Anjos de Branco – 2º Tenente Guilhermina Rodrigues Gomes

2º Tenente Enfermeira Guilhermina Rodrigues Gomes

Ressignificando o passado

Prezado leitor,

Podíamos retirar centenas de experiências malsucedidas do escaninho das “derrotas” dos aliados para dar atingir o objetivo deste texto que é entender a magnitude do que se passou durante a Segunda Guerra Mundial e seus resultados contemporâneos.

Por um momento, parece uma tarefa difícil, chata e de complexa contextualização que exigiria um longo e minucioso estudo de causas e consequências. Mas não. É possível sintetizá-la.

Eu diria que é provável resumi-la em uma só palavra.

Simples como coisa de soldado:

PAZ!

Dessa palavra, composta de apenas três letras, se extrai todo o esforço de milhares de pessoas que naqueles tempos sombrios sacrificaram muito, inclusive a própria vida, para que ela se tornasse factível.

O preço cobrado foi alto:

Sangue. Mutilações físicas e psicológicas. Lágrimas. Humilhação. Medo. Destruição.

Quando o Sr Antonio Gomes e Sara Peterson Gomes ninaram pela primeira vez a pequenina Guilhermina Rodrigues Gomes, não imaginaria que aquela criança estava predestinada a ser uma heroína. Nem mesmo em 1939, quando a guerra se apresentou para o mundo.

Não demoraria muito para Guilhermina se tornar uma daquelas pessoas que resolveram dar a cara à tapa. Uma das pessoas que enfrentaram os seus e os medos dos outros. Uma das pessoas que não se furtariam jamais as suas ideologias. Uma das pessoas que além de coragem entendiam que o bem maior justificaria o risco.

O teatro de operações receberia em breve mais uma personagem o breve perfil abaixo:

Nasceu no dia 1 de dezembro de 1912 na cidade de Curitiba, Estado do Paraná.

Portadora dos Cursos de Enfermagem Samaritana da Cruz Vermelha Brasileira e Curso de Emergência de Enfermeiras da Reserva do Exército (CEERE) – 1ª Turma – DF – 5ª Região Militar.

Nomeada Enfermeira 3a Classe, pela Portaria nº 6.548 (D.O. de 6.4.44).

Convocada para o Teatro de Operações da Itália através da Portaria nº 7.018 (DO 9.8.44).

Embarcou no dia 29 de outubro de 1944, com o 15º Grupo.

Talvez o signo explique melhor o motivo de Guilhermina ter encarado o desafio imposto pela convocação da F.E.B. Os sagitarianos são otimistas, bem humorados, independentes, francos, intuitivos, idealistas, gostam de aventuras e são atraídos pelo exótico. Tem algo mais desafiador do que uma guerra?

Quando assumiu o serviço à enfermeira teve a imediata percepção de que sozinha sua capacidade para realizar atividades exigidas pela demanda de pacientes tinha limitação. Ela havia sido designada para servir no 16th Evacuation Hospital em Pistóia e, depois, no 7th Station Hospital. Sábia e consciente ela viu a oportunidade de realizar obras maiores do que as feitas isoladamente. Então, fez parcerias que se multiplicaram nos resultados atingidos e renderam os seguintes elogios:

“A enfermeira Guilhermina Rodrigues Gomes, foi designada e eficiente nas missões que foram confiadas, merecendo por isso nossos agradecimentos”. Major Ernestino Gomes de Oliveira – Chefe do 1º G.S.B. (Publicado em ofício nº 196).

“Enfermeira Guilhermina Rodrigues Gomes – soube conduzir-se com habilidade, quer no tratamento dos enfermos a ela confiados quer como auxiliar na Red Cross, onde deu cabal desempenho muito auxiliando esta chefia. Inteligente e culta, a enfermeira Guilhermina tornou-se merecedora de elogios e agradecimentos”. Chefia do 1º G.S.B. (Publicado em Bol F.E.B. 22 de junho 1945).

Trabalhou com excelência até o dia em que foi surpreendida pela notícia de um de seus amigos de oficio. Por ironia do destino, aquela inimiga a quem tanto combatera, num golpe baixo, acabou surpreendendo-a. Guilhermina estava doente e precisara se tratar.

Fez um longo caminho regressando via Estados Unidos a bordo do Navio Príncipe Di Piemonti, para ser internada no Hospital Central do Exército em oito de julho de 1945. Ela confessou ter ficado frustrada com o retorno adiantando até que alguém lhe confortou dizendo que o seu tributo já havia sido pago. Bastava apenas que ela fechasse seus olhos para imaginar o número de pessoas que havia tratado e ajudado a recuperar-se nos leitos das enfermarias da Itália.

Quantos pacientes?

Era possível contabilizar?

O saldo, sem dúvidas, foi positivo.

O propósito da Força Expedicionária reuniu mais de 25 mil pessoas que buscaram a realização de um bem comum. Nossa heroína, GUILHERMINA RODRIGUES GOMES, foi reformada no posto de 1º Tenente, por Decreto de 14 de novembro de 1946, levando consigo no peito a Medalha de Campanha e Guerra e Medalha de Ouro da Cruz Vermelha Brasileira (Seção Curitiba).

Mais do que isso, ela deixou um legado hoje usufruído pelo povo.

É com esta herança deixada que concluímos nossa ressignificação do passado relembrando do valioso presente chamado:

PAZ.

 Guilhermina dizia que isso sim, foi um presente de Deus.

Fonte de apoio e consulta:

VALADARES, Altamira Pereira. Álbum Biográfico das Febianas. Batatais – SP: Centro de Documentação Histórica do Brasil. 1976. 116p.

 

Colaborador:  Vanderley Santos Vieira, é Jornalista, especialista em Comunicação, Oficial R2 (Infantaria) do Exército Brasileiro, Tecnólogo em Administração de Empresas, Escritor, Pós-graduado em Planejamento Estratégico e possui o Curso de Política e Estratégia da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Atualmente desempenha a função de Gerente em uma Multinacional, Voluntário da Defesa Civil de Campo Grande – MS e Sócio Especial da ANVFEB/MS.

Possui as seguintes honrarias: Medalhas: de Serviço Amazônico; Mérito da Força Expedicionária Brasileira; Marechal Machado Lopes; Medalha Cruz da Paz; Marechal Cordeiro de Farias; Mérito da Força Expedicionária Brasileira da Câmara dos Vereadores de Campo Grande – MS; Mérito Legislativo de Campo Grande e Mérito Rondon – Academia de Estudo de Assuntos Históricos – MS.


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3 comentários

  1. Boa noite…
    gostaria de ter o contato do Sr. Vanderley Santos Vieira da matéria “Anjos de Branco – 2º Tenente Guilhermina Rodrigues Gomes” pois esta pessoa que é tratada nesta matéria era tia de minha sogra…

  2. Ola Paulo me Add no zap 04192092700

  3. Valdomira Rodrigues Gomes /

    Boa noite,

    Foi sem dúvida uma grande mulher, e começou sua trajetória quando a mulher ainda não tinha voz e liberdade como na atualidade. A história dela é prova viva do seu legado. Que exemplo!!!

    Valdomira Rodrigues Gomes.

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