Anjos de Branco – 2º Tenente Enfermeira Heloisa Cecília Villar

Heloisa Cecilia Villar

Os sonhos não determinam aonde vamos chegar…

Geralmente as pessoas reservam o mês de dezembro para fazer sua retrospectiva. Fazem reflexões sobre suas vitórias, suas derrotas, suas alegrias, suas tristezas… aproveitam para determinar quais os planos para o ano seguinte. E assim a vida segue de promessas. Realizá-las ou não depende exclusivamente de si. Simples assim.

Os sonhos não determinam o lugar aonde vamos chegar, mas produzem a força necessária para nos tirar do lugar onde estamos. Libertam-nos da condição de espectadores e nos tornam atores sociais.

Tem coisas que fazemos que raramente são lembradas. Por outro lado, tem coisas que são inesquecíveis e entram no nosso ranking das histórias que adoramos contar para amigos, filhos, irmãos, netos… E são histórias que se perpetuam por um bom tempo. Assim foi a de Heloisa Cecilia Villar. Confesso que não sei onde ela esta neste exato momento. Não sei se casou. Se teve filhos ou Netos. Mas, apesar de desconhecer o presente dessa admirável mulher, conheço um pouco do seu passado de quem me aproprio para ilustrar o título deste artigo.

Filha de Almirante Frederico Villar e Emilia Ferreira Villar, Heloisa nasceu na cidade fundada pela iniciativa de Dom Pedro II. Localizada na Região Serrana Fluminense, famosa pelo clima ameno, pelas construções históricas e pela abundante vegetação, Petrópolis acrescentaria ao seu currículo o fato de sido o berço de uma das heroínas da Força Expedicionária Brasileira.

O título de heroína começou a ser construído quando ela resolveu se matricular no Curso de Enfermagem Samaritana da Cruz Vermelha Brasileira sendo aprovada com louvor. O 1º Batalhão de Caçadores de Petrópolis teve o privilégio de receber Heloisa como estagiária. A experiência adquirida na organização militar foi primordial durante sua permanência no Curso de Emergência de Enfermeiras da Reserva do Exército (CEERE) – 1ª Turma – DF – 1ª Região Militar.

Com a aprovação no CEERE, o caminho estava traçado.

Uma decisão precisava ser tomada. Ela certamente mudaria sua vida para sempre.

Os sonhos não determinam o lugar aonde vamos chegar, mas produzem a força necessária para tirá-los do lugar que nos encontramos. Sonhem com as estrelas para que vocês possam pisar pelo menos na Lua. Sonhem com a Lua para que vocês possam pisar pelo menos nos altos montes. Sonhem com os altos montes para que vocês possam ter dignidade quando atravessarem os vales das perdas e das frustrações. Bons alunos aprendem a matemática numérica, alunos fascinantes vão além, aprendem a matemática da emoção, que não tem conta exata e que rompe a regra da lógica. Nessa matemática você só aprende a multiplicar quando aprende a dividir, só consegue ganhar quando aprende a perder, só consegue receber, quando aprende a se doar…” (Augusto Cury).

Decidiu.

Ia para Guerra. Algo mais? Não. Não precisa de argumentos. Já tinha todos. Não precisava de desculpas. Sabia exatamente o que estava fazendo. Não precisava de perguntas. Já tinha as respostas. Não precisa de um por que. Já conhecia o como.

Foi então nomeada Enfermeira 3a Classe, pela Portaria nº 6.275 (D.O. de 5.4.44).

Depois convocada para o SAE por meio da Portaria nº 6.382 (D.O. 20.4.44).

Embarcou rumo ao front no dia 16 de agosto de 1944, com o 5º Grupo rumo à Nápoles.

Ao desembarcar na Itália serviria no ir no 38th Evacuation Hospital, em Cecina (Santa Luce) e Pisa e 7th Station Hospital, em Livorno. Dedicou-se ao máximo e ignorou os sinais do corpo. A indiferença custou sua baixa. O Dr decidiu pela evacuação.

