Anjos de Branco – 2º Tenente Enfermeira Maria Luiza Vilela Henry

Os lugares mais sombrios do inferno são reservados aqueles que se mantiverem neutros em tempos de crise moral

Prezado leitor, o exercício de escrever sobre heróis e heroínas torna-se uma tarefa um tanto quanto fácil por conta das ações que deram a essas pessoas o título que possuem. Do latim heros, que, por sua vez, deriva de um vocábulo grego, a palavra herói faz referência a um homem/mulher que é famoso, ilustre, acarinhado e reconhecido pelas suas virtudes ou pelos seus feitos. Por exemplo: MARIA LUIZA VILELA HENRY é uma heróina da Força Expedicionária Brasileira. Esta mulher salvou inúmeras vidas no periodo da Segunda Guerra Mundial e por isso foi condecorada pelo Exército Brasileiro com a Medalha de Campanha e Guerra.

Ninguém recebe uma medalha por acaso ou capricho.

Do ponto de vista de um poema épico, o herói é o principal personagem que desempenha as ações de maior importancia. Os feitos de Maria aconteceram nos Hospitais de Sangue na Itália – 38th Evacuation Hospital, em S. Luce e Pisa; no 7th Station Hospital, em Livorno e, em Nápoles no 45th General Hospital e 300th General Hospital.

O herói costuma possuir características de maior destaque e valor da sua cultura de origem. Apresenta habilidades incríveis que lhe permitem realizar grandes feitos. Estes atos heróicos lhe dão fama e fazem dele um ser admirado por todos. A personagem principal deste artigo era filha do engenheiro Dr. Emilio Henry e Ligia Vilela Henry. Nascida na cidade de Petrópolis – RJ, Maria era determinada e muito teimosa. Não desistia nem quando as forças lhe faltavam. A birra custou a ela duas baixas a enfermaria para recuperar-se, sendo uma no 45th e outra no 300th General Hospital. Quando questionada ela respondia prontamente:

– Eles precisam de mim.

– Sabemos disso, mas você precisa cuidar de si, para poder cuidar dos outros.

Era uma mulher quase incansável, quando chegou ao front, classificada em Serviço Social e Cirurgia, tinha como meta particular salvar quantas pessoas pudesse de uma morte quase certa e derrotar uma inimiga poderosissima chamada morte.

Buscava sempre consolo onde houvesse desespero.

Buscava amor onde houvesse ódio.

Buscava esperança onde houvesse aflição.

Buscava alegria onde houvesse tristeza.

Buscava a cura onde houvesse o ferimento.

Buscava a palavra onde houvesse silêncio.

Buscava a tolerância onde houvesse intrangigência.

Maria foi e é considerada uma heroína por ter conseguido superar vários tipos de adversidades. Passou no Curso de Enfermagem V.S. da Cruz Vermelha Brasileira e Curso de Emergência de Enfermeiras da Reserva do Exército (CEERE), 1ª Turma/1ª Região Militar/Distrito Federal e foi Nomeada enfermeira 3ª Classe pela Portaria nº 6.303, de 5 de abril de 1944.

No dia 20 de abril de 1944, a Portaria nº 6.382, oficializou sua Convocação. Era chegada a hora da verdade. Os lugares mais sombrios do inferno são reservados aqueles que se mantiverem neutros em tempos de crise moral. Eram tempos difíceis, principalmente para uma mulher.

A Enfermeira ignorou as adversidades e as palavras usadas para sabotar sua vontade.

Partiu com o 5º grupo, destino a Nápoles, via aérea para uma missão que jamais seria esquecida por ela, pelos pares, pelos parentes, pelos superiores e principalmente por aqueles a quem ela cuidou.

Os elogios recebidos de comandantes distintos mostram o quanto Maria era especial:

REFERÊNCIA ELOGIOSA Nº I

 “É com maior satisfação que submeto a vossa apreciação o elogio que me cabe fazer a Enfermeira arvorada em 2º Tenente Maria Luiza Vilela Henry, pela dedicação, espírito de sacrifício, competência técnica e disciplina de que deu prova durante o tempo em que chefiei a Seção Brasileira de Hospitalização diante do número elevado de doentes aqui baixados todos prontamente atendidos e recuperados em alta percentagem.

(Cap Médico Dr. Amilcar Viana Martins, em parte de 8 de novembro de 1944).

