Anjos de Branco: 2º Tenente Enfermeira Antonina de Hollanda

AS PESSOAS NUNCA ESQUECERÃO DO QUE VOCÊ AS FEZ SENTIR

 Existe um adágio popular que diz o seguinte:

 - As pessoas esquecerão o que você disse…

- Esquecerão o que você fez…

- Mas nunca esquecerão o que você as fez sentir.

Proponho agora um breve exercício mental.

O que você tem feito para fazer com que as pessoas ao seu redor sintam-se melhores.

Para facilitar a tarefa pense apenas em pessoas próximas. Seus pais, seus irmãos, tias, esposas, maridos, avós, filhos etc.

Agora imagine que o Brasil entrou em Guerra.

A Terceira Guerra Mundial para ser mais específico.

É importante ressaltar que de 1939 para 2013 a indústria bélica aperfeiçoou ainda mais sua já extraordinária capacidade de destruir. Se considerarmos a utilização das bombas nucleares, o uso de temidas armas biológicas e a ajuda de uma tecnologia antes vista somente em filmes de ficção cientifica, concluímos que a impressionante contabilidade de mortos e feridos do último conflito servirá apenas como ponto de partida para referenciar as baixas das primeiras semanas de combate.

Um sábio conselho alerta que não devemos esperar por uma crise para descobrir o que é importante em nossas vidas. Não é preciso esperar por uma guerra; pela notícia de uma doença incurável; o anúncio de um acidente imprevisto ou ser abatido pela dor de uma morte inesperada para mudar nossos hábitos e cuidar de quem está por perto.

A reflexão serve para ilustrar o comportamento de uma pernambucana nascida em Recife que fazia o bem, sem olhar a quem. No das mães, das noivas e das mulheres, o Sr Manoel José Martins e Dona Felismina Maria de Carvalho Martins, receberam das mãos do obstreta uma criança que ganhou o nome de ANTONINA DE HOLLANDA MARTINS.

Uma garotinha que, anos mais tarde, ouviria comentários sobre as técnicas de combate inovadoras e extremamente eficazes utilizadas pelo Exército Alemão. Os relatos descreviam que aquelas forças armadas eram praticamente imbatíveis e mortais. O Império do Mal, quando em ação, tornavam-se impecáveis na arte de subjugar quem se atrevesse a desafiá-los. Militares explicavam que se aquela eficiência fosse mantida, logo o mundo cairia aos pés de Hitler.

As informações deixaram-na apreensiva, mas não o suficiente para amedronta-la. Antonina aguardou pacientemente até que a oportunidade para agir se apresentou por meio da convocação de profissionais de saúde. Alistou-se e assumiu a função de Enfermeira. Tinha o conhecimento, todavia, era preciso aprimorá-lo. Assim o fez nos Cursos da Escola “Ana Nery” do Quadro Especial do Ministério da Educação e Saúde – Serviço Hospitalar e Nursing Air Evacuation da Base Aérea de MITCHEL Field, em New York United States of America.

No dia 16 de outubro de 1944 chegou ao porto de Livorno sendo designada para servir no 154th Station Hospital / 105th entre Cevitavecchia e Tarquinia e no 12th General Hospital. Tudo o que aprendera foi exigido e aplicado. Sem medir esforços, Antonina trabalhou arduamente até o dia 20 de junho 1945 para aliviar a dor, o desconforto, a impotência e a imobilidade causada pelos ferimentos dos combates. O alento e os cuidados que receberam no leito do hospital de campanha jamais serão esquecidos pelos pacientes.

Com o cessar fogo a paz se fez presente e com ela a noticia do retorno. Em 3 de julho de 1945 a enfermeira desembarcou no Rio de Janeiro aliviada. Trazia consigo a notícia de que o conflito havia acabado.

Antonina recebeu, por dever de justiça e pelos bons serviços prestados, o Diploma de Medalha de Campanha na Itália, concedido pelo Ministério da Aeronáutica, porém, o maior reconhecimento foi o resultado de suas ações que fez com que aqueles soldados feridos reencontrassem suas famílias em melhores condições de saúde.

O mais relevante disso tudo é que hoje, 68 anos após o término do conflito, os frutos do trabalho de enfermeiras como Antonina ainda são colhidos por intermédio dos filhos, netos e bisnetos dos heróis da Força Expedicionária Brasileira.

Relembrando o adágio:

- As pessoas esquecerão o que você disse…

- Esquecerão o que você fez…

- Mas nunca esquecerão o que você as fez sentir.

E você?

O que tem feito? 

Fonte de apoio e consulta:

VALADARES, Altamira Pereira. Álbum Biográfico das Febianas. Batatais – SP: Centro de Documentação Histórica do Brasil. 1976. 116p.

Colaborador:  Vanderley Santos Vieira, é Jornalista, especialista em Comunicação, Oficial R2 (Infantaria) do Exército Brasileiro, Tecnólogo em Administração de Empresas, Escritor, Pós-graduado em Planejamento Estratégico e possui o Curso de Política e Estratégia da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Atualmente desempenha a função de Gerente em uma Multinacional, Voluntário da Defesa Civil de Campo Grande – MS e Sócio Especial da ANVFEB/MS.

Possui as seguintes honrarias: Medalhas: de Serviço Amazônico; Mérito da Força Expedicionária Brasileira; Marechal Machado Lopes; Medalha Cruz da Paz; Marechal Cordeiro de Farias; Mérito da Força Expedicionária Brasileira da Câmara dos Vereadores de Campo Grande – MS; Mérito Legislativo de Campo Grande e Mérito Rondon – Academia de Estudo de Assuntos Históricos – MS.


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1 comentário

  1. Exite um erro de imagem

    Maria Diva Campos

    Antonina de Hollanda

    Elas são as mesmas pessoas???

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