Anjos de Branco – 2º Tenente Enfermeira Jandyra Faria de Almeida

E o risco?

Uma célebre frase de Peter Ducker afirma que existe o risco que você não pode jamais correr, e existe o risco que você não pode deixar de correr. Um suposto ataque polonês a uma estação de rádio alemã – que mais tarde ficou provado que não aconteceu – foi a justificativa para Alemanha invadir a Polônia, utilizando a tática da Guerra Relâmpago (Blitzkrieg), com tropas blindadas e mecanizadas por terra, enquanto aviões da esquadra alemã bombardeavam as cidades de Kattowitz, Cracovia, Grodnow e Wasterplatte.

Assim começa o “era uma vez” que deu inicio a Segunda Grande Guerra Mundial. Eis o risco que você não pode deixar de correr observado por Peter Ducker, ainda mais quando se trata de um chamado para evitar que mais vidas se percam. Enfermeiras e médicos, num conflito que diariamente deixava um saldo inumerável de baixas, poderiam ser considerados profissionais extremamente valiosos. Verdadeiros anjos.

Neste texto, apresentamos uma dessas profissionais de valor imensurável. Era baiana, nascida em 16 de dezembro de 1922, na cidade Itaparica. Uma mulher que buscava no exemplo dos pais Fernando de Souza Almeida e Corina Faria de Almeida, uma chance de mostrar para o mundo que o destino oferece oportunidades de fazer valer a pena ter vivido.

E o risco?

Nomeada Enfermeira de 3ª Classe pela Portaria nº 6.884 de 24.07.1944, Jandyra foi convocada pela “SAE”-Portaria nº 7.018 de 09.08.1944, e no dia 19-10.1944, partiu com o 4º Grupo destino Nápoles (via aérea). Estava chegando a hora de aplicar os conhecimentos adquiridos nos Cursos de Enfermagem; Enfermeira Prática e Curso de Emergência de Enfermeiras da Reserva do Exército (CEERE) da 6ª Região Militar.

E o risco?

Os combates corriam soltos no teatro de operações. O número de feridos não parava de crescer. Alheia aos perigos da guerra, a enfermeira serviu no 45th General Hospital e 300th General Hospital, ambos em Nápoles. Trabalhou ainda no 7th Station Hospital, em Livorno e sua dedicação não deixou de ser percebida pelo Tenente Coronel Médico Dr. Augusto Sette Ramalho que, ao deixar os campos de batalha, registrou a seguinte referência elogiosa:

“Irradiando simpatia, simples e boa, trouxe aos doentes que ficaram sob os seus cuidados, não somente o socorro técnico da enfermagem, mas ainda o socorro espiritual, de sua bondade. Soube cercar-se de um ambiente de simpática afeição de seus doentes que vêem nela, além de enfermeira, a criatura amiga em que confiam serenamente. Suas qualidades pessoais trazidas em auxílio da enfermagem, fizeram-na a enfermeira ideal que se tem mantido”.  (Bol. Int. nº 99 da S.B.H. – Nápoles).

 

Jandyra recebeu a ordem para regressar ao Brasil no dia 07.07.1945 – 8º Grupo (via aérea). Sua missão na Europa estava cumprida. Foi reconhecida e condecorada com as Medalhas de Campanha e Guerra. Anos depois, a Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira também faz sua justa homenagem entregando para heroína a Medalha Mascarenhas de Moraes.

E o risco?

Sem sombra de dúvidas, ele existia, mas sua determinação e a vontade de salvar vidas agiam como escudo para superá-los. O elogio descrito no Boletim Interno número 170, explica em parte um dos motivos pelo qual Jadyra fez questão de arriscar sua pele no front:

 “É com prazer que a ela me dirijo, a capacidade de ação demonstrada a colocou em situação elevada. Com paciência, atenção e desvelo, cuidou dos pacientes brasileiros que estiveram sob os seus cuidados. Não mediu esforços para levar aos enfermos o conforto moral e assistência profissional. Essa colaboradora merece de todos uma parcela grande de admiração pelo muito que fez em beneficio dos brasileiros atingidos pelos malefícios da guerra”.

Por todos aqueles que foram tão bem cuidados por ti Jandyra, fica aqui o registro de nossos sinceros agradecimentos.

“Existe o risco que você não pode jamais correr, e existe o risco que você não pode deixar de correr”.

(Peter Ducker)

 

Fonte de consulta e apoio:

VALADARES, Altamira Pereira. Álbum Biográfico das Febianas. Batatais – SP: Centro de Documentação Histórica do Brasil. 1976. 116p.

 

Colaboradora: Maria do Socorro Sampaio M. de Barros. Filha da Cap Enf. da FEB ARACY ARNAUD SAMPAIO.

É Psicóloga, membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – DF ( AHIMTB ), Coordenadora de Ação Social UNIPAZ-DF, membro da Ordem Franciscana Secular ( OFS ).

Colaborador:  Vanderley Santos Vieira, é Jornalista, especialista em Comunicação, Oficial R2 (Infantaria) do Exército Brasileiro, Tecnólogo em Administração de Empresas, Escritor, Pós-graduado em Planejamento Estratégico e possui o Curso de Política e Estratégia da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Atualmente desempenha a função de Gerente em uma Multinacional, Voluntário da Defesa Civil de Campo Grande – MS e Sócio Especial da ANVFEB/MS.

Possui as seguintes honrarias: Medalhas: de Serviço Amazônico; Mérito da Força Expedicionária Brasileira; Marechal Machado Lopes; Medalha Cruz da Paz; Marechal Cordeiro de Farias; Mérito da Força Expedicionária Brasileira da Câmara dos Vereadores de Campo Grande – MS; Mérito Legislativo de Campo Grande e Mérito Rondon – Academia de Estudo de Assuntos Históricos – MS.


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