 

REFERÊNCIA ELOGIOSA Nº Ii

“Trabalhou no Serviço Social, onde deu o máximo dos seus esforços, tendo compreendido bem o alcance moral do mesmo no levantamento do espírito dos pacientes e na satisfação de suas pequenas necessidades. Foi indicada para o trabalho na sala de cirurgia e desde o inicio tem dado oportunidade a que se espera que a sua indicação tenha sido um ato acertado da chefia da clínica cirúrgica.

(Tenente Coronel Médico, Dr. Augusto Sette Ramalho)

 

 

REFERÊNCIA ELOGIOSA Nº Iii

 “A 2º Tenente Enfermeira Maria Luiza Vilela Henry, chegada recentemente ao convívio da enfermaria P-5 do 45 th General Hospital, sempre se houve com dedicação louvável na sua curta permanência”.

(Elogio publicado no B.I. nº153, – 2º Tenente Médico Dr. Paulo Samuel Santos)

 

REFERÊNCIA ELOGIOSA Nº Iv

“Agradecendo a cooperação leal da enfermeira Maria Luiza Vilela Henry, é com prazer que a ela me dirijo. A capacidade de ação demonstrada, a colocou em situação elevada. Com paciência, atenção e desvelo, cuidou dos pacientes que estiveram sob os seus cuidados. Não mediu esforços para levar aos enfermos o conforto moral e assistência profissional. Essa colaboradora merece de todos uma parcela grande de admiração pelo muito que fez em beneficio dos brasileiros atingidos pelos malefícios da guerra”.

(BI – nº 170, elogio e louvor do Chefe da Seção)

Maria Luiza Vilela Henry regressou ao Brasil em 7 de julho de 1945, com o 8º Grupo.

Sua atuação foi brilhante. Se fosse uma peça teatral a plateia e a crítica a aclamaria com brados de BIS! BRAVO! E incontáveis efusivos aplausos.

Quando foi licenciada pela Portaria nº 8.553, de D.O. 16 de agosto de 1945, a Enfermeira nunca mais seria a mesma. A partir de então ela teria que conviver com uma nobre alcunha de HEROÍNA DA FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA.

 

Fonte de apoio e consulta:

VALADARES, Altamira Pereira. Álbum Biográfico das Febianas. Batatais – SP: Centro de Documentação Histórica do Brasil. 1976. 116p.

Colaborador:  Vanderley Santos Vieira, é Jornalista, especialista em Comunicação, Oficial R2 (Infantaria) do Exército Brasileiro, Tecnólogo em Administração de Empresas, Escritor, Pós-graduado em Planejamento Estratégico e possui o Curso de Política e Estratégia da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Atualmente desempenha a função de Gerente em uma Multinacional, Voluntário da Defesa Civil de Campo Grande – MS e Sócio Especial da ANVFEB/MS.

Possui as seguintes honrarias: Medalhas: de Serviço Amazônico; Mérito da Força Expedicionária Brasileira; Marechal Machado Lopes; Medalha Cruz da Paz; Marechal Cordeiro de Farias; Mérito da Força Expedicionária Brasileira da Câmara dos Vereadores de Campo Grande – MS; Mérito Legislativo de Campo Grande e Mérito Rondon – Academia de Estudo de Assuntos Históricos – MS.


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1 comentário

  1. José Henrique Vilela /

    “DEDICAÇÃO, ESPÍRITO DE SACRIFÍCIO, COMPETÊNCIA TÉCNICA E DISCIPLINA” – Saltam-nos aos olhos a admiração e a emoção de ler sobre a personalidade da Enfermeira Expedicionária e mulher de valor extraordinário, Maria Luiza Vilela Henry, arvorada em Segundo Tenente da nossa FEB, atuando com dedicação e heroismo nos hospitais militares do “front” da Itália na Segunda Guerra Mundial.Com as DISTINÇÕES de Quatro Referências Elogiosas de diferentes Comandantes e de seus Oficiais Médicos Superiores, esta nossa admirável e querida COMPATRIOTA CONSAGROU-SE, EFETIVAMENTE, NO PANTEÃO DOS HERÓIS DA PÁTRIA, como A HEROÍNA DA FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA!
    RECEBA A NOSSA COMPATRIOTA,FRATERNALMENTE,ONDE ESTIVER, O ELEVADO PREITO DA NOSSA SINCERA ADMIRAÇÃO E DO NOSSO GRANDE APREÇO!
    JOSÉ HENRIQUE VILELA – Auditor Fiscal do Trabalho, Advogado e Contabilista.

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