Anjos de Branco – Fausta Nice Carvalhal

Junte uma sábia passagem bíblica a uma boa dose de coragem…

            Ainda que eu falasse a língua dos anjos. E falasse a língua dos homens. Sem amor, eu nada seria. Junte a sábia passagem bíblica a uma boa dose de coragem, determinação, empenho, comprometimento e solidariedade. Personalize estes atributos num seleto grupo de mulheres decididas que ousaram desafiar e quebrar paradigmas enraizados na sociedade brasileira.

Fausta Nice Carvalhal, nascida no município de Areia, cidadezinha pequena do Estado da Bahia, não se furtou ao chamado da Pátria e junto com outras 73 valentes enfermeiras cruzaram o oceano para salvar vidas e amenizar a dor de centenas de soldados e civis que lutavam pela liberdade.

Ela também sentiu frio e fome.

Chocou-se com a destruição.

Sofreu com a saudade da terra natal.

E claro, como todo ser humano normal, teve medo de morrer. As bombas lançadas dos aviões inimigos não distinguiam  quartel de hospital.

Pra ser mais específico, Fausta serviu nas seguintes unidades hospitalares: 7th Station Hospital, em Livorno e 45th General Hospital, em Nápoles. Durante os combates a enfermeira empunhou bisturis, ampolas, seringas, soros, antiinflamatórios, gazes, algodão etc (suas armas) e lutou contra cicatrizes profundas causadas por bombas, metralhadores, granadas, pistolas e fuzis. Dentro do Hospital suas lutas se desenvolviam dentro das Enfermarias de cirurgia e Medicina.

Quando nasceu, Augusto Teles Carvalhal e Adélia Pedreira Carvalhal, não imaginavam que a filha estava destinada a fazer parte da história da humanidade. Quando se diplomou no curso de Voluntária Socorrista na Policlínica Geral, aperfeiçoou o conhecimento na Samaritana, e complementou os ensinamentos no curso de Emergência de Enfermeiras da Reserva do Exército (CEERE), a Baiana, deu um passo enorme que marcaria para sempre sua vida. A convocação para o Teatro de Operações na Itália, confirmaria a presença de Fausta no maior conflito bélico que a humanidade já viu.

A enfermeira febiana permaneceu à disposição da Força Expedicionária Brasileira até 10 de junho de 1945, data de seu regresso. Ao desembarcar em solo brasileiro Fausta foi reconhecida pelo Exército Brasileiro, que por dever de justiça, condecorou a enfermeira com a Medalha de Campanha e a Medalha de Guerra.

O Exército americano também reconheceu o excelente serviço prestado pela heroína no front e concretizou a admiração concedendo à brasileira à distinção “Meritorium Service”.

Melhor do que qualquer medalha no peito é a sensação de dever cumprido. Melhor do que qualquer condecoração é a sensação de valor incalculável proporcionada pelas vidas salvas graças ao empenho individual e coletivo de cada enfermeira que sem dar um único tiro, tornaram-se tão heróis quanto nossos nobres soldados febianos.

A fórmula para atingir o mesmo resultado alcançado por Fausta Nice Carvalhal é simples: por em prática o ensinamento de uma sábia passagem bíblica aliada a uma boa dose de coragem….

 

 

Fonte de apoio e consulta:

VALADARES, Altamira Pereira. Álbum Biográfico das Febianas. Batatais – SP: Centro de Documentação Histórica do Brasil. 1976. 116p.

 

Nota do Colaborador: caso algum leitor tenha alguma foto da Elza, adoraríamos publica-la. A foto acima foi a única que conseguimos.

Colaborador:  Vanderley Santos Vieira, é Jornalista, especialista em Comunicação, Oficial R2 (Infantaria) do Exército Brasileiro, Tecnólogo em Administração de Empresas, Escritor, Pós-graduado em Planejamento Estratégico e possui o Curso de Política e Estratégia da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Atualmente desempenha a função de Gerente em uma Multinacional, instrutor, Voluntário da Defesa Civil de Campo Grande – MS e Sócio Especial da ANVFEB/MS.

Possui as seguintes honrarias: Medalhas: de Serviço Amazônico; Mérito da Força Expedicionária Brasileira; Marechal Machado Lopes; Medalha Cruz da Paz; Marechal Cordeiro de Farias; Mérito da Força Expedicionária Brasileira da Câmara dos Vereadores de Campo Grande – MS; Mérito Legislativo de Campo Grande; Mérito Rondon – Academia de Estudo de Assuntos Históricos – MS e Distinção Emblema de Oro – Instituto Técnico “Promoción Profesional Del Ejército” Bolívia.


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