Anjos de Branco – 2º Tenente Enfermeira Olga Mendes

Olga Mendes

Um nome pode dizer muitas coisas

Muito antes de nascerem, as pessoas recebem de seus pais um singelo e valioso presente.

Alguns têm significados. Outros não fazem o menor sentido.

O fato é que os nomes são importantes porque dizem muito sobre as pessoas como, por exemplo, o da nossa personagem, que tem origem nórdica e quer dizer “SANTA, SAGRADA”.

Olga…

Estudando um pouco mais a fundo, descobrimos que as pessoas com esse nome resolvem, de uma hora para outra, assumir todos os problemas que se apresentam ao seu redor (sejam eles familiares, sejam de amigos e até desconhecidos).

Durante a pesquisa desvendamos ainda que os atributos ligados ao nome OLGA são os seguintes:

Amorosa

Responsável

Franca

Serena

Facilidade de adaptação

Estas informações explicam e ajuda-nos a entender o motivo pelo qual OLGA MENDES escolheu trabalhar na área de saúde, qual a causa do seu alistamento voluntário e de onde esta moça encontrou coragem para seguir com a Força Expedicionária Brasileira rumo à zona mais perigosa do mundo na década de 40.

As pessoas mais felizes e realizadas são aquelas que sabem aonde querem chegar e têm metas. Podemos alcançar nossos objetivos de forma mais ou menos eficaz, mas o fato de termos vivido em função de algo acrescenta um valor inestimável à nossa existência. OLGA MENDES e seus feitos ilustram claramente cada palavra em particular e a frase em seu completo contexto.

É gente com esse perfil que não desiste nem esmorece diante de frases como:

– É uma guerra Olga Pelo Amor de Deus!

– Fique e deixe que as coisas se arranjem por lá menina!

– Você acha que vai fazer alguma diferença?

Lopo Mendes seu pai e sua genitora Laura da Glória Ferreira Mendes, conheciam muito bem a filha. Eles tinham a consciência de que nossa brava enfermeira não seria convencida por argumentos tão incultos e desprovidos de fundamentação teórica.

A menina Olga vivia numa época em que um dos maiores desafios das mulheres era o autoconvencimento de que elas, as mulheres, poderiam mais do que lhe era permitido pela sociedade. Pouquíssimas tinham a coragem para uns, petulância para outros, de fazer com que choque de lucidez de seus desejos se transformasse em ações práticas.

– Não creio que ela consiga passar no curso do Exército!

Dizia outro incrédulo.

Ledo engando.

Olga Mendes foi testada e aprovada no Curso de Enfermagem Profissional Técnico da Escola “Ana Nery” e no Curso de Emergência de Enfermeiras da Reserva do Exército (CEERE) – 1ª Turma – DF – 1ª Região Militar.

Foi nomeada Enfermeira 3a Classe, pela Portaria nº 6.276 (D.O. de 6.4.44).

Foi convocada para o SAE através da Portaria nº 6.382 (DO 22.4.44).

Seguiu para o front no dia 6 de agosto de 1944, com o 3º Grupo rumo à Nápoles – Itália.

E designada para servir no:

– 105th Station Hospital, em Cevitavecchia;

– 64th General Hospital, em Ardenza;

– 38th Evacuation Hospital, em Cecina (Santa Luce) e Pisa.

Enquanto pode desempenhou exemplarmente sua missão.

Tudo corria muito bem quando o destino resolveu pregar uma daquelas indesejáveis peças que por mais que se busque um sentido logico, ele acaba por escapar como a água entre os dedos. Olga baixou em Pisa, seriamente doente (Coração) e foi levada para o 16th Evacuation Hospital, em Pistóia.

O diagnóstico médico: Angina Funcional.

Parecer médico: evacuação imediata.

– Precisamos cuidar de você agora para que você possa continuar salvando vidas no futuro.

Uma das virtudes da heroína era a serenidade que, aliada a sua facilidade em se adaptar a situações difíceis, fez com que ela aceitasse tranquilamente a orientação recebida. Olga seguiu de Pistóia evacuada em um navio hospital americano até a Flórida nos Estados Unidos. De lá embarcou em outro barco de transporte de guerra com destino a Recife. Chegando a Capital pernambucana, nossa febiana fez sua ultima escala, via aérea, para o Rio de Janeiro.

Já em solo pátrio, na cidade maravilhosa, sua terra natal, foi recebida pelos profissionais do Hospital Central do Exército para dar continuidade ao seu tratamento que foi seguido e cumprido religiosamente.

Existe um provérbio que ensina:

“Para tudo há um tempo, e um tempo para cada propósito sob os céus… um tempo de manter o silêncio, e um tempo de falar.” Saber a hora de parar é ação de sábio. É um ato responsável e resignado. Coisas de Olga Mendes que pelos serviços prestados no front recebeu as medalhas de Campanha e Guerra.

Foi licenciada pela portaria nº 8.078 de 31 de março de 1945 (D.O. de 5 de abril de 1945), deixando seu nome gravado na história da Força Expecionária Brasileira como uma das 73 heroínas brasileiras.

Um nome pode dizer muitas coisas… e o que dizer mais sobre Olga Mendes?

Precisa?

Fonte de apoio e consulta:

VALADARES, Altamira Pereira. Álbum Biográfico das Febianas. Batatais – SP: Centro de Documentação Histórica

Vanderley-Santos-Vieira321Colaborador:  Vanderley Santos Vieira, é Jornalista, especialista em Comunicação, Oficial R2 (Infantaria) do Exército Brasileiro, Tecnólogo em Administração de Empresas, Escritor, Pós-graduado em Planejamento Estratégico e possui o Curso de Política e Estratégia da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Atualmente desempenha a função de Gerente em uma Multinacional, Voluntário da Defesa Civil de Campo Grande – MS e Sócio Especial da ANVFEB/MS.

Possui as seguintes honrarias: Medalhas: de Serviço Amazônico; Mérito da Força Expedicionária Brasileira; Marechal Machado Lopes; Medalha Cruz da Paz; Marechal Cordeiro de Farias; Mérito da Força Expedicionária Brasileira da Câmara dos Vereadores de Campo Grande – MS; Mérito Legislativo de Campo Grande e Mérito Rondon – Academia de Estudo de Assuntos Históricos – MS.


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