensa publicada naquela língua tenha conhecido um crescimento igualmente expressivo. Dentre os vários jornais que eram impressos em alemão no Brasil desde o século XIX, destacava-se a Deutsche Zeitung (Jornal Alemão). Sua tiragem passou de cerca de 4 mil exemplares em 1882 para 55 mil em 1928.

Homens posam para fotografia ao ler Aurora Alemã. Presidente  Bernardes (SP). Fonte: Dietrich, 2007, p. 305

Estima-se que, por volta de 1940, a ampla maioria dos membros da colônia alemã (70%) dispensava o uso do português em suas vidas públicas e privada. Isso significa que existiam 640 mil indivíduos que, mesmo tendo nascido no Brasil, falavam apenas o alemão (OLIVEIRA, 2008, p. 17-18).

Membros da ''Seção de Assalto'' do partido nazista no Brasil  durante  desfile de Primeiro de Maio no Estádio do Renner, em Porto  Alegre (RS) Fonte: (Oliveira, 2008, p.21)

A imigração alemã no século XIX, inicialmente era vista como uma vantagem para o desenvolvimento do Brasil na indústria e agricultura. Getúlio Vargas sempre tentou demonstrar neutralidade e adiar o máximo possível seu alinhamento e prover vantagem de ambos os lados no período pré-Segunda Guerra Mundial.

Referências Bibliográficas:
DIETRICH, Ana Maria. Caça às suásticas: o Partido Nazista em São Paulo sob a mira da Polícia Política. São Paulo: Associação Editorial Humanitas: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, FAPESP, 2007. 388 p.
OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008. 158 p.
Colaborador: Derek Destito Vertino
Licenciado em História
Cursando Especialização em História Militar

derekdestito@hotmail.com

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6 comentários

  1. Muito interessante, gostei desse artigo!

  2. Ricardo Bieri /

    Sou natural de São Leopoldo (RS), lembro que minha vó me contava que até por volta de 1942 (ano da declaração de Guerra ao “Eixo”), a maioria das pessoas na cidade falavam quase que exclusivamente o alemão.

  3. maria elisa pereira /

    Prezado Derek

    Enquanto durou o pacto entre Stalin e Hitler, os comunistas do mundo todo, e os do Brasil também, faziam muitas vezes vistas grossas ao nazismo. Em alguns casos, houve colaboração mútua nos jornais de orientação germânica e nos de inspiração comunista.

    Em agosto de 1942 alguns jornais do Rio de Janeiro que ainda não haviam se posicionado claramente a favor dos Aliados foram invadidos pela população. Veja aí nos Arquivos do Rio de Janeiro as notícias desses eventos. Tudo o que sei sobre o assunto vem dos romances de Marques Rebelo (da trilogia “O espelho partido”, o volume “A guerra está entre nós”, 1942-1945), que seguem o estilo de um diário sobre os acontecimentos daqueles anos visto pela perspectiva de um artista e de seus colegas.

  4. gostaria de comnhecer mas do jornal me entereço abraços

  5. Heinrich Leonhard Friedrich Weiaa /

    Prezados Srs.!

    Gostarian de saber quanto sai a assinatura do jornal,se há emissão semanal e se é possivel enviar para Porto União S.C.

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