Anjo de Branco – 2º Tenente Enfermeira Haydée Rodrigues Costa

O adversário da temida aliada da Guerra

– Aaaaaaaaaaaaai!

– Médico! Médico! Soldado ferido! Soldado ferido!

O tiro alemão foi certeiro. Ao observar o ferimento o doutor confirmou que o disparo havia sido feito de arma pesada. O diagnóstico foi rápido como o projetil que atingiu o pracinha:

– O ferimento é grave. Precisamos removê-lo o mais rápido possível para o 7th Station Hospital. Tragam a maca! Tragam a maca! Gritou o médico.

Esta cena se repetiu milhares de vezes nos campos de batalha na Europa. Sobreviver na Segunda Guerra mundial, dependendo da localização das vítimas e do ferimento, era, muitas vezes, praticamente impossível. O fator resistência e sorte contavam muito. A mais temida aliada da Guerra era implacável. Muitas vezes a morte só resolvia acompanhar seus escolhidos até o hospital para concluir sua missão.

Apesar de lograr diversos êxitos, a insensível morte nunca deixou de encontrar resistência obstinada de um grupo de mulheres que fazia de tudo para retardar sua ação. O serviço iniciado pelos médicos na linha de frente só faria efeito se o processo seguinte fosse bem executado. O trabalho das enfermeiras da Força Expedicionária Brasileira poupou centenas de vidas graças à dedicação e o intenso treinamento. Na prática elas foram muito além do esperado.

Uma dessas nobres mulheres é a filha do Sr Manoel Rodrigues Costa e Luiza Amaral Costa, Haydée Rodrigues Costa. Nascida em Santa Maria Madalena, Estado do Rio de Janeiro, a 2º Tenente Enfermeira buscou capacitar-se nos Curso de Enfermagem Voluntária Socorrista da Cruz Vermelha Brasileira e no Curso de Emergência de Enfermeiras da Reserva do Exército (CEERE).

No dia 6 de abril de 1944, a Portaria nº 6.293 nomeava Haydée enfermeira 2ª Classe e no dia 19 de novembro de 1944, a enfermeira partia para o Teatro de Operações na Itália. Na Europa o conhecimento adquirido nos cursos de enfermagem permitiu Haydée salvar centenas de vidas.

Ao desembarcar no front Haydée foi designada para servir em Livorno, no 7th Station Hospital. Ali a enfermeira viu no corpo de centenas de soldados o poder de destruição das granadas e fuzis. Muitas vezes o improviso era a única saída para todos os profissionais de saúde que, a cada chegada de ambulâncias e macas, traziam homes com ferimentos jamais vistos antes.

A tecnologia a serviço da Segunda Guerra feriu mais de 35 milhões de pessoas. Os números de mortos certamente seriam maiores se o serviço dos militares de saúde não tivesse sido homérico. A prova dessa devoção encontra-se num dos elogios feito pelo General Americano J.I. Martin, Chefe do Serviço de Saúde do 5º Exército, transcrito na folha de alterações de Haydée:

“Meu coração está cheio de orgulho pelas vossas soberbas operações. Durante os vinte meses desta campanha de provações, encontrastes e magnificamente transpusestes toda espécie de obstáculos possíveis de tolherem os passos do Serviço Médico Militar. Amparastes homens da linha de frente como os mais firmes e infatigáveis esforços e a admiração que eles dedicam a vós, assim como a confiança que em vós eles depositam, têm sido gravadas, inúmeras vezes nos anais militares desta guerra. Devido aos vossos feitos, a palavra “Saúde” já se tornou uma insígnia de glória, o mais alto padrão de militares desprendidos de si mesmo e adotadas de infinita devoção ao dever”.

Haydée Rodrigues Costa mostrou-se sempre muito dedicada e nunca se enfadou quando necessária era sua permanência na enfermaria, fora do seu horário de serviço. Pelos relevantes serviços prestados a enfermeira recebeu do Exército Brasileiro e do Governo dos Estados Unidos da América as Medalhas de Campanha e Medalha de Guerra – Brasil e, o Distintivo de “Meritorium Service” – EUA.

Não há como questionar que a participação das enfermeiras da F.E.B. foi significativa e que todas mereceram o título de heroínas. Elas foram preparadas para enfrentar condições adversas, entretanto, no front, as coisas eram muito piores.

De uma hora para outra nossas enfermeiras estavam diante do caos.

Mas isso não foi um problema, pois, rapidamente elas adaptaram-se superando as adversidades.

Logo, a mais temida aliada da guerra, descobriria de que ali, nas S.B.H. seus objetivos não seriam tão facilmente alcançados.

A morte encontrou um adversário a altura.

Tratava-se de um grupo de louváveis adversárias que lutaram incansavelmente a favor da vida.

Eram chamadas de ENFERMEIRAS DA F.E.B.

 

 

Fonte de apoio e consulta:

VALADARES, Altamira Pereira. Álbum Biográfico das Febianas. Batatais – SP: Centro de Documentação Histórica do Brasil. 1976. 116p.

Colaborador:  Vanderley Santos Vieira, é Jornalista, especialista em Comunicação, Oficial R2 (Infantaria) do Exército Brasileiro, Tecnólogo em Administração de Empresas, Escritor, Pós-graduado em Planejamento Estratégico e possui o Curso de Política e Estratégia da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Atualmente desempenha a função de Gerente em uma Multinacional, instrutor, Voluntário da Defesa Civil de Campo Grande – MS e Sócio Especial da ANVFEB/MS.

Possui as seguintes honrarias: Medalhas: de Serviço Amazônico; Mérito da Força Expedicionária Brasileira; Marechal Machado Lopes; Medalha Cruz da Paz; Marechal Cordeiro de Farias; Mérito da Força Expedicionária Brasileira da Câmara dos Vereadores de Campo Grande – MS; Mérito Legislativo de Campo Grande; Mérito Rondon – Academia de Estudo de Assuntos Históricos – MS e Distinção Emblema de Oro – Instituto Técnico “Promoción Profesional Del Ejército” Bolívia.


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