Anjos de Branco – 2º Tenente Enfermeira Ignacia de Mello Braga

Vários livros foram escritos por personagens brasileiros que participaram da Segunda Grande Guerra Mundial, principalmente os expedicionários. João Batista Mascarenhas de Moraes, Comandante da Força Expedicionária Brasileira (F.E.B.), seguindo a lógica, também escreveu uma obra sobre os feitos da tropa brasileira sob seu comando. São 354 páginas com informações técnicas e práticas dos desdobramentos da F.E.B. no front.

No livro intitulado A F.E.B. Pelo seu Comandante, publicado pela Biblioteca do Exercito, o General narra fatos importantes das batalhas dos expedicionários contra o ‘eixo do mal’. Cada combate contado tem suas conseqüências. É exatamente ai que história de umas das enfermeiras se entrelaça com a história da F.E.B. Na pagina 62, Mascarenhas cita em nota de rodapé:

Os dados estatísticos apuraram, no período de novembro de 1944 a janeiro de 1945, 4.365 baixas em nossas tropas, assim discriminadas: 183 mortos, 15 extraviados, 619 feridos, 318 acidentados e 3.230 doentes. (MORAES, 2005, p 62).

Imaginem 4.167 militares em busca de apoio hospitalar. Cabe ressaltar que esses números não representam o período total das baixas brasileiras no conflito, compreende apenas três meses. Outro fato que merece consideração, é que o Serviço de Saúde não atendia apenas os brasileiros, mas também, americanos, ingleses, italianos e até alemães. O fato mostra a dimensão da titânica tarefa das enfermeiras no front. Entre essas mulheres, estava à filha de Américo Fernandes Braga e Elzira de Mello Braga, Ignácia de Mello Braga.

Nascida na capital do Estado do Rio de Janeiro, a 2º Tenente Enfermeira capacitou-se nos Cursos de Enfermagem Voluntária Socorrista da Cruz Vermelha Brasileira e aperfeiçoou-se no Curso de Emergência de Enfermeiras da Reserva do Exército (CEERE).

Era 6 de abril de 1944, quando Ignácia recebeu a noticia de que a Portaria nº 6.293 oficializava sua nomeação como enfermeira 3ª Classe. Dias depois, no Diário Oficial de 22 de Abril, convocava a militar para compor o efetivo da F.E.B. No dia 7 de julho de 44, a febiana partia rumo ao Teatro de Operações na Itália.

Já no front, o Serviço de Saúde designou Ignácia para servir em Nápoles, no 45th General Hospital. Dali a enfermeira foi transferida, por necessidade do serviço para cumprir missão em Livorno, no 7th Station Hospital, onde ficou até o último dia de sua permanecia na Itália.

Ignácia, como todas as outras enfermeiras, teve que se desdobrar para cumprir a titânica tarefa de cuidar de milhares de soldados feridos. Muitas vezes o cansaço era ignorado para que vidas fossem salvas. Sua atribuição foi tão bem cumprida que pelos relevantes serviços prestados recebeu do Exército Brasileiro duas medalhas: de Campanha & de Guerra. A portaria nº 8.411 licenciou a heroína do serviço ativo.

Por desígnio do destino, Ignacia casou-se com um expedicionário, mas esta é outra história.

Fonte de apoio e consulta:

VALADARES, Altamira Pereira. Álbum Biográfico das Febianas. Batatais – SP: Centro de Documentação Histórica do Brasil. 1976. 116p.

Colaborador:  Vanderley Santos Vieira, é Jornalista, especialista em Comunicação, Oficial R2 (Infantaria) do Exército Brasileiro, Tecnólogo em Administração de Empresas, Escritor, Pós-graduado em Planejamento Estratégico e possui o Curso de Política e Estratégia da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Atualmente desempenha a função de Gerente em uma Multinacional, Voluntário da Defesa Civil de Campo Grande – MS e Sócio Especial da ANVFEB/MS.

Possui as seguintes honrarias: Medalhas: de Serviço Amazônico; Mérito da Força Expedicionária Brasileira; Marechal Machado Lopes; Medalha Cruz da Paz; Marechal Cordeiro de Farias; Mérito da Força Expedicionária Brasileira da Câmara dos Vereadores de Campo Grande – MS; Mérito Legislativo de Campo Grande e Mérito Rondon – Academia de Estudo de Assuntos Históricos – MS.


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1 comentário

  1. RONALDO BRAGA /

    A IGNÁCIA É MINHA TIA, IRMÃ DE MEU FALECIDO PAI. DURANTE SEU TRABALHO COMO ENFERMEIRA NA GUERRA, VEIO A CONHECER O GENERAL BLAUTH, QUE SOFRERA UM ACIDENTE E PERDEU A PERNA DIREITA. DESSE ENCONTRO VIERAM A CASAR E TIVERAM TRÊS FILHOS. SEUS ÚLTIMOS DIAS FORAM EM PORTO ALEGRE.

    SAUDADES

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