Anjos de Branco – Heróina 1º Tenente Altamira Pereira Valadares

Nascida na cidade de Batatais – SP, no dia 15 de julho de 1910, Altamira Pereira Valadares, é filha de José Pereira Júnior e Maria Carolina Pereira. A profissional tinha um currículo exemplar que servia como uma luva aos anseios da Força Expedicionária Brasileira.

Altamira havia sido diplomada pela Escola ‘Ana Néri’, uma das melhores da época, e tinha no cabedal de experiência nada mais que 14 anos de exercício da profissão no Quadro Especial do Ministério de Educação e Saúde. Mas, ela precisava ainda se adequar as rotinas militares. Tinha que ser preparada e testada para poder exercer da melhor maneira sua atividade sob a pressão da guerra. Sendo assim, voluntária, foi  matriculada no curso Complementar de Guerra, ministrado pela Cruz Vermelha Brasileira e no curso de Emergência de Enfermeiras da Reserva do Exército (CEERE).

Após ser aprovada nos dois cursos, em ambos com louvor, partiu, em 4 de agosto de 1944, com o 2º Grupo para o Front Italiano. Era hora de aplicar os conhecimentos à  prática. A experiência a levou para as Salas de Operações dos seguintes Hospitais de Sangue Norte-Americanos: 105th Station Hospital, em Cevitavecchia; 64th General Hospital, em Ardenza; 38th Evacuation Hospital, em Cecina – S. Luce, Pisa, Marzabotto, Parola e Salsomaggiore; 24th General Hospital, em Florença; 16th Evacuation Hospital, em Pistóia e no 15th Evacuation Hospital, em Corvela. Apenas, no 32nd Field Hospital, Valdibura, atuou como instrumentadora da equipe “B”.

Isso é o que chamamos de talento verdadeiramente aproveitado.

Antes de regressar para o país tropical, em 16 de julho de 1945, Altamira trouxe na bagagem o alivio de ter ajudado a salvar centenas de vidas. Em sua viagem aérea, exausta deve ainda ter se martirizado por conta daqueles que não conseguiu cuidar. Certamente esquecera que era humana e que a morte ainda encontrava forças para buscar nos leitos dos hospitais aqueles que escaparam dela nos campos de batalha.

O esforço foi reconhecido e Altamira foi reformada em 02 de junho de 1949, como Capitã. A então heroína recebeu as seguintes condecorações: Medalha de Guerra e Campanha – Exército Brasileiro; Bons Serviços – Cruz Vermelha Brasileira e Mascarenhas de Moraes – Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira.

Como legado Altamira escreveu – o hoje raríssimo – Álbum Biográfico da Febianas, publicado em 1976 pelo Centro de Documentação Histórica do Brasil. A obra relaciona sinteticamente todas as enfermeiras que estiveram no front. Talvez seja uma das poucas publicações que mostra as fotos individualizadas das 73 heroínas da Força Expedicionária Brasileira.

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Fonte de consulta e apoio:

VALADARES, Altamira Pereira. Álbum Biográfico das Febianas. Batatais – SP: Centro de Documentação Histórica do Brasil. 1976. 116p.

Colaborador:  Vanderley Santos Vieira, é Jornalista, especialista em Comunicação, Oficial R2 (Infantaria) do Exército Brasileiro, Tecnólogo em Administração de Empresas, Escritor, Pós-graduado em Planejamento Estratégico e possui o Curso de Política e Estratégia da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Atualmente desempenha a função de Gerente em uma Multinacional, instrutor, Voluntário da Defesa Civil de Campo Grande – MS e Sócio Especial da ANVFEB/MS.

Possui as seguintes honrarias: Medalhas: de Serviço Amazônico; Mérito da Força Expedicionária Brasileira; Marechal Machado Lopes; Medalha Cruz da Paz; Marechal Cordeiro de Farias; Mérito da Força Expedicionária Brasileira da Câmara dos Vereadores de Campo Grande – MS; Mérito Legislativo de Campo Grande; Mérito Rondon – Academia de Estudo de Assuntos Históricos – MS e Distinção Emblema de Oro – Instituto Técnico “Promoción Profesional Del Ejército” Bolívia.


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