Anjos de Branco – 2º Tenente Enfermeira Amarina Franco Moura

A matemática é fria e objetiva.

Quando usada dá a noção exata de perdas e ganhos.

A ciência dos cálculos perfeitos serve para comprovar o tamanho do feito heróico realizado pelas enfermeiras da Força Expedicionária Brasileira. Apenas no 6º Regimento de Infantaria 102 militares pereceram e 833 soldados caíram feridos. O tenente José Gonçalves, um dos integrantes do 6º RI, que presenciou parte das baixas de seu pelotão na Itália, descreveu no livro Irmãos de Armas, página 206, sua angústia sobre a fragilidade e desperdício da vida em tempo de guerra. Lutar para amenizar os danos ocorridos no teatro de operações seria o papel das enfermeiras da Força Expedicionária Brasileira.

Pela quantidade de vítimas do conflito, a tarefa não parecia ser nada fácil. Mas algo precisava ser feito. Amarina Franco Moura se alistou voluntariamente aceitando participar de treinamentos intensivos durante a sua formação. No final do curso, a F.E.B. e os aliados ganharam não uma, mas um forte grupo de mulheres de caráter louvável, com habilidades inquestionáveis e ideais que muitos definiram como utópicos.

Amarina sabia que ao chegar ao continente europeu os riscos seriam enormes. Afinal, tratava-se de uma guerra. Sendo assim, a filha de Amaro de Souza Franco e Izabel Rodrigues, ignorou seus medos e encarou literalmente a morte num cabo de guerra ilógico pela vida. Tentar salvar os soldados das garras de oponente tão eficiente não era nada fácil. Os corredores, enfermarias, centro cirúrgicos do 7th Station Hospital, em Livorno, testemunharam o duelo desigual.

Nomeada enfermeira de 3ª Classe, após a conclusão do curso de Emergência de Enfermeiras da Reserva do Exército (CEERE), Amarina Franco Moura, foi classificada em Clínica Médica e Cirúrgica. Sua ação ajudou a diminuir o sofrimento de dezenas de jovens soldados feridos nas frentes de combate. O trabalho realizado chamou a atenção da enfermeira-chefe americana que destacou:

“Amarina, revelou-se ótima auxiliar na sala de operações. Procurou trabalhar com acertos dedicando-se aos seus enfermos. Agradeço e elogio”.

Natural do Rio Grande do Sul, Amarina Franco Moura, por ocasião do término da guerra, recebeu o justo reconhecimento do Exército Brasileiro e do Governo dos Estados Unidos da América. Ambas as instituições concederam a Medalha de Campanha e Medalha de Guerra – Brasil e o Distintivo de “Meritorium Service” – EUA.

No final das contas, Amarina não somou quantas vidas se perderam nos hospitais em que serviu.

A enfermeira também não contou quantas vidas conseguiu ajudar a salvar.

Ela contabilizou apenas o esforço que dedicara para que o saldo negativo da guerra não fosse ainda maior.

 

 

Fonte de consulta e apoio:

VALADARES, Altamira Pereira. Álbum Biográfico das Febianas. Batatais – SP: Centro de Documentação Histórica do Brasil. 1976. 116p.

Colaborador:  Vanderley Santos Vieira, é Jornalista, especialista em Comunicação, Oficial R2 (Infantaria) do Exército Brasileiro, Tecnólogo em Administração de Empresas, Escritor, Pós-graduado em Planejamento Estratégico e possui o Curso de Política e Estratégia da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Atualmente desempenha a função de Gerente em uma Multinacional, Voluntário da Defesa Civil de Campo Grande – MS e Sócio Especial da ANVFEB/MS.

Possui as seguintes honrarias: Medalhas: de Serviço Amazônico; Mérito da Força Expedicionária Brasileira; Marechal Machado Lopes; Medalha Cruz da Paz; Marechal Cordeiro de Farias; Mérito da Força Expedicionária Brasileira da Câmara dos Vereadores de Campo Grande – MS; Mérito Legislativo de Campo Grande e Mérito Rondon – Academia de Estudo de Assuntos Históricos – MS.


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