A missão de Castelo Branco

“O que vou contar aconteceu na noite de 31 de dezembro de 1944 para 1º de janeiro de 1945.

O romper do ano de 1945 foi saudado pela artilharia aliada, em resposta ao bombardeio da artilharia “tedesca”. O ano de 1945 estava sendo esperado como o “ANO DA PAZ E DA CONCÓRDIA”. A humanidade já estava cansada do troar dos canhões, dos fogos das metralhadoras e dos gritos de dor , dos gemidos dos feridos e das destruições que se via por toda parte.
Era mais ou menos uma hora da madrugada quando fui acordado por um Cabo que rondava em torno do estacionamento da Companhia de Serviço para informar-me de que havia um tiroteio na região de Porreta Terme, pequena e velha cidade distante poucos quilômetros do nosso estacionamento.
Após cientificar-me do fato, procurei ligação telefônica com o Quartel General da 1ª D.I.E., pois havia ocorrido um alerta de que, possivelmente, pára-quedistas alemães seriam lançados na região. O oficial que atendeu ao telefone chamou ao aparelho o Chefe da 3ª Seção do E.M. e este, depois de ouvir-me atentamente, disse apenas:

- Organize uma Patrulha, apure o fato e comunique-me depois.

Organizei a Patrulha o mais rapidamente possível, com elementos voluntários, e partimos em direção à Porreta Terme.
Caminhando por estreitos caminhos cobertos de neve, senti que, quanto mais avançávamos, mais nos aproximávamos da região onde pipocavam os tiros de metralhadoras e de fuzis.
Cautelosamente e em silêncio, entramos na cidade por uma rua tortuosa, de velhas casas mal cuidadas e nos dirigimos ao Centro, justamente onde continuava o tiroteio.
Cercamos o local e tivemos a surpresa de verificar que ao invés de pára-quedistas alemães, ali estavam os “partigiane” (soldados italianos que colaboravam com as tropa aliadas), festejando a entrada do ano novo e, como não, dispunham de rojões , comemoravam o evento com rajadas de metralhadoras tiros de fuzis dirigidos para o alto.
Com muita dificuldade e isto por não me expressar bem em italiano para lhes fazer sentir que aqueles tiros para o alto poderiam atrair concentrações de artilharia sobre a cidade, das próprias forças aliadas, consegui dissolver a reunião mandando que se retirassem em paz.
Retornando ao estacionamento com a Patrulha, telefonei para o Q.G. e informei ao Chefe da 3ª Seção, sobre as providências tomadas.

Ouvi, como resposta, um simples “muito obrigado”.

Este acontecimento ficou gravado em minha memória e, muitos anos depois, constatei que aquele oficial que determinara que eu organizasse uma patrulha de reconhecimento para averiguar a razão do tiroteio em Porreta Terme, na fria madrugada do dia 1º de janeiro de 1945, era o então Tenente Coronel HUMBERTO DE Alencar CASTELO BRANCO, hoje Marechal e ex-Presidente da Republica.”

NOTA: Este fato consta no Diploma da Medalha Cruz de Combate que foi conferida ao então 2º Sargento Sebastião Rodrigues.

Texto retirado do site da ANVFEB


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12 comentários

  1. Renato Luckow Junior. /

    Nossa que história heeim… Acho que o risco de matar “os partisans” era muito alto… Destreza e cuidado do sargento…

  2. Relato bastante interessante,destreza e perícia para se comunicar com os `partigianes`.

  3. hugo roberto /

    Até saberem o que estava acontecendo, imagimo a tensão que essa patrulha esperimentou, medalha muito bem agraciada.

  4. i partigiani eram varios grupos de resistencia, foram eles que acabaram com musolini, eles matavam os prisioneiros ,por diversas vezes pracinhas salvaram prisioneiros nazifascistas de serem fuzilados por partigianos ,eles lutavam contra partigiani fascistas que por sua vez apoiavam as tropas nazi fascistas fratelo contro fratelo pela liberacao da italia
    viva a f.e.b viva o brasil

  5. Célia Valporto /

    Gostaria muito de encontrar o soldado que era o motorista de meu pai e que tinha uma noiva chamada Eulalia Quem souber ,,já falecido,que como capitão, comandou CCAC e veio de Sâo jõao Del Rei para seguir para a guerra.Tenho uma foto muito boa dos dois no jipe !
    Grata Célia Valporto

  6. Célia Valporto /

    Desculpem ,a mensagem saiu truncada. Sou filha do gen. Murillo Valporto de Sá,já falecido,que como capitão, comandou o CCAC nos Campos de Guerra.Célia Valporto

  7. ah, facinho de achar

  8. Tenho algumas coizinhas a falar…Admiro muito o EB,mas quando estudo sobre a ditadura sinto-me envergonhado de ser ex militar. PATRIA,BRASIL.

  9. Fagner Batista /

    Gosto muito de histórias da FEB, e na minha opinião nossos praças deveriam ser lembrados nas salas de aula…Caso algum de vocês tenham contato com um ex-combatente, peço que entrem em contato comigo.

  10. claudio valporto /

    sou filho do brig, do ar, moacir valporto de sa, irmão do gen. murilo valporto de sá, meu fone: 41- 91987660/ 98087658, GOSTARIA DE CONTACTAR MINHA PRIMA, CELIA VALPORTO E FAMILIA. GRATO

  11. claudio valporto /

    SOU FILHO DO BRIG. DO AR, MOACIR VALPORTO DE SÁ, QUE ESTEVE EM BATALHA , NA ITÁLIA E CUMPRIU MISSÕES DE PATRULHAMENTO NO ATLANTICO SUL, COMO CAPITÃO AVIADOR. CONTATOS: 41- 91987660/98087658

  12. Sinto-me honrado em ter os Pracinhas como exemplo a ser seguido.

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