A contribuição da Cruz Vermelha Brasileira no esforço de guerra

Colaboração: César Ataídes Figueira Torres
Adaptação: Derek Destito Vertino

O Corpo de Enfermeiras da FEB designado para servir num hospital americano atendendo aos doentes e feridos. 16º Hospital de Evacuação, Pistóia-Itália. 10/03/45. Acervo do Museu Casa de Memória dos Ex-Combatentes, mantido pela Associação dos Ex-Combatentes de Brasília.

O Corpo de Enfermeiras da FEB designado para servir num hospital americano atendendo aos doentes e feridos. 16º Hospital de Evacuação, Pistóia-Itália. 10/03/45.
Acervo do Museu Casa de Memória dos Ex-Combatentes, mantido pela Associação dos Ex-Combatentes de Brasília.

As Enfermeiras incorporadas à Força Expedicionária Brasileira demonstraram competência, valor, disciplina e amor à profissão na Segunda Guerra Mundial. Elas foram em sua maioria alunas da Escola de Enfermagem da Cruz Vermelha, superando a falta de tempo estudando ao máximo um curso puxadíssimo que atraía até colegas estrangeiras. O Corpo de Enfermeiras da FEB teve como destaque alguns nomes como Antonieta Ferreira (Enfermeira profissional), Carmem Bebiano, Elza Cansação Medeiros e Virgínia Portocarreiro (Samarinatas) e Heloísa Velar (Voluntária Socorrista).

Comissão Central de Socorros de Guerra

Com a eclosão da Segunda Guerra, o Comitê Internacional de Cruz Vermelha (CICV), a Liga de Sociedades Nacionais de Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho – hoje Federação Internacional – mobilizaram líderes de colônias estrangeiras e diplomatas para a criação do “Comitê de Socorros às Vítimas de Guerra“. Os membros da Comissão eram responsáveis pelo angariamento de fundos, fiscalização de donativos – como roupas, medicamentos e materiais cirúrgicos – e envio para a Europa.

Os materiais foram doados por diversos comitês estrangeiros localizados no Brasil e contou com a colaboração do Lloyd Brasileiro – sob a direção do Vice-Almirante Heráclito da Graça Aranha – por transportar as primeiras remessas gratuitamente, até a Declaração de Guerra do Brasil ao Eixo, com a interdição cada vez mais frequente dos portos europeus.

Por iniciativa da Cruz Vermelha Venezuelana e apoio do Ministério das Relações Exteriores, todos os países do continente americano passaram a trabalhar de maneira conjunta, encaminhando os donativos para o Comitê Internacional de Cruz Vermelha (CICV). Todo o material era encaminhado aos navios brasileiros que atracavam em portos portugueses fiscalizados pela Inglaterra.

Serviço de Busca de Paradeiro

O “Serviço de Correspondência e Investigação Individuais” era dirigido aos prisioneiros, enfermos, feridos de guerra, refugiados nos países neutros e prisioneiros nos países aliados.

O Serviço registrou a cifra de quase 100.000 mensagens recebidas ou remetidas até meados de 1946. Sendo assim, a grande demanda de refugiados no Brasil a procura de notícias de seus parentes no exterior fez com que fosse ampliado para o Serviço Social de Correspondência. O serviço colaborou no reencontro de famílias separadas pela Guerra e na localização de pessoas, com apoio da Cruz Vermelha Brasileira.

Coube também a Cruz Vermelha Brasileira – com apoio do Presidente da República do Brasil – o atributo de facilitar o ingresso no país de crianças em situação precária de guerra e refugiados da Europa, em conjunto com o Ministério das Relações Exteriores.

cvb

Agradecimento pelo apoio da Cruz Vermelha Brasileira

Abaixo a transcrição da carta do General Mascarenhas de Moraes (Comandante em Chefe no Front italiano) ao General Ivo Soares, presidente da Entidade.

“Itália, 15 de março de 1945. Exmo. Sr. General Ivo Soares – Presidente da Cruz Vermelha Brasileira. Dentre as instituições que mais se destacaram no Brasil pela assistência que tem procurado dar aos saldados expedicionários, está a Cruz Vermelha Brasileira de que V.Exa é digno Presidente. Ainda agora acabo de receber, para serem distribuídos aos nossos soldados excelentes agasalhos e utilidades, cujo total, até o momento, monta cerca de cinco toneladas de artigos diversos. Além da valiosa contribuição, não posso deixar de mencionar o carinho dispensado pela Cruz Vermelha Brasileira às nossas jovens e abnegadas enfermeiras que, nos Hospitais deste Teatro de Operações, levam diariamente aos nossos doentes e feridos o conforto da presença da amiga da mulher patrícia, tão nobre nos seus sentimentos como decidida na sua ação. Por todos esses serviços, o Comando e a Tropa Expedicionária Brasileira têm motivos suficientes para reconhecer e proclamar a valiosíssima cooperação e dedicada assistência que lhes são prestadas pela Cruz Vermelha, cuja benemerência deve  constituir um título de honra e orgulho para V.Exa. e para todos os que trabalham nessa famosa e respeitável Instituição. Agradecemos em meu nome e no da Força que tenho a honra de comandar, os presentes e a solidariedade da Cruz Vermelha Brasileira, peço que aceite e transmita aos colaboradores de V.Exa. as expressões de nosso grande reconhecimento e elevado apreço. Do camarada e admirador, [Assina] General Mascarenhas de Moraes.”


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