Ahmadinejad diante do Museu do Exército

A antiga Pérsia pouco ou nada tem a ver com os aiatolás.  Assim as Colunas de Persepolis a serem instaladas como presente de um regime abominável carregam junto com o esplendor de Ciro a macula de trazer do Iran o simbolismo da negação dos valores morais que permeiam a sociedade brasileira, aberta, tolerante, multi-racial, multi-religiosa e democratica.

O local não poderia ser pior,  para receber Ahmadinejad: o histórico Bairro Imperial de São Cristóvão, próximo ao palácio da Quinta da Boa Vista, hoje Museu Nacional.  Ali residiu Dom Pedro II, que falava hebraico, e reinou com a serenidade que tanto falta ao propagandista enganoso de que não existiu um Holocausto.

Ahmadinejad tem muito para aprender quando estiver na praça que leva o nome do Imperador, bem em frente ao quartel que um dia sediou o CPOR e hoje abriga uma casa de cultura, o Museu Militar Conde de Linhares.

Quando ele estiver diante do belo prédio neoclássico construído em 1920, no Governo Epitácio Pessoa pelo então General Rondon, alguém deveria lhe dizer que em 1944 nossos jovens partiram daquele quartel, o então CPOR, rumo ao desconhecido, para sob a bandeira brasileira, defender a democracia e a liberdade mundial nas montanhas geladas da Itália.

E que eles iriam lutar contra um regime bem parecido com o dele,  Ahmadinejad, fanático e antidemocrático.

Naquele pequeno quartel,  aos jovens que cursavam o CPOR eram transmitidos os ensinamentos de dois grande brasileiros, o Chanceler da Paz, Barão do Rio Branco, e o Pacificador, o Duque de Caxias, Patrono do Exército.  Lições que Ahmadinejad deveria aprender  – solucionar conflitos com tolerância – respeitar as demais nações, o legado precioso destes dois vultos brasileiros.

Na praça que leva o nome do grande Imperador ficará a triste lembrança da visita daquele que manda apedrejar mulheres e enforcar homossexuais.

Assim, de nada adiantaria Ahmadinejad saber que Rondon, construtor daquele prédio, em 1913 atingido por uma flecha envenenada dos nhambiquaras, detida pela bandoleira de couro de sua espingarda, determinou a seus soldados   “Morrer se necessário for! Matar nunca!” –  se o seu próprio Ministro da Defesa é procurado pela INTERPOL como suspeito de crimes abomináveis, como explosões que mataram dezenas de inocentes argentinos ?

No pátio do então CPOR, hoje esplendido Museu Militar Conde de Linhares, podemos ler o nome do maior herói da FEB, Major Apolo Miguel Rezk, o único dos 25 mil soldados brasileiros a ser condecorado com a Distinguished Services Cross dos EUA, e que naquele quartel formou-se como Tenente de Infantaria, logo partindo com a FEB para a Itália, com dezenas de outros jovens que foram combater o nazismo.

Homenagens a heróis assim não combinam com a presença de Ahmadinejad, personificando o regime que representa. Talvez ainda haja tempo de sustar esta obra. É o mínimo que poderá ser feito para honrar a memória das centenas de preciosas vidas brasileiras que se perderam na luta contra o nazismo, para que um mundo melhor pudesse existir.  Agora novamente a humanidade é ameaçada pelo fanatismo e fundamentalismo, repetindo o que ocorreu naqueles anos trágicos que antecederam a guerra declarada em 1939.  O mundo se deixou iludir pelos engodos de Hitler.

Pagamos o preço altíssimo com as almas de nossos inocentes vitimados em torpedeamentos, de nossos soldados, marinheiros e aviadores.

Que desta vez o  mundo não se deixe iludir pelos engodos de Ahmadinejad, pois agora a ameaça é atômica.

Somente assim não será necessário mais uma vez repetir o mesmo sacrifício.

 

Israel Blajberg iblaj@telecom.uff.br


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4 comentários

  1. Curioso é ver as autoridades estrangeiras – e não as brasileiras – visitando os museus e memoriais militares. No caso do iraniano pergunta-se: quem vai lavar o chão depois da visita?

  2. arabe mussulmano integralista extremista fundamentalista apoia terroristas sera que mesmo assim ele e bem vindo no brasil?o brasil e muito grande tem lugar pra eles tambem rsrsrs

  3. Ótimo texto, Israel.

  4. Paulo Paiva /

    Não sei se aquele porra-louca esteve mesmo no Museu, mas não me admiraria se estivesse ido. Os maluquetes do Amorim (ministro da defesa, assim mesmo em minúscula), deve ser o mentor disso.

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