70 anos da chegada ao desconhecido

Por Fabrício Robson de Oliveira. 

S1 da Escola Preparatória de Cadetes do Ar (2007 a 2013)

Bacharel em Direito, pós-graduando em Direito Internacional e Analista de Segurança e Defesa.

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No dia 16 de julho de 1944, a Força Expedicionária Brasileira – FEB desembarcava em terras italianas, na baía de Nápoles, começando ali suas histórias de heroísmo, amor a Pátria que seriam anos depois, exemplos para inúmeras nações e adorados pela população italiana.

Na madrugada do dia 30 de junho para 1º de julho de 1944, ocorreu o embarque do primeiro escalão da FEB, que totalizava 5.075 homens, divididos em vários regimentos, número este chegando a 25 mil brasileiros que deixaram seu país canarinho para o desconhecido.

Os guerreiros da FEB embarcaram sem saber ao mesmo seu destino, deixando para traz suas famílias, amigos e levando consigo apenas a saudade e a ansiedade de saber o que os esperava. Muitos dos pracinhas que embarcaram rumo ao desconhecido eram homens que moravam nas zonas rurais do país e se alistaram e voluntariaram para um feito que não entendiam ao certo, mas sabiam de alguma forma, que iriam ajudar muita gente e levar o nome de seu país por onde fosse.

No dia 15 de julho de 1944 pela manhã, a tropa avistou o Monte Vesúvio e a Baia de Nápoles, e neste momento descobriram que iriam lutar em terras italianas. No dia seguinte (16 de julho), os brasileiros desembarcaram em Nápoles, vendo enfim, o que a guerra ocasionava. Os pracinhas se depararam com inúmeras marcas de destruição em casas e prédios ocasionados por bombardeios aéreos e demolições, bem como com destroços de navios italianos, próximos ao navio que os transportava, além de notarem a mudança climática, que os atormentaria meses depois.

A recepção aos brasileiros se deu em torno de vaias, pois, quando alguns civis napolitanos viram aqueles soldados de uniforme verde, semelhante ao dos alemães, pensaram que os brasileiros fossem prisioneiros de guerra alemães capturados pelos Aliados, mas as vaias cessaram-se ao perceberem a presença de negros e a inscrição BRASIL, sustentada no braço esquerdo dos soldados, os italianos se deram conta de que aqueles homens não eram prisioneiros alemães, mas soldados de um país distante que vinha se juntar ao esforço de guerra dos Aliados. Desta forma, as vaias se transformaram em pedidos de ajuda de diversas espécies, principalmente comida, que estava escassa, obrigando as jovens italianas se prostituirem em troca de alimento; e o cigarro, se transformando em moeda de troca, para conseguirem comida.

No momento da chegada da FEB, a Itália estava em um momento de transição na guerra, sendo que parte da Itália ainda era aliada da Alemanha, fazendo com que os militares não repassassem informações aos civis, por segurança.

A Força Expedicionária Brasileira ingressou nos contingentes do 5º Exército Americano e do 8º Exército Britânico, juntando os brasileiros aos exércitos de diferentes nações no esforço de guerra contra o nazismo. A jovem tropa brasileira chamou atenção e foi exemplo de integração multiétnica, pois lado a lado estavam soldados das mais diversas origens e cores de pele, diferentemente da tropa dos Estados Unidos, por exemplo: que possuía tropas compostas apenas por negros.

Em sua chegada à Itália, a FEB estava praticamente desarmada, recebendo seus novos equipamentos dias depois, equipamentos diferentes dos treinados pela FEB em solo brasileiro, além de receberem equipamentos antigos como o fuzil Springfield 1903 A3, modelo que datava de antes da Primeira Guerra Mundial que desagradava os pracinhas, sendo assim, a FEB teve que passar por treinamentos de adaptação antes de entrar em combate, adquirindo equipamentos melhores ao longo dos teatros de operações.

Desta forma, somente no dia 15 de setembro, no Vale do rio Arno, os pracinhas fizeram suas primeiras missões de patrulha. O batismo de fogo ocorreu no dia seguinte, quando os brasileiros tomaram a cidade de Massarosa e foram recebidos com entusiasmo pela população local, começando desta forma a escreverem suas histórias em terras italianas e fazendo que a expressão “cobra fumar” se consolidasse e tornasse um símbolo forte…


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2 comentários

  1. ALCIRO MORAES /

    Os valores que foram defendidos, por homens simples. Que não se apague o sacrifício imputado por estes homens , e que este exemplo, inspire uma sociedade sem direção e de valores corrompidos!

  2. Emmerson Spencer /

    Heróis infelizmente pouco conhecidos e reconhecidos por seus atos!

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