Anjos de Branco – 2º Tenente Enfermeira Maria Diva Campos

“Os obstáculos existem para ver até onde vai a tua fé.”
 
Qual o significado de obstáculo?

 

Resposta: O que impede, que se opõe, que faz parar (nos sentidos próprio e figurado).

 

Nos desportos quer dizer o nome das dificuldades que se acumulam nas pistas, para as corridas de barreiras e provas de hipismo. E na Física representa o que resiste ou serve de resistência a uma força. (Sin.: estorvo, oposição, dificuldade, resistência, impedimento, barreira, embaraço.)

 

Qual foi a maior dificuldade que você enfrentou na vida?

 

Um susto?

 

Uma doença?

 

Um período de desemprego?

 

Uma briga?

 

Uma perda de ente querido?

 

Um acidente?

 

E o que você diria de uma Guerra? Melhor dizendo, a Segunda Guerra Mundial.

 

            Maria Diva Campos. Uma brava e exemplar mulher passou por isso.

 

E não só isso.  

 

Os obstáculos existem para ver até onde vai a tua fé.

 

            A enfermeira resistiu ao preconceito. Resistiu à indiferença. Resistiu aos olhares que apesar de não se traduzirem em palavras, mostravam claramente a desaprovação pela decisão que havia tomado em ir para front. A reprovação não era generalizada, mas as poucas que se apresentavam eram suficientes para abalar qualquer pessoa de opinião fraca.

 

            Sempre que comentava o assunto, apesar das frases ditas em alto e bom som, sempre vinham acompanhadas de dúvidas do tipo:

 

            - O quê? Eu ouvi mesmo isso? Você vai para Europa?

 

            - Isso mesmo.

 

            Respondia sempre com uma resiliência inabalável.

 

            - Tem certeza? É isso mesmo que você quer? E os obstáculos, são tantos Maria….

 

            - Escute aqui…

 

            Nesse momento as pessoas se inclinavam para beber cada uma das palavras da filha de André Cursino Ribeiro Campos e Cecícia da Silveira Campos.

 

         - Nenhum obstáculo é tão grande, se sua vontade de vencer for maior.

 

            A fala era objetiva, convincente e calavam as argumentações vazias, mas não calavam o receio das pessoas. Logicamente era mais fácil se furtar da responsabilidade e fingir que não poderia fazer muita coisa para mudar a conjuntura de uma guerra que acontecia do outro lado do oceano. Prudente mesmo seria evitá-la. Quanto mais longe melhor.           

 

            Felizmente, Maria Diva Campos não pensava assim. Ela havia nascido na cidade de Cruzeiro do Sul, então Território do Acre, numa cidade praticamente cercada pela selva amazônica. Em 1910, as coisas por aquelas bandas não eram tão simples. O acesso era um tanto quanto difícil. Era preciso se virar para superar os obstáculos que apesar de existirem, não foram suficientes para contê-la. Logo se tornaria enfermeira.

 

Quando se apresentou para o serviço militar, tinha vivido 39 primaveras. Sabedoria e experiência de vida não lhe faltavam. Humildade também. Era preciso aperfeiçoar e passar por uma capacitação intensiva para ir para o front. E ela foi. A idade, que para muitos, parecia um peso, foi primordial para absorção dos novos conhecimentos. Os ensinamentos dos Cursos da Escola “Ana Nery” do Quadro Especial do Ministério da Educação e Saúde – Serviço Hospitalar e Nursing Air Evacuation da Base Aérea de MITCHEL Field, em New York United States of America, seriam muito bem aplicados no campo de batalha.

 

Tinha um jeito amazônico de tratar as pessoas. Daqueles que só a simplicidade explica.

 

Se era para chorar, ela não continha as lágrimas.

 

Se era para trabalhar, ela não media esforços.

 

Se era para sorrir, ela não negava a alegria.

 

Se era para consolar, ela fazia o melhor possível.

 

Se era cuidar, ela era mestre no assunto.        

 

Sua dedicação foi tanta, que após a guerra foi readmitida no Serviço de Saúde da Força Aérea Brasileira, onde permaneceu até o final de 28 de novembro de 1962. Quando foi licenciada definitivamente do Serviço Ativo da FAB, conforme descrito no Boletim nº 225/62 do H.C. Aeronáutica, Maria Diva Campos deixava para trás uma brilhante carreira de serviço ao próximo.

 

Deixava para trás as memórias do 1º Grupo de Caça da Força Aérea Brasileira.

Deixava para trás uma história digna de ser escrita.

Deixava para trás um valioso legado que, pelas vidas que salvara, pode ser subjetivamente mensurado, mas não calculado,

É importante ressaltar que nem tudo foi deixado para trás, pois a Enfermeira Heroína levou consigo, e afixou na parede de sua casa a justa homenagem materializada no Diploma de Medalha de Campanha na Itália, concedido pelo Ministério da Aeronáutica. Uma folha de papel de valor significativo, pois bastava um olhar para Maria Diva lembrar-se dos tempos de caserna, dos tempos de guerra e do quanto é precioso os tempos de paz.

 
Fonte de apoio e consulta:

VALADARES, Altamira Pereira. Álbum Biográfico das Febianas. Batatais – SP: Centro de Documentação Histórica do Brasil. 1976. 116p.

Colaborador:  Vanderley Santos Vieira, é Jornalista, especialista em Comunicação, Oficial R2 (Infantaria) do Exército Brasileiro, Tecnólogo em Administração de Empresas, Escritor, Pós-graduado em Planejamento Estratégico e possui o Curso de Política e Estratégia da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Atualmente desempenha a função de Gerente em uma Multinacional, Voluntário da Defesa Civil de Campo Grande – MS e Sócio Especial da ANVFEB/MS.

Possui as seguintes honrarias: Medalhas: de Serviço Amazônico; Mérito da Força Expedicionária Brasileira; Marechal Machado Lopes; Medalha Cruz da Paz; Marechal Cordeiro de Farias; Mérito da Força Expedicionária Brasileira da Câmara dos Vereadores de Campo Grande – MS; Mérito Legislativo de Campo Grande e Mérito Rondon – Academia de Estudo de Assuntos Históricos – MS.

 


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2 comentários

  1. Exite um erro de imagem

    Maria Diva Campos

    Antonina de Hollanda

    Elas são as mesmas pessoas???

  2. Exite um erro de imagem

    Maria Diva Campos

    Antonina de Hollanda

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