Conta uma amiga que neste dia ela chorou, ponderou, contra argumentou, insistiu e resignou-se apenas quando o médico explicou o motivo de sua decisão:

– Basta. Sua missão já foi cumprida e a humanidade é grata pelo que fez. Não queremos outra família brasileira enlutada. Ainda mais quando podemos impedir que isso aconteça. Precisas de tratamento fora daqui. Por favor, entenda!

Era uma mulher consciente e sábia. Entendeu e retornou ao Brasil para se tratar.

Nada é mais criativo ou destrutivo do que uma mente brilhante com um propósito.
Heloisa Cecilia Villar tinha um propósito criativo e uma mente brilhante.

Concretizou não um, mas vários sonhos.

O licenciamento do Serviço Ativo do Exército oficializado pela Portaria nº 8.077 de 31 de março de 1945 encerrava um capítulo da história da Enfermeira que até hoje é lembrada por muitos.

Chegou onde poucas mulheres ousariam por o pé naqueles tempos difíceis.

E é com o exemplo desta heroína da Força Expedicionária Brasileira que desejamos um feliz ano novo.

Que os seus desejos ultrapassem a barreira da utopia.

A redundância da palavra sonho neste texto é proposital, pois a intenção é que eles se tornem realidade e nunca deixem de existir em sua vida.

Afinal:

Sem sonhos, a vida não tem brilho.

Sem metas, os sonhos não têm alicerces.

Sem prioridades, os sonhos não se tornam reais.

Sonhe, trace metas, estabeleça prioridades e corra riscos para executar seus sonhos.

Melhor é errar por tentar do que errar por omitir!

 

 

Fonte de apoio:

VALADARES, Altamira Pereira. Álbum Biográfico das Febianas. Batatais – SP: Centro de Documentação Histórica do Brasil. 1976. 116p.

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Colaborador:  Vanderley Santos Vieira, é Jornalista, especialista em Comunicação, Oficial R2 (Infantaria) do Exército Brasileiro, Tecnólogo em Administração de Empresas, Escritor, Pós-graduado em Planejamento Estratégico e possui o Curso de Política e Estratégia da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Atualmente desempenha a função de Gerente em uma Multinacional, instrutor, Voluntário da Defesa Civil de Campo Grande – MS e Sócio Especial da ANVFEB/MS.

Possui as seguintes honrarias: Medalhas: de Serviço Amazônico; Mérito da Força Expedicionária Brasileira; Marechal Machado Lopes; Medalha Cruz da Paz; Marechal Cordeiro de Farias; Mérito da Força Expedicionária Brasileira da Câmara dos Vereadores de Campo Grande – MS; Mérito Legislativo de Campo Grande; Mérito Rondon – Academia de Estudo de Assuntos Históricos – MS e Distinção Emblema de Oro – Instituto Técnico “Promoción Profesional Del Ejército” Bolívia.


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4 comentários

  1. marta da silva paz /

    parabéns a todos(as)….

  2. Ana Carolina P O Villar Mendes Franco /

    Sou neta de Heloisa Cecília e fiquei emocionada com o texto dedicado a ela. Ela teve 4 Filhos e morou em Petrópolis onde faleceu há poucos anos. Saudades enormes desta eterna guerreira/anjo. Foi o anjo da minha vida, meu eterno amor!!

  3. Carlos Frederico Villar Mendes Franco /

    Obrigado pelas lindas palavras. Heloisa casou-se teve 4 filhos e 10 netos que tem muito orgulho dela. E guerreira como sempre foi morreu aos 93 anos em agosto de 2010.

  4. Maria Lucia Villar /

    Sobre a matéria Anjos de Branco, lindíssima, Heloisa Cecília Villar era minha tia! Irmã de minha mãe. Vovô Frederico era Almirante da Marinha, um homem que fez a nacionalização da pesca no Brasil!

    Como eu entro em contato com o autor da matéria?

    Vou deixar meu e-mail malucabral@gmail.com

    Att

    Maria Lucia Villar

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