69 anos da Última Missão de Tiro cumprida pela Artilharia Brasileira

Israel Blajberg (*)

Quartel de Barueri–SP, lembrança de momento de glória das armas nacionais, proximo a Parma, Italia, cortando a retirada das tropas nazi-fascistas em movimento para o Norte, que entraria para a História Militar Brasileira como a manobra de Collecchio – Fornovo di Taro: rendição da 148ª Divisão de Infantaria alemã, com remanescentes da 90ª Divisao Panzer e as Divisões Italia dos Bersaglieri e Monte Rosa dos Alpinos, confrontando dois batalhões do 11º RI-Tiradentes e 6º RI-Ypiranga.

Precisamente a 0145 de 29 abril de 1945 a 2ª. Bateria do 3º. Grupo de Obuses 105 da FEB cumpriu a ultima missao. Era o Comandante da Linha de Fogo o então Ten Amerino Raposo Filho.

A marcha batida interrompe as lembranças, anunciando a chegada do Comandante Militar do Sudeste ao histórico Grupo Bandeirante – III Grupo 105 da FEB, atual 20º. GAC Leve – Aeromóvel, tropa de elite da Força de Ação Rápida, têmpera do aço, sempre à frente da vanguarda, do céu fulminantes, no dizer da canção.

25 mil brasileiros embarcaram para a Itália. Hoje, apenas 6 veteranos puderam comparecer. Eram jovens soldados, como aqueles que hoje marcham ao ritmo cadenciado da antiga artilharia hipomovel, os estandartes das baterias tremulando ao vento que sopra na manhã de Barueri.

No pátio, apresta-se a 2ª. Bateria. Exatamente como em 1945, a Linha de Fogo é novamente comandada pelo hoje Coronel Amerino Raposo, descendente remoto do Bandeirante Raposo Tavares.

Bateria, Atenção, Concentração !!! Explosiva Carga 5 Espoleta Instantânea !Centro por um bateria por meia dúzia ! Deriva 2800 elevação 357 ! Fogo !!!

A salva da Poderosa Artilharia estremece os ares. Os pássaros que habitam a colina em frente revoam piando pelo aquartelamento. A fumaça branca se dispersa levada pelo vento. Os velhos artilheiros recordam os irmãos de armas que já não estão mais aqui, e os que não voltaram. Não existe consolo, mas suas almas se elevaram pela certeza de que um mundo melhor passaria a existir.

Vem a chamada para o desfile da guarnição da saudade. De simples soldados a antigos coronéis e generais que comandaram o Grupo, todos se irmanam na cadencia do bumbo no pé direito. Não fica bem para um velho soldado chorar, mas muitos se emocionam, e não conseguem conter uma lágrima furtiva … um dia eles foram aqueles rapazes em ordem de marcha, fuzil à frente, mochila as costas, a boina bege da tropa aeromovel, bandeira do Brasil na manga…

No museu da unidade, a visão do passado glorioso do Grupo. Troféus de guerra. A bandeira com a malfadada suástica. O belíssimo Monumento, de beleza singela e nobre significado, com os nomes dos nossos Heróis inscritos no mármore. O nicho de Santa Barbara acolhe os fieis, artilheiros a quem a Santa protege.

Velhos Artilheiros, cumpriram seu dever, honrando a memória da nossa gente.

Simplesmente foram Soldados – do Exercito de Caxias – da Artilharia de Mallet, a bradar o eterno comando, que ecoou em Tuiuti, Fornovo di Taro, e agora em Barueri:

Peça, Fogo ! ! !

“ Peça Atirou !!! “

“ Ma Force d’en Haut “
Minha Força vem do Alto

Brasão d’Armas do Marechal Mallet
Patrono da Artilharia Brasileira

.

(*) Ex-aluno CPOR/RJ

Tu Mar Rondon Art 1965
iblaj@telecom.uff.br


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