A Veterana – Uma obra organizada por Daniel Mata Roque

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Helena Ramos voluntariou-se para lutar em uma guerra que viria a ser o maior conflito armado da história. Ao invés de arma, empunhou a Cruz Vermelha para amenizar o sofrimento de compatriotas, aliados e até mesmo inimigos.

Pioneira, fez parte do primeiro contingente de mulheres militares oficialmente integradas ao Exército Brasileiro, herdando as tradições de Maria Quitéria e Anna Nery. Foi uma heroína brasileira.

Os fatos biográficos são poucos, Helena deixou poucas pegadas. Esse livro inclui seus ascendentes, partindo do bisavô Manoel, negro angolano que chegou livre ao Brasil em 1821.

Ao narrar a atuação de Helena durante a guerra, o texto traz, por extensão, um pouco da história coletiva de todas as enfermeiras da FEB. Preservar a história é nosso dever. Ter descoberto esta história não foi mais que alegria.

APRESENTAÇÃO

Este livro foi organizado com o propósito de reunir, revisitar, difundir e manter atualizada e viva a memória de uma das sessenta e sete bravas mulheres que, voluntariamente, no Brasil dos anos 1940, decidiram que a saúde de seus corajosos compatriotas era mais importante que a sua própria segurança e seguiram para amenizar o sofrimento nos campos de batalha da Segunda Guerra Mundial integrando a Força Expedicionária Brasileira (FEB).

Posso dizer que me descobri “parente” de Helena Ramos por acaso. O interesse pela FEB havia surgido sem desconfiar de sua existência.

Desde criança interessado por História do Brasil, conheci no colégio, quando cursava o terceiro ano do Ensino Médio, em 2012, brevíssimo relato sobre nossa ida à Itália em 1944. A matéria oficial, ministrada em aula, esgotava-se em dois ou três parágrafos. Me interessou. Afinal, lutamos (e vencemos!) no maior conflito armado da História.

A professora, em conversa após a aula, indicou-me o livro O inverno da guerra, do jornalista Joel Silveira, correspondente de guerra da FEB, para descobrir mais sobre o assunto. Muito obrigado, Professora Márcia.

Comecei a encantar-me pelo tema e fui pesquisar na internet, encontrando muitas páginas e sites (notadamente o Portal da FEB, administrado pelo historiador Derek Destito Vertino) com histórias de guerra e notícias atuais sobre os nonagenários veteranos remanescentes. Quase que diariamente, notas de falecimento.

Acompanhei e fui estudando o tema até que, em 2013, no segundo semestre da Faculdade de Cinema, surgiu a tarefa de realizar um documentário. Imediatamente decidi-me pelo tema, que acabou não prosperando entre os colegas de grupo e o orientador. “Pior para os fatos”, diria Nelson Rodrigues.

No início do ano seguinte, em janeiro de 2014, iniciei, por conta própria, a produção do documentário Que falta que me fez, com a realização de entrevistas no Rio de Janeiro, em Juiz de Fora e Belo Horizonte, reunindo depoimentos de quinze veteranos brasileiros da Segunda Guerra (um da FAB e quatorze da FEB, incluindo a 1o Tenente- Enfermeira Carlota Mello, então com 99 anos de idade).

O filme foi lançado em maio de 2014, no auditório do Shopping BaySide, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, quando quatro veteranos entrevistados nos honraram com suas presenças.

O filme estava finalizado. O interesse e a admiração, só cresciam.
Ingressei na Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira (ANVFEB – Direção Central), no Rio de Janeiro, em 2015. No mesmo ano fui agraciado com a Medalha Marechal Mascarenhas de Moraes e eleito para o Conselho Deliberativo da ANVFEB.

Tudo caminhava muito bem até que, em 2017, iniciei com meu avô Olímpio Mata o projeto de organizar e publicar o livro Sob a luz de Antares, reunindo as poesias e os escritos de seu pai, meu bisavô, Oduvaldo do Nascimento Matta, falecido em 1977.

Ao iniciar a seleção do material, remexendo nos amarelados papeis batidos à máquina, deparei-me com a peça teatral Alvorada, escrita por Oduvaldo em homenagem à sua prima Helena, enfermeira da FEB.

Ora, meu bisavô era primo de uma enfermeira da FEB, de uma Veterana! Eu nem desconfiava.

No mesmo instante senti-me integrado à Família Febiana. O parentesco é quase próximo: Helena Ramos é minha prima em nono grau.

Mas não interessa! Minha “prima” foi à FEB. Que bela história!
A peça, incluída como anexo nesta obra, foi encenada no Escola Comercial Wladimir Matta, dirigido por Oduvaldo, em 1945, no retorno da FEB. Helena foi interpretada por uma aluna e o papel de expedicionário ferido foi desempenhado pelo meu próprio avô, então com 13 anos.

Desde então dediquei-me à pesquisa sobre Helena Ramos, sobre quem nada havia nos volumosos arquivos da família (arquivos estes que vínhamos organizando, digitalizando e ampliando desde 2009).

Daí surge este livro, sem nenhuma pretensão que não a de prestar uma homenagem a esta surpreendente “parente” e preservar sua memória, vista por nós como abnegação e verdadeiro heroísmo de uma mulher à frente de seu tempo.

Evidentemente, reveste-se também de homenagem a todas as valorosas enfermeiras da FEB e da FAB, exemplos de grande coragem.

Os fatos biográficos são poucos, Helena deixou poucas pegadas. O texto que segue inclui seus ascendentes (partindo de nosso único antepassado comum conhecido, Manoel) e, principalmente, muitas narrativas coletivas das enfermeiras.

Preservar a história é nosso dever. Ter descoberto esta história não foi mais que alegria.

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