A síndrome do pequeno poder em algumas associações de veteranos

 

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Inspirado no artigo da historiadora Carmen Rigoni sobre o futuro das associações de ex-combatentes no Brasil, o texto abaixo tem o objetivo expor um pouco alguns problemas que ameaçam o futuro da memória da FEB em nosso país.

O pequeno corpo social de ex-combatentes nonagenários e a falta de recursos não são as únicas ameaças para as associações de veteranos: algumas diretorias arriscam dezenas de anos de trabalhos com a síndrome do pequeno poder. Ou seja, pisam nos estatutos, ignoram as atas e usam o autoritarismo sem se importar com as outras pessoas.

O resultado? Um clima péssimo com diretorias reduzidas, membros associados cada vez menores, afastamento de pessoas realmente interessadas, sabotagem de projetos interessantesdoação de peças para outras instituições sem contrapartida, e eventos fracassados sem vínculos com o mundo civil.

Outro caso interessante são as MEDALHAS que perderam o significado e são COMERCIALIZADAS:

Os homenageados pagam TAXAS para recebê-las com o pano de fundo a manutenção da Associação*. Algumas associações agraciam colaboradores que fornecem bebibas, coquetéis e favores diversos.

Os Encontros Nacionais andam sem temática, dando pouco valor no patrimônio histórico e focando apenas em almoço, jeeps, formatura e missa.

*Devo destacar e apoiar a iniciativa da Associação Nacional de Veteranos da FEB- Belo Horizonte que criou uma loja virtual para vender canecas e camisetas para preservar o prédio.

Prof. Esp. Derek Destito Vertino

Autor do livro Da Glória ao Esquecimento: Os Socorrenses na Segunda Guerra


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5 comentários

  1. Carmen Lúcia Rigoni /

    Importante e valiosa neste momento a reflexão e o reforço das palavras do prof DEREK nas questões apontadas. Há muito estamos alertando para este estado de coisas: ou seja o rumos das associações para o futuro próximo.Mas não temos forças, esbarramos nas próprias associações, naturalmente sem generalizar pois em São Bernardo durante um momento muito dificil para esta profa. foi possivel sentir o companheirismo das associações permeadas pelos ideais democraticos pelos quais tanto a FEB lutou. Como afirmei no artigo anterior, são muitos os males de nossas associações, mas nada se compara ao poderio exercido por pequenos grupos que se perpetuaram e se perpetuam no poder, sem projetos, sem a interação necessária com a sociedade, sem verificar que a Educação de jovens e adultos é o caminho para que a nossa FEB seja conhecida. É preciso retroceder às velhas aspirações da FEB, alertando para o significado maior da instituição. Se passados 70 anos a memória da FEB é pública, pública também será a sua história com todos que por ela labutam ou labutaram uma vida toda. Vamos refletir senhores!.

  2. Sem contar que algumas associações viraram casas de comadre

  3. Vergonha o que fazem a memória dos nossos heróis,sem falar nos parentes que vão a procura de informações nas sucateadas associações de ex combatentes.Fiz uma romaria desgraçada atrás de informações nas associações do Rio de Janeiro onde meu pai serviu fui até o palácio Duque de Caxias onde fui bem recebida mas houveram risadinhas e deboche de alguns que ali estavam e se dizia militares,militar foi meu pai um ex combatente da FEB que faleceu em 1998 e até hoje não consegui provar que ele foi um ex combatente da FEB poi seus documentos se queimaram na associação de Nova Iguaçu,não há registro da unidade e nem onde ele serviu nem a certidão por tempo de serviço eu consegui.Isso é que se chama descaso.O que posso fazer só olhar as fotos de recordação,minha mãe faleceu nesta mesma romaria ano passado sem conseguir dar entrada no benefício,sobrou pra mim.Então me ajudem quem interessar possa.Oscar Ferreira de Almeida,natural do Rio de Janeiro,faleceu em 1998,foi a Pernambuco e a Itália nos anos de 1942 e 1945,ele era conhecido como Guarani.

  4. Cesar Maximiano /

    Se fosse para discutir a qualidade deste museu em seus tempos áureos, eu não o pensaria como um dos melhores museus da FEB existentes, eu o situaria como um dos dez melhores museus do Brasil em termos absolutos. Em parâmetros de museus dedicados a unidades específicas, era sem dúvida um dos melhores e mais bem apresentados do mundo. O museu era uma exceção absurda, um ponto de terra firme no atoleiro intelectual chamado Brasil. Era questão de tempo até que fosse tragado.

    Nem dá para explicar a decadência que o afetou nos dez últimos anos para os atuais responsáveis na esfera governamental, pois, para entender isso, eles teriam que conhecer a história do Brasil e da FEB, teriam que entender a qualidade dos artefatos militares lá expostos, teriam que entender a importância da História Militar para a formação de um país, teriam que possuir o bom gosto e capacidade de apreciação estética para desfrutar do seu maravilhoso acervo e exposição, teriam que ter a sensibilidade, acima de tudo, para ver naquele museu o fruto do empenho individual, do idealismo pessoal. E essas não são qualidades dos nossos representantes em nenhum dos lugares existentes para trabalhar em prol da sociedade. Nenhum. E, se você não tem essas qualidades, você não as reconhece quando as encontra. Estamos falando de gente que viaja para a Europa e EUA na base da verba pública, passa batido pelos museus e vai se enfiar em outlets. Capiaus que visitam o MASP e acham que viram um museu de verdade.

