A Homenagem Esquecida: Memorial aos Pracinhas da FEB em Brasília

memorial

Infelizmente a história continua a mesma do esquecimento ao abandono. O Brasil que os enviou para a Guerra persiste nesta grande injustiça e erros históricos com nossos verdadeiros heróis.

Correio Braziliense – 7/12/2013.

Créditos: Henrique De Moura Paula Pinto.

A imprensa informou esta semana. Inicialmente planejado para ser erguido no Eixo Monumental, entre o Memorial JK e a Igreja Rainha da Paz, o Memorial dos Heróis da Pátria em Brasília corre o risco de ser preterido por um memorial ao ex-presidente João Goulart. O terreno doado em 1991 está vazio até hoje, sem que fosse realizado o projeto de Oscar Niemeyer. Haveria área para exposições, auditório e salas de reuniões

A noticia reflete o desinteresse oficial pela memoria da participação brasileira na Segunda Guerra Mundial. Como Brasília ainda estava no papel quando o Marechal Mascarenhas liderou o traslado dos pracinhas de Pistoia, o monumento aos heróis

acabou sendo construído no Rio, e com o paulatino desaparecimento dos chefes da FEB, envelhecimento da massa de Veteranos, e a própria falta de apoio oficial, a ideia de erguer um outro monumento na nova capital acabou encontrando obstáculos que hoje se revelam como quase intransponíveis.

Entretanto, chegou a hora de retomar a iniciativa com força total, aproveitando as comemorações dos 70 anos da chegada da FEB na Itália em 2014.

Brasília, como capital do país, merece um monumento à altura daquele erguido no Parque do Flamengo, no Rio de Janeiro, projeto do Arquiteto Marcos Konder, o Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, inaugurado em 1960 pelo próprio JK, quando foram transladados de Pistoia, Itália por via aérea, os restos mortais de 450 bravos pracinhas da FEB – Força Expedicionária Brasileira, que honraram o juramento de defender a Pátria se necessário com o sacrifício da própria vida.

Em dezenas, talvez centenas de cidades de Norte a Sul do Brasil existem monumentos em homenagem aos heróis brasileiros, pois a FEB era um microcosmo da nacionalidade. Seus soldados eram oriundos de mais de 50 cidades, tanto é que em quase todas elas existiram Associações de Veteranos, e ainda hoje cerca de 10 ainda resistem a patina do tempo, que a tudo recobre e leva inexoravelmente os últimos heróis vivos, todos na faixa de 90 anos. Dos 25 mil soldados e 70 enfermeiras que partiram para o desconhecido, para lutar pela liberdade e democracia na Itália, incorporados ao 5º. Exercito dos EUA, estima-se que hoje de 500 a mil ainda estejam por aqui, sendo cerca de 50 a 100 veteranos da FEB e ex-combatentes em geral residindo em Brasília, que gostariam ainda de ver o monumento erguido antes de partirem.

Eles estavam a bordo dos navios que fizeram frente à KriegsMarine do Almirante Doenitz e de Hitler, que cruelmente torpedearam nossos mercantes com a perda de um milhar de preciosas vidas brasileiros. Voaram nos aviões P-47 do 1º. Grupo de Aviação de Caça, o Senta-a-Pua. Estavam no litoral e ilhas oceânicas nacionais para fazer frente a possível invasão que até a debacle nazista poderia perfeitamente ocorrer, como aconteceu na África.

Estiveram em Montese, Monte Castelo, Fornovo, em todos os lugares onde se afirmou a bravura e determinação do soldado brasileiro, cidadão fardado. Estes nomes hoje quase esquecidos, representam para o Brasil o mesmo que Stalingrado, o Dia D, Bir Hakeim, El Alamein, a Batalha da Inglaterra, enfim, todos os lugares onde a mesma determinação esmagou o pretenso Reich milenar que só durou 11 tenebrosos anos, que tanto custaram a Humanidade.

Erguer um monumento em Brasília será reconhecer os esforços do Brasil, aquele pais pobre e rural dos anos 40, atacado por uma das mais poderosas potencias militares da época, pela ultramoderna arma submarina, quando soubemos dar uma resposta a altura, graças em parte aos estudantes na rua que fizeram com que o governo de Getúlio declarasse guerra ao Eixo. Foram os cara-pintadas da época.

Entre idas e vindas da Secretaria de Cultura com seu Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCub), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e os habituais entraves burocráticos, teme-se com justa razão que não muitos dos pracinhas ainda vivos poderão realizar em vida seu sonho. Cabe às autoridades evitar que isso aconteça, e cabe a todos que cultuam a memoria dos feitos heroicos nacionais na Segunda Guerra Mundial agir com determinação para que 2014, o ano em que comemoramos o desembarque da FEB na Itália, seja o ano do Monumento de Brasília.

Prof Israel Blajberg

Assessoria de Imprensa

Casa da FEB

iblajberg@poli.ufrj.br

10 dez 2013


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1 comentário

  1. Leomarques /

    É um absurdo… hérois implorar para ter monumento, enquanto lixos de cultura tem monumento espalhados pelo brasil a fora…

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