A Memória dos Heróis Mortos Largado ao Esquecimento!

No ano passado, realizamos uma pesquisa para descobrir se Pernambuco teria algum monumento que fizesse referência a Força Expedicionária Brasileira, já que, tradicionalmente, Pernambuco é um Estado repleto de monumentos, esculturas, placas, marcos e edificações que referenciam seus inúmeros mártires.
Iniciamos a pesquisa com o direcionamento e a ajuda de Rigoberto Souza que identificou duas homenagens que estão bem registradas na ANVFEB-PE. A primeira, uma placa inaugurada no Monte Guararapes pelo próprio Marechal Mascarenhas de Moraes na década de 50, e que teve um grande significado, já que nesse local, na cidade de Jaboatão de Guararapes, ocorreu a Batalha dos Guararapes, considerado pelo Exército Brasileiro como um marco de criação da Força Terrestre. Infelizmente essa placa foi retirada do local e atualmente está no Rol da Associação. A Segunda é um Monumento em estilo moderno, lembrando o estilo de construção que Oscar Niemayer utilizou em Brasília, e cujo a grandiosidade destoa de outras construções no principal parque da cidade de Recife, o Parque 13 de Maio, que, por acaso, também foi o local onde se anunciou ao povo pernambucano o início da Segunda Guerra.

Para pesquisar o monumento à FEB, resolvemos seguir para o Arquivo Público de Pernambuco, onde há vários registros e jornais de época que podem explicar como ocorreu a concepção desse projeto. Encontramos registros  no principais jornais da cidade que circularam no dia 13 de março de 1971, onde se destaca a Inauguração de um Viaduto no bairro do Espinheiro, na Rua João de Barros, e um Monumento em Homenagem aos pernambucanos mortos na Itália, essa honraria foi realizada pela Prefeitura da Cidade do Recife sob a gestão do então Prefeito Geraldo Magalhães.

O Monumento inaugurado contou com a presença da Associação dos Ex-Combatentes da FEB e a presença de militares do IV Exército, além de autoridade civis e eclesiásticas. Por ocasião houve uma missão em homenagem aos mortos e o descerramento das placas alusiva seguido do desfile de tropas e dos ex-combatentes .  As placas estavam registrados o seguinte:

1 – Homenagem do Prefeito Geraldo de Magalhães Melo e do povo do Recife aos integrantes da FEB, 13/III/1971.

2 – “Aquele que morre por seu país, serve-o mais em um só dia do que os outros em toda vida” (Péricles).

3 – Homenagem aos pernambucanos que deram a vida em holocausto à pátria na Segunda Guerra Mundial:
2º Tenente Manuel Barbosa da Silva,
2º Sargento Severino Taborda de Freitas,
3º Sargento José de Souza,
Cabo Hermínio da Silva,
Cabo Otávio Araújo,
Cabo Waldemir Holder,
Soldado Joaquim Lira,
Soldado José Barro.

Atualmente esse monumento encontra-se abandonado, quando visitamos a local, as pessoas responsáveis pela manutenção não souberam dizer do que se tratava essa grandiosa obra, se limitando a dizer que: “era alguma coisa do Exército”. Procuramos a administração do Parque 13 de Maio, que também nada acrescentou. Perguntamos a algumas pessoas que estavam no local que frequentam o Parque, mas não sabiam de nada. Um das razões disso é que as placas foram retiradas do local, e ninguém sabe informar se foram retiradas pela prefeitura ou simplesmente roubadas.

Para finalizar observamos que esse acontecimento é uma prova material do descaso com que a História do nosso povo a jogado na obscuridade da ignorância. Pior que tudo, jogamos ao relento a memória e o sacrifício de 12 pernambucanos que morreram lutando pelo seu país seu país, sem qualquer cerimônia esquecemos que esses brasileiros deram sua vida, assim como Frei Caneca e outros mártires pernambucanos entregaram suas vidas por uma causa.

Colaborador: Chico Miranda

franciscomiranda28@hotmail.com


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7 comentários

  1. Lamentável o estado de abandono do monumento aos pracinhas em Recife – Pernambuco. Infelizmente é algo comum em no Brasil.
    Pergunta-se: como estará o Parque Dona Lindu, mãe do Lula, na mesma cidade? Trata-se de um centro cultural a quem foi dado o nome de uma pessoa viva! Algo proibido pela administração pública.
    Como costuma sugerir o historiador Eduardo Bueno, em seus “inserts” no The History Channel, nosso passado é desprezível, vamos, pois, reconstruir a História do Brasil.
    Segundo ele:
    “Se você acha que os próximos 500 anos de História do Brasil não deveriam ser iguais aos 500 anos que passaram, fique ligado.”

  2. isalete leal /

    Durval Jr., Você disse tudo não preciso completar nada.

  3. Cristian paz /

    Sou fa de voces no orkut e agora com site proprio e bem melhor meu pai era ex pracinha ele morreu ha 4 anos ele contava varias historias boas e triste quando ele tava no brasil e na italia ele foi meu guerreiro um forte abraço amigo

  4. gelson sita marques /

    enquanto vivermos devemos lembrar e homenagear a quem deu a vida para estarmos vivos.obrigado.

  5. paulo paiva /

    Caro Chico
    Um adendo: foram 16 e não 8 (como estão relacionados), os mortos pernambucanos da FEB.
    Todo dia 3 de maio os habitantes de Pistóia, Massarosa e outras localidades reverenciam em cerimônia, os “liberatori brasiliani”. No entanto, nos últimos 25 anos nenhum presidente brasileiro foi à Pistoia depositar uma flor sequer aos mortos brasileiros na Itália. Aliás, também nunca forma ao Monumento aos Mortos no Rio de Janeiro. Porém, Fernando Hernique, Lula da Silva e Dona Dilma colocam flores nos túmulos dos “mártires” cubanos, venezuelanos e outros afins.
    Parabéns pelo seu trabalho.
    Paulo Paiva

  6. Mário Viana da Silva Botelho /

    É muito triste saber e ver nomes de tão nobres Brasileiros serem esquecidos, homens que penhoraram suas vidas pela nossa liberdade e soberania, escreveram seus nomes com o próprio sangue em guararapes na grande batalha expulsando o invasor, mais nós ainda existimos e passaremos para nossos filhoS a grande história que esses parcinhas da FEB esreveram e temos doumentários e livros, suas imagens estão estampadas na nossa pátria Brasil.
    Mário Botelho.
    Presidente ASARESFA/PE.

  7. Marcos André Cavalcante Almeida /

    Onde foi parar a história do meu avô José Severino da Silva esquicido no tempo?
    Gostaria que o exército-o localizasse para resgatar uma memória no qual a família não ficou sabendo até hoje.

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