Anjos de Branco – 2º Tenente Enfermeira Maria Conceição Suarez

Quem não tem uma causa pela qual morrer não tem motivo para viver.

Servas-irmãs do que padece

Sem ver a que, seja o que for

Basta sofrer que nos merece

Auxílio e amparo o sofredor

O cenário dos campos de batalha durante a Segunda Guerra mundial apresentava um sem número de pessoas que padeciam com os resultados das batalhas. Sofrimento tinha de sobra e todo e qualquer auxilio e aparo era muito bem recebido.

O Brasil enviou para o Teatro de Operações 73 enfermeiras.

Uma delas era Maria Conceição Suarez. Uma Paranaense nascida no dia 2 de fevereiro de 1909, na cidade de Curitiba. Naquele alegre dia em que a pequena veio ao mundo, o Sr. Bartolomeu Adolfo Vidal Suarez e a Sra Conceição Gonçalves Suarez, não imaginavam que traziam em seus braços uma criança que o no futuro seria uma heroína da Força Expedicionária Brasileira.

E toda enfermeira nos votos seus

Será mensageira do amor de Deus

Pois dispensar guarida, consolação

É lema de nossa vida

É glória de nossa profissão

Os Cursos de Enfermagem: SAMARITANA da Cruz Vermelha Brasileira e Curso de Emergência de Enfermeiras da Reserva do Exército (CEERE – 1ª Turma- 5ª RM), credenciaram Maria com o conhecimento que faltava para embarcar numa aventura chamada Guerra. Nenhum lugar melhor que este para levar a mensagem do amor de Deus, dar guarida, consolação e exercer a gloriosa profissão de enfermagem.

Sua nomeação ao cargo de Enfermeira 3ª Classe, foi transcrita na Portaria nº 6.550, de 03 de junho de 1944. Não demorou muito para chegar a notícia de sua convocação para a Europa que veio nas linhas do SAE, Portaria nº 7.018, de 09 de agosto de 1944. Partiu com o 14º Grupo em 19 de outubro de 1944, rumo à Nápoles (via aérea).

Em toda parte a nosso mando

O sofrimento, a morte até,

A pouco e pouco se abrandando

Faz um remido de um galé

Quando desembarcou na Itália, Maria apresentou-se ao Comando e foi designada para servir n 20 Grupo de Brasileiro em Hospitais Norte-Americanos e em seguida, o Coronel Médico Chefe do S.S. da F.E.B., propôs a transferência da enfermeira para servir na Secção Brasileira de Hospitalização anexa ao 182nd Station Hospital em Nápoles. Os excelentes serviços prestados justificam os elogios recebidos do Tenente Coronel Médico Augusto Sette Ramalho, que assim expressou:

As enfermeiras brasileiras que serviram sob minha direção, agradeço a dedicação e carinho para com os nossos doentes e doentes americanos, no exercício de suas funções se mostraram inaxcediveis, dando um belo exemplo do valor da mulher brasileira nas horas em que só lhe exige todo o esforço e patriotismo.

Trabalhou desde o início em uma enfermaria de grande responsabilidade e soube corresponder ao esforço que lhe foi exigido. demonstrou capacidade de trabalho, correção, boa vontade e manteve sempre um alinha de atitude louvável. Agradeço-lhe tudo o que fez, como que manteve o conceito elevado que de si sempre tive.

Nas palavras dos elogios descritos é possível notar que em cada ala do hospital que entrava para tratar dos pacientes, brasileiros ou americanos, Maria abrandou o sofrimento de muitos dos seus pacientes.

Diante de touca de enfermeira

Branca de altruísmo e compaixão

É que mais sente a verdadeira

Fraternidade, o coração

Durante a maior parte do tempo, serviu no 45th General Hospital, mas, de acordo com o item IV do Boletim Interno nº 152, Maria recebeu a ordem de seguir, com os demais elementos da Secção da sua Unidade de Saúde, para o 300th General Hospital em Nápoles.

