Bibliografia da FEB – A Guerra contra o Esquecimento (1945-2011)

Neste vídeo procuramos listar cronologicamente toda a Bibliografia da Força Expedicionária Brasileira (FEB), desde 1945 à 2011. Pedimos desculpas caso haja alguma obra não listada neste exaustivo trabalho de pesquisa. A FEB foi o primeiro exército do país a lutar fora do continente americano em um conflito armado. Partiram para combater o exército nazi-fascista na Itália em julho de 1944, retornando em julho do ano seguinte durante a Segunda Guerra Mundial (Silva,2011).

Fizemos uso das raríssimas canções da FEB, entre elas algumas em alusão a um personagem fictício muito utilizado nas composições do período da guerra. Trata-se de Laurindo. De 1943 á 1946, os sambistas se utilizaram deste personagem para enviar seu recado a população. Na canção: “Laurindo” (1943), interpretada pelo Trio de Ouro, é uma das músicas patrióticas utilizadas pelo Estado Novo afim de incentivar o esforço de guerra. Assim como Laurindo, abandonando a bateria de carnaval para lutar na frente de batalha, a população deveria, para a ditadura Vargas, sentir-se participante do conflito, produzindo nas fábricas e nos campos para o bem do Brasil. Em “Cabo Laurindo” (1945), de Wilson Batista e Haroldo Carvalho, percebemos o ambiente de expectativa de retorno ao regime democrático no país devido ao fim das ditaduras totalitárias da Europa. Nos versos “Amigo da verdade/ Defensor da igualdade/ Dizem que lá no morro vai haver transformação”; demonstra a situação irônica da FEB de ser um exército defensor da democracia em uma país de ditadura. O retorno de uma exército experiente na arte da guerra com uma visão crítica e bastante ácida dos governos totalitários representava uma ameaça a transição pacífica do regime. Por isso o Estado Novo tratou de apressar a desmobilização política da FEB ainda quando esta permanecia na Itália (Silva,2011). Na terceira: “Conversa, Laurindo” (1945), de José Gonçalves e Ari Monteiro, representa a situação que os pracinhas encontraram ao retornar ao Brasil, ou seja, uma população cética e hostil a bravura e o valor de seus soldados nas terras europeias. Quarenta anos depois do conflito o ex-correspondente de guerra Rubem Braga, apontava para o esquecimento da população brasileira com relação a participação do Brasil na guerra, diziam: “Mas vocês foram mesmo na guerra? Aquilo lá era uma farra formidável na era?”. Segundo Roney Cytrynowicz, para a população brasileira a guerra permanecia na Europa, estranha ao cotidiano dos civis que permaneceram no país (Cytrynowicz,2002). A participação dos 25 mil homens que comporão a FEB não foi suficiente para desenvolver uma memória coletiva da participação do Brasil na guerra. Nesta música, os versos: Laurindo não “saiu de Niterói”. E arrematam: “Lá na linha de frente/ Nem eu nem você fizemos nada/ Estamos na retaguarda/ Nossa vida, nossa gente/ Conversa, Laurindo”. Diante desta polêmica, no segundo semestre de 1945 é lançada a canção de Wilson Batista e Germano Augusto: “Comício em Mangueira”. Nesta canção Laurindo não se considera um herói “Heróis são aqueles que tombaram por nós”, diz ele, lembrando os nomes dos sambistas que ficaram para sempre nos campos de batalha. (www.franklinmartins.com.br).

A Bibliografia da FEB é constituída em grande parte das memórias de guerra dos ex-combatentes. Cesar Campiani Maximiano; autor de “Barbudos sujos e fatigados (2010), e Antonio Pedro Tota, O imperialismo sedutor – A americanização do Brasil na época da Segunda Guerra (2000), fazem parte do pequeno número de historiadores que se aventuraram neste tema. Segundo Francisco Cesar Ferraz, a FEB é um assunto desprezado nos meios acadêmicos e escolares. Os materiais escolares de história não fazem nenhuma referência a FEB, assim como à um numero mínimo de produções acadêmicas sobre este tema (Ferraz,2003).
Nossa intenção é demonstrar através da Bibliografia da FEB a outra guerra dos pracinhas: A guerra pela preservação da memória da participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial.

Orientadora: Profª Drª Valeria Zanetti.

Referências Bibliográficas
– CYTRYNOWICZ, Roney. Guerra sem guerra – O cotidiano e a mobilização em São Paulo durante a Segunda Guerra Mundial. São Paulo: Geração Editorial, 2002.
– FERRAZ, Francisco Cesar. A Guerra que não acabou – A Reintegração social dos veteranos da Força Expedicionária Brasileira. São Paulo: Tese de Doutorado/História, Universidade de São Paulo, 2003.
– SILVA, Douglas de Almeida. Guerra contra o esquecimento: Um pracinha da Força Expedicionária Brasileira na busca por sua identidade social (1939-1945). São Paulo: I Seminário Internacional NEHO 20 anos – História Oral: Identidade e Compromisso, Universidade de São Paulo, 2011.

www.franklinmartins.com.br


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3 comentários

  1. Muito bem professora Profª Drª Valeria Zanetti! Receba meus parabéns.

  2. Agradeço ao autor do video por incluir o meu livro na lista :D

  3. Douglas de Almeida Silva /

    Seu nome não podia falar Dérek. :)
    E a bibliografia da FEB não para de crescer.

    (peço desculpas se deixei algum autor de fora).

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