Anjos de Branco – 2º Tenente Enfermeira Isabel Novaes Feitosa

Uns nascem para causar a dor e, outros, para aliviá-las…

Isabel Novaes Feitosa

Era uma vez um homem pequenino que guardava um mal consigo que um dia aterrorizaria o planeta.

Era uma vez uma mulher, aparentemente frágil que tinha um dom que amenizaria a dor das pessoas.

O nome dele: Adolf Hitler.

O dela: Isabel Novaes Feitosa.

A menina nasceu em Propriá – SE, em 17 de agosto de 1922. Era filha de Manoel Joaquim Aragão Feitosa e Maria Isaura Novaes Feitosa.

Já o menino, nascido em 20 de abril de 1889, em Braunau am Inn, na Áustria, era filho de Klara Pölzl e Alois Schicklgruber.

O que Isabel e Hitler tinham em comum?

Como as histórias de ambos se cruzaram?

O que o ato de um representou na vida do outro?

O fato é que o tempo passou. As crianças cresceram e viram os jornais do mundo anunciar:

1 de setembro de 1939 – Começa a Segunda Guerra Mundial

Adolf estava feliz da vida por que naquele dia começava a reconquista de um território usurpado de seu país na Primeira Grande Guerra. Era o inicio de uma doce vingança.

Isabel, por enquanto, apenas seguia sua rotina sem imaginar o que o futuro reservara para si.

Ninguém na face da terra cogitava que ali naquele pequeno país da Europa estaria começando o maior conflito militar da História que duraria seis anos, que provocaria a morte de mais de 50 milhões de pessoas e que envolveria 72 nações.

E o Brasil?

Não ficou de fora e nem ficaria.

Os ataques às embarcações brasileiras estremeceriam as boas relações entre brasileiros e alemães. A pressão dos aliados exigia uma resposta do governo. E logo, sem ter como ignorar o óbvio, no dia 22 de agosto de 1943, o Presidente declarava guerra ao eixo.

O anuncio do estabelecimento de Estado de Guerra marcava o inicio da mudança radical na vida de Isabel. No dia 15 de março Getúlio Vargas, aprovou o envio de tropas para combater na Europa e criou a Força Expedicionária Brasileira. Começava a mobilização. Voluntários se apresentaram entre eles, aquela aparente frágil moça.

– É isso mesmo que você quer? Perguntavam alguns incrédulos.

– Não tenho nenhuma dúvida disso. Respondia resoluta.

Matriculou-se e foi aprovada no Curso de Enfermagem: SAMARITANA da Cruz Vermelha Brasileira em Sergipe e no Curso de Emergência de Enfermeiras da Reserva do Exército (CEERE) da 6ª Região Militar. Estava devidamente credenciada e habilitada quando e recebeu a ordem para partir com 15º Grupo rumo Nápoles. No dia 29 de outubro de 1944, cruzou o oceano. Os feridos em combate aguardavam ansiosos a chegada de mais um anjo de branco.

Isabel desembarcou no front e iniciou sua missão.

Viu a morte entrar nos hospitais para buscar suas vítimas e lutou incansavelmente para impedi-la.

No final do dia chorava com as perdas.

Na manhã seguinte levantava motivada. Suas forças eram renovadas com a chegada de novos pacientes que cruzavam as portas das enfermarias. Socorro ouviu a seguinte história contada por Isabel:

Havia um garoto nordestino, muito ferido, típico menino do interior, xucro mesmo. Eu fui cuidar dele. Precisava lavar as feridas, queimaduras, e lhe disse:

– Agora vou lhe dar um banho de leito.

Ele arregalou os olhos, fechou a cara e  se cobriu todo dizendo:

– Mulher nenhuma vai me dar banho! Só minha mãe fez isso.

Com muito custo e paciência expliquei que era só um pano molhado no rosto, braços, pernas e peito. Ainda tenso ele concordou e ao final tomou minha mão beijou e agradeceu:

– A senhora foi à primeira mulher, depois da minha mãe, que me deu banho

Vida que segue.