Chegando lá, pôs a touca de enfermeira na cabeça e mãos a obra. O coração fraterno se compadecia de cada um dos enfermos que ali encontrava. Fazia então o que aprendera nas escolas de formação de enfermagem. Como não há mal que sempre dure, enfim chegou à data da partida. A felicidade do regresso veio com o recebimento de mais um elogio da chefia:

A enfermeira MARIA DA CONCEIÇÃO SUAREZ, que hoje deixa esta Secção para regressar ao Brasil, quero apresentar minhas despedidas e os meus agradecimentos. Os meses que aqui trabalhou desveladamente aos doentes brasileiros e a dedicação, muito contribuiu para o conforto moral dos nossos doentes. Desejo a essa enfermeira os maiores êxitos na vida, como recompensa aos bons serviços prestados na guerra.  

Maria regressou com 10º Grupo em 18.07.1945 (via aérea). O relógio marcava 3 horas da madrugada quando a enfermeira pôs o solo em terras brasileiras na capital do Estado do Rio Grande do Norte. No dia 26 de julho de 1945, foi publicada a promoção à Enfermeira de 1ª Classe. E, por intermédio da Portaria Ministerial nº 8.678, a história com a F.E.B. da heroína chegava ao fim com o seu licenciamento do serviço ativo do Exército.  

De nossas mãos, piedosamente,

Alivio dar fez-se o mister

Tornando em nós, a todo o doente,

Um pouco de mãe cada mulher

A vida é assim. Tendo a missão sido cumprida era hora de Maria seguir seu destino. Lembrava de cada um daqueles soldados que aliviara a dor como se mãe fosse. Casou-se com o Major Gert Greger, Oficial das Forças Aéreas Inglesas. Foi reconhecida com as Medalhas de Guerra e Campanha e Medalha da Cruz Vermelha Brasileira (ouro maciço), de Curitiba.

Sua amiga enfermeira Altamira Pereira transcreveu em sua obra, Album Biográfico das Febianas, uma mensagem que confirma o quanto era solidária Maria Conceição Suarez:

“Foi muito atenciosa, prestativa e colaborou comigo”.

Uma célebre frase de Martin Luther King Jr nos ensina que:

Quem não tem uma causa pela qual morrer não tem motivo para viver”

Maria Conceição e as outras 72 enfermeiras tinha um nobre motivo justificado em cada letra do Hino da Enfermeira neste texto destacado.

Qual a sua causa?

Fonte de apoio e consulta:

VALADARES, Altamira Pereira. Álbum Biográfico das Febianas. Batatais – SP: Centro de Documentação Histórica do Brasil. 1976. 116p.

Anna Nery – Hino da Enfermeira– Música de Eduardo Souto e Letra de Maria Eugênia Celso

Colaboradora: Maria do Socorro Sampaio M. de Barros. Filha da Cap Enf. da FEB ARACY ARNAUD SAMPAIO.

É Psicóloga, membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – DF ( AHIMTB ), Coordenadora de Ação Social UNIPAZ-DF, membro da Ordem Franciscana Secular ( OFS ).

Colaborador:  Vanderley Santos Vieira, é Jornalista, especialista em Comunicação, Oficial R2 (Infantaria) do Exército Brasileiro, Tecnólogo em Administração de Empresas, Escritor, Pós-graduado em Planejamento Estratégico e possui o Curso de Política e Estratégia da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Atualmente desempenha a função de Gerente em uma Multinacional, Voluntário da Defesa Civil de Campo Grande – MS e Sócio Especial da ANVFEB/MS.

Possui as seguintes honrarias: Medalhas: de Serviço Amazônico; Mérito da Força Expedicionária Brasileira; Marechal Machado Lopes; Medalha Cruz da Paz; Marechal Cordeiro de Farias; Mérito da Força Expedicionária Brasileira da Câmara dos Vereadores de Campo Grande – MS; Mérito Legislativo de Campo Grande e Mérito Rondon – Academia de Estudo de Assuntos Históricos – MS.


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1 comentário

  1. Olá, tudo bem!
    Gostaria de saber se alguma das enfermeiras Febianas da segunda guerra era de origem Lituana e morava em uma comunidade lituana no Sul do país? Estou a procura da minha avó, do sei que foi enfermeira na segunda guerra, e era de origem da Lituânia.
    Att

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