Castello das pedras

Monte Castelo, Itália, 2012…

Tardes que passam. Tardes que não voltam. O pôr do sol que deixou lembrança ou que não chegou a ser totalmente contemplado. Dias nunca iguais, mas sempre metódicos em seu pôr do sol rigorosamente repetitivo ao anunciar seu fim.

Poderia o sol levar essa vontade de estar lá e não estar aqui? Poderia ele fazer esse momento ser diferente? Caso pudesse, eu não quereria.

Sinto o vento frio tocar minha pele no silêncio que agora ornamenta aquele campo por onde a Morte caminhou ceifando sonhos e vidas de homens comuns. Quantas mortes!

Todas solitárias e tristes, isso é verdade, mas a morte é assim, silêncio eterno, silenciosa e triste.

Ali, olhando para o horizonte, só as pedras em seu estado sólido, mas em constante e lenta transformação, sabem a verdade. Já ouviram rajadas de metralhas, tiros secos de fuzis, gritos de dor, gemidos sufocados por explosões e os nomes das mães pronunciados uma última vez antes da partida…

O sol se foi, mas voltou no dia seguinte. Já as Valquírias não trouxeram de volta aqueles que fecharam os olhos em um sono sem fim. As pedras ficaram. Pisadas por coturnos que já não existem mais, agora elas são testemunhas desse tempo de dor.

O vento frio toca meu rosto uma última vez. Olho o Monte à minha frente e parece que a qualquer momento dele descerá um jovem alegre me acenando e perguntando como anda nosso Brasil. Ilusão. Só vejo as pedras. Entro no carro e subo os vidros.

Uma tarde que passa, que não volta, um pôr do sol que deixa lembrança, que talvez não tenha sido totalmente contemplado… Monte Castello fica para trás, no retrovisor, na memória…

Curitiba, Paraná, 11 de abril de 2013

Helton Costa do Helton Costa Word Press


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2 comentários

  1. Já estão enchendo a área de paióis, celeiros e outras construções novas.

    Será que a embaixada do Brasil não poderia tomar providências para a preservação da área?

    Foi isso que os EUA fizeram com Omaha Beach.

  2. Paulo Paiva /

    O governo petista nunca fará nada louvando a FEB. A corja esquerdista deseja apagar tudo de nobre que lembre as Forças Armadas. Deus salve nosso país!

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