Cada um com sua tarefa.

Hitler lutava para exterminar.

Isabel para salvar.

Um representava a vida.

O outro a morte.

O destino sabia exatamente qual a missão de cada um deles.

Ambos fizeram o que deveria ser feito. Sem rodeios, capricharam.

O mundo chorava por dois motivos:

Ou de tristeza pelas perdas. Ou de alegria pelos reencontros.

Naquela época, sobreviver aquele massacre era considerado um milagre.

Então, a Guerra acabou.

O saldo: a humanidade ainda tenta chegar a um consenso.

E os nossos personagens?

Adolf morreu. Suicidou-se?

Isabel regressou ao Brasil no dia 07 de julho de 1945 com o 8° Grupo (via aérea); recebeu as Medalhas de Guerra e de Campanha; foi licenciada da FEB pela Portaria nº 8.678 de 06 de outubro de 1945; serviu ao Exército Brasileiro na Policlínica Militar em Salvador – Bahia, na Praia Vermelha até a sua Reforma em 1975 e entrou para história como uma das 73 heroínas que estiveram no Front Europeu lutando pela vida.

E assim terminamos nossa história exatamente como começamos:

Era uma vez um homem pequenino, mas guardava um mal consigo que um dia aterrorizaria o planeta.

Era uma vez uma mulher, aparentemente frágil, mas que tinha um talento único de amenizar a dor das pessoas.

O nome dele: Adolf Hitler.

O dela: Isabel Novaes Feitosa.

Conclusão:

Uns nascem para causar a dor e, outros, para aliviá-las…

Isabel ao lado de Carlota Mello (em pé) e sentadas Jandira Bessa de Meireles e Elza Miranda da Silva, durante o II Congresso Nacional  das Enfermeiras da FEB em Brasília, 1982

Fonte de consulta e apoio:

VALADARES, Altamira Pereira. Álbum Biográfico das Febianas. Batatais – SP: Centro de Documentação Histórica do Brasil. 1976. 116p.

 

Colaboradora: Maria do Socorro Sampaio M. de Barros. Filha da Cap Enf. da FEB ARACY ARNAUD SAMPAIO.

É Psicóloga, membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – DF ( AHIMTB ), Coordenadora de Ação Social UNIPAZ-DF, membro da Ordem Franciscana Secular ( OFS ).

 

Colaborador:  Vanderley Santos Vieira, é Jornalista, especialista em Comunicação, Oficial R2 (Infantaria) do Exército Brasileiro, Tecnólogo em Administração de Empresas, Escritor, Pós-graduado em Planejamento Estratégico e possui o Curso de Política e Estratégia da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Atualmente desempenha a função de Gerente em uma Multinacional, Voluntário da Defesa Civil de Campo Grande – MS e Sócio Especial da ANVFEB/MS.

Possui as seguintes honrarias: Medalhas: de Serviço Amazônico; Mérito da Força Expedicionária Brasileira; Marechal Machado Lopes; Medalha Cruz da Paz; Marechal Cordeiro de Farias; Mérito da Força Expedicionária Brasileira da Câmara dos Vereadores de Campo Grande – MS; Mérito Legislativo de Campo Grande e Mérito Rondon – Academia de Estudo de Assuntos Históricos – MS.


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2 comentários

  1. Rubens Goni Junior /

    Tia Isabel era como eu chamava !!!! Morou com minha família por anos na Rua Santo Amaro no Bairro da Glória no RJ !!!! Muito querida por todos !!! Nos deixou na década de 90 !!!

  2. Ana maria da silva /

    Sou sobrinha da Tenente Isabel, ajudou minha mãe a criar os filhos, a qual nos chamava de gatinhos, Tia vc foi uma guerreira, descance em paz minha tia querida, Saudades!

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