Anjos de Branco – 2º Tenente Enfermeira Maria Hilda de Mello

O importante não é atravessar o caos, mas transformá-lo em oportunidade criativa

 

Uma caixa de surpresas. Assim é vida.

Num instante tudo parece bem.

Noutro, parece que tudo se transforma.

Augusto Cury, em seu livro mentes brilhantes, mentes treinadas, escreveu:

 

Não há céus sem tempestades,

Nem caminhos sem acidentes.

Comédia e drama, sorrisos e lágrimas,

Aplausos e vaias alternam-se na vida de qualquer um,

Sejam psiquiatras e pacientes,

Generais e soldados, intelectuais e iletrados.

O importante não é atravessar o caos, mas transformá-lo em oportunidade criativa.

Maria Hilda de Mello, sabia exatamente como enfrentar uma tempestade.

Entendia que durante qualquer jornada acidentes acontecem.

Vivia intensamente entre sorrisos e lágrimas suas comédias e dramas.

Um dia o mundo entrou em guerra.

Era enfermeira e reconhecia que de alguma maneira sua profissão seria útil. Principalmente quando se falava num conflito bélico aonde bombas e projeteis não faziam distinção entre aliados, inimigos e civis.

As vítimas chegavam de todos os lados.

Alistou-se e foi nomeada Enfermeira 3ª Classe pela nº 6.856 de 24 de julho 1944.

Foi vaiada por alguns quando fez a escolha de partir para o olho do furacão na Europa.

Conhecia a si mesma e em hipótese alguma se furtaria de sua responsabilidade.

Sabia que os conhecimentos obtidos nos cursos de Enfermagem Atendente do “DSP” do Piauí e Curso de Emergência de Enfermeiras da Reserva do Exército / 10ª Região Militar, estavam frescos em sua mente. Estava pronta para prova de fogo.

Partiu no último Grupo 16º em 02 de maio de 1945 para servir na cidade de Nápoles nos seguintes Hospitais: 300th General Hospital 45th General Hospital.

A enfermeira serviu pouco mais de dois meses no front, porém, a importância do trabalho realizado nesse período teve um valor imensurável. Talvez a própria fosse o amuleto vivo da sorte. Pouco tempo depois de sua chegada a paz foi anunciada.

É importante ressaltar que Maria Hilda fez mais do que muitos que preferiram ignorar os riscos.

Covardia?

Não! Apenas o livre arbítrio fazendo sua função.

A filha de José Policarpo de Souza e Regina Policarpo de Souza, nasceu no dia 1º de maio de 1920, no município de Terezina, Estado do Piauí. Uma nordestina porreta que sabia lutar com suas armas. Regressou em 21 de julho 1945, com o 13º Grupo e foi recebida com aplausos.

Foi Licenciada da Força Expedicionária Brasileira pela Portaria nº 8.590 de 01 de outubro de 1945. Recebeu a Medalha de Campanha pelos serviços prestados as Forças Armadas Brasileira. Durante a solenidade de entrega da condecoração Maria Hilda certamente deve ter pensado:

– A vida é mesmo uma caixinha de surpresa. O destino me guiou para o caos e me trouxe um grande amor.

Após a guerra a enfermeira casou-se com o Americano chamado Harrison.

Ironia do destino?

Talvez Deus tenha presenteado a enfermeira por ela ter se entregado a uma causa julgada por muitos, perdida.

Taí um belo exemplo prático para o ditado “você colhe o que planta”.

 

Fonte de apoio e consulta:

VALADARES, Altamira Pereira. Álbum Biográfico das Febianas. Batatais – SP: Centro de Documentação Histórica do Brasil. 1976. 116p.

CURY, Augusto. Mentes Brilhantes, mentes treinadas. 3ª Edição. São Paulo: Editora Academia de Inteligência. 2010.

 

 

Colaboradora: Maria do Socorro Sampaio M. de Barros. Filha da Cap Enf. da FEB ARACY ARNAUD SAMPAIO.

É Psicóloga, membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – DF ( AHIMTB ), Coordenadora de Ação Social UNIPAZ-DF, membro da Ordem Franciscana Secular ( OFS ).

 

Colaborador:  Vanderley Santos Vieira, é Jornalista, especialista em Comunicação, Oficial R2 (Infantaria) do Exército Brasileiro, Tecnólogo em Administração de Empresas, Escritor, Pós-graduado em Planejamento Estratégico e possui o Curso de Política e Estratégia da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Atualmente desempenha a função de Gerente em uma Multinacional, Voluntário da Defesa Civil de Campo Grande – MS e Sócio Especial da ANVFEB/MS.

Possui as seguintes honrarias: Medalhas: de Serviço Amazônico; Mérito da Força Expedicionária Brasileira; Marechal Machado Lopes; Medalha Cruz da Paz; Marechal Cordeiro de Farias; Mérito da Força Expedicionária Brasileira da Câmara dos Vereadores de Campo Grande – MS; Mérito Legislativo de Campo Grande e Mérito Rondon – Academia de Estudo de Assuntos Históricos – MS.


COMPARTILHE ESSE ARTIGO!

Facebook Twitter Email Plusone



VEJA ALGUNS ARTIGOS QUE POSSAM LHE INTERESSAR!

Deixar um comentário

WordPress Blog