8 de Maio – Homenagem e reflexão

expedicionarios

Por Fabrício Robson. 

S1 da Escola Preparatória de Cadetes do Ar (2007 a 2013)

Bacharel em Direito, pós-graduando em Direito Internacional e Analista de Segurança e Defesa.

Hoje, 08 de maio de 2014, comemora-se o 69º ano do término da II Grande Guerra, conhecido também como dia da vitória; dia este que é lembrado com afinco e patriotismo por outros países, mas não o Brasil, que realiza solenidades que estão em seu calendário militar e de algumas cidades, tornando tal data não um evento ou uma relembrança, mas um simples compromisso em cumprir o calendário e muitas vezes de discursos de pessoas “influentes” dos municípios que realizam uma leitura de uma nota copiada de sites de buscas, nem ao mesmo sabendo do que está falando ou como tudo aconteceu ou de militares que apesar de amarem a bandeira, estão desmotivados pela falta de apoio institucional e a falta do sentimento de amor à bandeira que a população vai deixando de lado.

Hoje é dia de um mix de alegrias e tristezas para aqueles que estiveram no fronte, em uma época que verdadeiras crianças, saíram de suas casas, principalmente das zonas rurais, onde nunca ouviram falar de guerra e nem ao mesmo sabiam ao certo o que era se voluntariar para tal feito. Deixaram suas famílias e casa, onde muitos nunca tinham deixado, para obter treinamento e embarcar, no caso, para a Itália, onde descobriram realmente o lugar que estavam após o desembarque.

Brasileiros reunidos de várias partes do Brasil em terras desconhecidas, com uniformes semelhantes aos nazistas, sem roupas apropriadas ao frio, esta era a realidade das primeiras fileiras que desembarcaram em terras italianas, que posteriormente, se adaptaram. Após as primeiras campanhas, ver o companheiro ser tombado ao seu lado, momento este que não poderia se fazer nada, de aviões da Senta a Pua abatidos em missões, que são reconhecidas até hoje, claro, reconhecidas fora do Brasil, pois o Brasil é um país sem memória.

PARABÉNS a todos os pracinhas que conduziram no braço o nome de nosso país ao um conflito que irá ser contado para sempre, PARABÉNS aos verdadeiros heróis, que mesmo não sabendo exatamente o porquê de estarem ali, lutaram bravamente e libertaram a população da Itália, principalmente nas regiões de Montese e Monte Castelo.

Todos os anos, os italianos realizam solenidades em homenagem a estes homens e mulheres que salvaram seus antepassados, soldados que dividiram o pouco que tinham para comer com aquela população sofrida pela guerra. Os italianos sentem-se honrados e com uma espécie de dívida eterna com o povo brasileiro, mas aqui, no Brasil, não existe dívida, existem comentários que não rotulam os pracinhas como heróis, e sim como velhos, velhos que usam boina e medalhas no pescoço…

Antes destes comentários, procurem saber o peso que é a boina e as medalhas que carregam, muitas vezes uma medalha é o peso de uma morte amiga. Aprenda e ensine a seus filhos o que foi e o que passaram os brasileiros que lutaram nos teatros de operações.

Aprendam que heróis são os que estão dispostos a morrer por um objetivo e na defesa de terceiros, não àqueles que estão no Big Brother ou outra coisa alienante.

Ensine a seu filho e aprenda também, que neste dia, quando ouvir uma aeronave da FAB realizando sobrevoos na área do Monumento do Expedicionário, escutar a salva de tiros seguida do depósito de uma coroa de flores no monumento ao som do toque de silêncio, saibam o porquê àqueles “velhinhos” como dizem, vão estar com os olhos lacrimejados e porque ficam com extremo orgulho ao ouvirem e cantarem a Canção do Expedicionário.

Aqui em minha querida cidade mineira de Barbacena, obrigado àqueles que lutaram e ainda os que estão vivos, os senhores Ary Lopes, João Batista da Silva e João Rodriguês da Costa, o meu sincero respeito e admiração.


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