Anjos de Branco – 2º Tenente Enfermeira Lilia Pereira da Silva

Lilia Pereira da Silva

Raras são as pessoas que enxergam a esperança onde não há nenhuma

O Século XX caracterizou-se por movimentos de constantes mudanças de valores e papéis em diversos períodos como o da Segunda Grande Guerra Mundial. Nesta época, uma parte da humanidade, ameaçada por opressivas forças de extermínio tornou-se frágil e necessitada de proteção. Sob este domínio, os sentimentos ganharam outros contornos, fazendo daqueles personagens seres em construção na busca da sobrevivência, de seu desenvolvimento e de realizações de potencialidades necessárias para criação de alternativas que ajudassem a vencer as adversidades. É justamente em cenários como este, em meio às ruínas e o caos, que surgem raras pessoas com a capacidade de enxergar esperança onde não há nenhuma.

Esperança significa acreditar que aquilo que se deseja pode acontecer. Ela nasce de um fundamento lógico ou da fé. Durante o conflito, quando a luta oferecia alguma remota chance de êxito, o senso de autopreservação encontrava a aceitação de alguns e, aos poucos, se espalhava para os outros. Esta confiança era a arma que as pessoas usavam como motivação para conquista de um futuro melhor, era o alicerce para expor seus anseios, era o fio condutor que traçava o roteiro real de suas vitórias e de seus planos compartilhados com os menos esperançosos. Essa transferência de objetivos criava uma realidade que resistia criativamente ao ambiente que ameaçava a vida.

Uma dessas raras pessoas, que viveu intensamente essa ambígua situação, foi à expedicionária Lilia Pereira da Silva. Nascida em Campos, Estado do Rio de Janeiro, a filha do Sr. Paulino Pereira da Silva e Sra. Haideé Guimaraes da Silva, não se intimidou com a distância que a separava do conflito e viu nele a oportunidade de realizar um feito grandioso. Antes era preciso superar os obstáculos da rígida seleção. Vencida esta etapa, viria o Curso de Emergência de Enfermeiras da Reserva do Exército (CEERE) – 2ª Turma – 1ª Região Militar que, somado ao Curso de Voluntária Socorrista, seriam suficientes para concretizar seu objetivo.

O encanto da vida muitas vezes depende de pessoas especiais. São elas que sustentam famílias, projetos, sonhos e dão sentido a nossa existência através de atos que solidificam no tempo e jamais se apagam. Quando Lilia foi nomeada Enfermeira 3ª Classe, da Força Expedicionária Brasileira, pela Portaria nº 8.077, de 29 de julho de 44, ela sabia que aquele documento tornaria seu plano – para muitos uma utopia – realidade. No dia 29 de novembro do mesmo ano, ela partiu com 13º Grupo, rumo à Nápoles.

Em solo Europeu serviu por cinco meses no 300th General Hospital dedicando-se a salvar vidas. Infelizmente a enfermeira tombou enferma e foi retirada da zona de combate chegando ao Brasil em 17 de março de 1945.

Um pré-requisito para mudar os resultados que você tem obtido na vida é tornar-se consciente das suas crenças. Numa época de incertezas Lilia idealizou metas que foram transformadas em ações práticas que abriram os caminhos para FEB. Para veterana a sensação do dever cumprido era o suficiente para saciar seu ego, contudo, para o Exército, o reconhecimento merecia ser materializado em duas condecorações: 1. Medalha de Guerra / 2. Medalha de Campanha. (fotos).

O curioso de toda esta empolgante história é que ela se perpetua e solidifica durante o tempo. 69 anos depois ela serve como modelo para as gerações atuais. Luana Nichols, acadêmica do Curso de Enfermagem, conhece bem a história de Febianas como Lilia. Para a universitária a heroína é um exemplo a ser seguido e sobre a atitude de nossa personagem principal tem a seguinte opinião: “Foram atos impensados para alguns, mas, para a veterana, suas ações representaram nada mais do que a aplicação do amor, do desapego e da compreensão. Foi a mais completa expressão de respeito ao próximo”. Adriana Alves, aluna do curso de psicologia complementou com um célebre texto de Alan Kardec, as impressões que teve a respeito da postura da enfermeira:

“Com que direito exigiríamos dos nossos semelhantes, melhor proceder, mais indulgência, mais benevolência e devotamento para conosco do que os temos para com os outros? A prática dessas máximas tende á destruição do egoísmo. Quando adotarem como regra de conduta e a base de suas instituições, os homens compreenderão a verdadeira fraternidade e farão que entre eles reine a paz e a justiça”.

Ao ler o texto acima, fica muito fácil compreender os motivos que levaram uma mulher enfrentar os preconceituosos desafios sociais de uma década complicada para por em prática a mais pura solidariedade cujo fim dessa emocionante aventura ficou registrado na Portaria publicada no Diário Oficial de 05 de abril de 1945. Sob o número de 8.077, a 2ª Tenente Enfermeira foi licenciada das fileiras da FEB. Podemos concluir que além de heroína, e esta veterana era simplesmente uma rara pessoa que enxergava a esperança onde não havia nenhuma.

Fonte de apoio:
VALADARES, Altamira Pereira. Álbum Biográfico das Febianas. Batatais – SP: Centro de Documentação Histórica do Brasil. 1976. 116p.

Vanderley-Santos-Vieira6463621Colaborador: Vanderley Santos Vieira, é Jornalista, especialista em Comunicação, Oficial R2 (Infantaria) do Exército Brasileiro, Tecnólogo em Administração de Empresas, Escritor, Pós-graduado em Planejamento Estratégico e possui o Curso de Política e Estratégia da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Atualmente desempenha a função de Gerente em uma Multinacional, instrutor, Voluntário da Defesa Civil de Campo Grande – MS e Sócio Especial da ANVFEB/MS.

Possui as seguintes honrarias: Medalhas: de Serviço Amazônico; Mérito da Força Expedicionária Brasileira; Marechal Machado Lopes; Medalha Cruz da Paz; Marechal Cordeiro de Farias; Mérito da Força Expedicionária Brasileira da Câmara dos Vereadores de Campo Grande – MS; Mérito Legislativo de Campo Grande; Mérito Rondon – Academia de Estudo de Assuntos Históricos – MS e Distinção Emblema de Oro – Instituto Técnico “Promoción Profesional Del Ejército” Bolívia.


COMPARTILHE ESSE ARTIGO!

Facebook Twitter Email Plusone



VEJA ALGUNS ARTIGOS QUE POSSAM LHE INTERESSAR!

1 comentário

  1. Leonel de Emerick dos Santos /

    É com muito orgulho que tomo conhecimento dessa homenagem a essa valorosa mulher Lilia Pereira da Silva, que foi minha madrinha de casamento, é de suma importância que todos os nossos heróis que participaram da segunda-guerra mundial e de outros conflitos sejam lembrados com as honras que merecem devido a isso parabenizo o Portal da FEB pela iniciativa.

    Cordialmente,

    Leonel de Emerick dos Santos

Deixar um comentário

Premium WordPress Themes