    O acervo dispunha de uma enormidade de objetos de luminares da Divisão de Infantaria Expedicionária que fariam a inveja de qualquer grande museu militar. Infelizmente, creio que o que resta é guardar na cabeça a lembrança deste e de outros centros de memória. O abandono de um museu desse quilate é relacionado a um problema que não tem solução, que é o problema educacional e cultural brasileiro. É uma guerra que já perdemos. O que estamos testemunhando com esse processo é só mais uma prova da nossa insuperável habilidade em destruir o que existe de melhor no que resta da cultura neste país.

    Há raríssimas e altamente honrosas exceções que ainda resistem heroicamente, como o museu de BH, mantido na base de trabalho voluntário. É coisa feita por gente que dá seu preciosíssimo tempo, de forma idealista, para tentar garantir a memória que a FEB merece no âmbito público. O Brasil não é, nem nunca será, um país de museus, especialmente museus integrados ao sistema educacional – outra coisa que não existe decentemente por aqui, e que ao que tudo indica só irá piorar.

    Meu conselho: desistam dessas empreitadas quixotescas de querer salvar museus onde ninguém dá bola para eles, e lutem com as armas que temos hoje, que são a facilidade de publicação e a divulgação da Internet. Vocês irão ao menos despertar o interesse de meia dúzia de gatos pingados que ainda não foram contaminados pela apatia cultural dos trópicos. Ninguém que supostamente deveria nos representar neste arremedo de democracia está interessado em celebrar a memória daqueles que justamente lutaram pela democracia. Isso não dá voto e não dá promoção nas tão decantadas “carreiras de Estado”. Dêem-se por felizes que cronologicamente a FEB é um episódio próximo e que nossa geração ainda conseguiu registrar, estudar e refletir sobre este episódio. O mesmo não aconteceu com outros episódios igualmente importantes para nosso país, como a Guerra do Paraguai. Da mesma maneira que os veteranos da FEB formaram suas associações, os veteranos do Exército Imperial também as tinham, com museus, bibliotecas e espaços de convívio. Nenhuma sobrou. Nenhum desses acervos resistiu à indigência cultural brasileira.

    Insistir nesta questão é como dar brilho nas escotilhas do Titanic. Se vocês gostam de museus de guerra, Londres e Paris tem alguns que são ótimos.

  5. Carmen Lúcia Rigoni /

    É compreendsivel o desabafo do historiador e professor Cesar Maximiano em relação aos museus da FEB, no seu percurso de excelente pesquisador da FEB de longa data trilhamos os difíceis caminhos da pesquisa neste país.No texto argumenta sobre vários apectos da cultura e o descaso dos nossos mandatários.Mas, de uma certa forma faz referencia especial ao Museu do Expedicionário criado logo no pós guerra, considerado um dos melhores museus de guerra na época.Lá eu trabalhei como pesquisadora e coordenadora da área de educação por mais de 12 anos. Eram tempos diferentes, nos idos de 1980 logo após um convênio firmado com a Secretaria de Cultura do Estado do Paraná, este parecia trazer um alento à sua Diretoria procupada com o futuro da instituição. O museu recentemente havia passado por uma reorganização histórico- museográfica e o público foi contemplado pela presença de um museu de guerra moderno, dentro dos padrões museológicos da contemporaneidade. Formavamos uma equipe de pesquisadores, educadores, limpeza e segurança lá conduzidos pela SEEC. Quem não tinha formação especifica , procurou fazer cursos fora de Curitiba, assim fomos a São Paulo e Rio Grande do Sul, com o objetivo de saber lidar com o acervo. É desta época o registro das peças e a organização do livro Tombo.Na área da Educação, tínhamos projetos significativos voltados para os alunos do ensino fundamental e médio. A falta de um concurso público para conduzir funcionarios especialistas às unidades museológicas não aconteceu e os contratos mal remunerados afastaram os interessados.O Museu do Expediconário viu-se então como outras unidades acéfalo aos profissionais especificos. Foi mantido por décadas da parte do governo, apenas o auxilio com material de expediente, segurança, limpeza e alguns funcionarios administrativos. Como se não bastasse, por ser um museu particular, adotaram os seus dirigentes a premissa usual dos museus da FEB, tornando a instituição uma empresa familiar. No quadro dirigente apenas combatentes e seus parentes, desconhecendo outros modelos e gestão que impediriam a situação caótica em que muitos se encontram. Esqueceram da necessidade da inserção à sociedade,dos amigos, voluntários e simpatizantes não previram que este tempo acabou. Recordo em 1982 durante uma reunião no Museu do Expedicionário, quando levantada a questão sobre o futuro do Museu, um dos combatentes respondeu: A casa proverá…São poucos as unidades museológicas da FEB que tem conseguido chegar aos nossos dias, grande parte foi dissolvida, seus acervos entregues ao Exército ou outras entidades culturais, que não tem o menor interesse de sua preservação e divulgação. Lamentável a situação do Museu do Expedicionário na reportagem do jornal local O Metro em Curitiba do dia 15 de janeiro p/p,( http://www.readmetro.com) mostrando as dependências da instituição em pessima situação após as chuvas recentes e a ameça de degradação do seu acervo.
    Do poder público não dá para esperar muita coisa, acreditamos em pessoas,nas ideias, dos convênios, das parcerias, enfim de um modelo de gestão que possa colocar O Museu do Expedicinário no patamar do seu glorioso passado a mostrar uma história de grande mérito para as nossas liberdades e democracia.

    Carmen Lúcia Rigoni.
    Historiadora e representante da Associação Nacional dos Veteranos da FEB(ANVFEB) em Curitiba-Pr.

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