75 Anos do Desembarque da FEB na Itália

tropa brasileira em napolis italiaSoldados brasileiros chegando ao cenário de guerra em Nápoles
Acervo de Acervo Vet. Taltíbio de Melo Custódio
Livro Longa Jornada com a FEB na Itália, uma obra de Sírio Fröhlich

Em 1942 Hitler decidiu lançar uma blitz submarina no litoral brasileiro, e destruir os portos do Rio, Recife, Salvador e Santos, em represália a exportação de alimentos e matérias-primas estratégicas do Brasil nominalmente neutro para EUA e Inglaterra. Foi empregada uma flotilha de 10 submarinos de 500 a 700 ton, baseados na França ocupada, e mais um de reabastecimento, a qual se agregaram mais tarde unidades italianas.

Em apenas uma semana 6 navios mercantes foram afundados, com a perda de centenas de preciosas vidas brasileiras. O povo nas ruas exigiu uma resposta a cruel agressão. O Governo Vargas, sob o clamor popular, reconheceu o estado de beligerância com as potencias do Eixo, e em 31 ago 1942, através do Decreto Lei 10.358, o Brasil declara o estado de guerra com a Alemanha e Itália.

O mar foi o túmulo de 1.050 inocentes compatriotas. Mas um novo Brasil iria emergir da tragédia. A sociedade se mobilizava em torno do esforço de guerra. O Brasil-País do Futuro profetizado por Stefan Zweig nascia junto com a FEB, e logo se incorporou a luta dos Aliados. Sob o pavilhão verde e amarelo, 25 mil soldados e 70 enfermeiras do Exército, e o 1o. Grupo de Aviação de Caça – Senta-a-Pua – com 500 homens, 6 enfermeiras e 48 aviões de caça se deslocaram para a Europa, feito militar de elevada complexidade logística para o Brasil ainda rural daquela época, uma pagina gloriosa da nossa história.

Era a nação em armas: jovens soldados que prestavam o serviço militar, tenentes dos Centros de Preparação de Oficiais da Reserva – CPOR, seguindo para o front lado a lado com o pessoal da ativa, comandados pelo General Mascarenhas de Moraes.

Na madrugada escura da Vila Militar, embarcaram nos trens que os conduziram ao Cais do Porto do Rio de Janeiro , de onde partiram em navios-transporte, para destino ainda desconhecido, sem a certeza de um dia retornar a Pátria-Mãe.

Vinham de quarteis, do Norte e do Sul, do Litoral e da Montanha, do Pampa e da Caatinga, compondo na FEB o microcosmo da sociedade brasileira. Os italianos mal sabiam quem eram aqueles novos combatentes. Mas não tardariam a descobrir; por trás dos uniformes, se revelava a alma brasileira, daqueles soldados-cidadãos, que dividiam com eles suas rações de combate, ainda hoje recordados comoos LIBERATORI.

Nascia nas montanhas geladas da Itália o espirito das Forças de Paz do Brasil, presente de Suez ao Haiti, soldados firmes mas amigos, pacifistas mas combativos, dai os 75 anos do desembarque da FEB no Teatro de Operações Europeu, aos 16 de julho de 1944, deterem um elevado capital simbólico neste particular.

Entretanto, não foram os alemães, foram os nazistas. Os adversários de ontem são hoje nações amigas do Brasil, mas se não recordarmos o passado, estamos arriscados a repeti-lo, portanto não se pode dar trégua aos que ainda hoje propagam o ódio e a intolerância. É nosso dever recordar os heróis que não voltaram, ingressando na Vida Eterna pelo Portal do Paraiso, pelos seus feitos gloriosos pelo Brasil e pelo Mundo Livre, nas batalhas travadas em meio às neves dos Apeninos, no Monte Castello, Montese, Camaiore, Monte Prano, Fornovo.

Nomes que para nós tem o mesmo significado do Dia D, Stalingrado, e da Batalha da Inglaterra. Brasileiros que ajudaram a liquidar o nazismo, deixando suas vidas em uma terra distante, assim como os mártires sacrificados nas câmaras de gás da Europa ocupada, os partisans que pereceram em terras geladas e nas prisões da Gestapo, os que desapareceram nos mares sem jamais ter um túmulo.

Orgulhai-vos, brasileiros, desta rica e fantástica historia, escrita pelos pracinhas da FEB, merecedores de seu justo lugar no Pantheon dos Heróis Nacionais. Que sejam lembrados e reverenciados, como exemplo para futuras gerações. A memória da sua luta será a nossa bandeira, e de todos que sonham com a Paz, e um mundo melhor, livre e pleno de justiça social.

O 16 de julho de 2019 é uma data marcante para a ANVFEB,  quando comemoramos além dos 75 Anos do Desembarque da FEB na Itália, os 56 Anos da Fundação da ANVFEB e os 43 Anos da Inauguração do Prédio da Casa da FEB pelo Pres. Geisel

ISRAEL BLAJBERG
Da Turma Vontade Nacional – ESG – CAEPE 2004
Vice-Presidente da Associação Nacional dos Veteranos da FEB
Membro das Ordens do Mérito da Defesa, Naval, Militar e Aeronáutico


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