2º Tenente Enfermeira Maria Aparecida França

Os caminhos existem, mas não basta apenas conhecê-lo:

Um dia você terá que percorrê-los.

Não dá para negar que o século vinte foi um dos mais sangrentos da história. Neste período aconteceu a Guerra dos Bôeres (1899-1902), a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) que emendou com a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). O mundo ainda agonizou com a Guerra da Indochina (1946-1953), a Guerra da Coréia (1950-1953), a Guerra do Vietnã (1956-1975), a Guerra dos Seis Dias (1967), a Guerra do Camboja (1970-1975), a Guerra entre Irã e Iraque (1980-1988), a Guerra das Malvinas (1982), a Guerra do Golfo (1991) e para fechar a conta da beligerância, a Guerra de Kosovo (1999).

Felizmente, em tempos de catástrofes, surgem pessoas que merecem ser lembradas para todo o sempre. Aristóteles escreveu no passado uma frase que diz: “Somos o que repetidamente fazemos. A excelência, portanto, não é um feito, mas um hábito”.

Foi exatamente o hábito de uma das mulheres mais corajosas que o Brasil conheceu, que a tornou uma heroína. Numa época de incertezas, o caminho mais fácil seria se esconder nas sombras da omissão, afinal, guerra não era para mulheres. Hitler e suas tropas arrasavam a Europa e seus feitos atrozes, para muitos, não era da conta dos brasileiros.

Foi nesse período que o homem usou toda sua inteligência para transformar suas invenções em mortíferas máquinas de matar. A lista era infindável. A evolução significante atingiu o avião, submarino, o tanque, a metralhadora, as minas, os porta-aviões, a bomba atômica, os mísseis de longo alcance entre outros. Nunca se pensou tanto em como destruir com rapidez e eficiência.

No Brasil, a filha do Sr Manoel França e Albertina França, sabia que suas habilidades poderiam ser utilizadas no conflito. A moça nascida em novembro de 1908, na cidade de Niterói, Estado do Rio de Janeiro, concluiu que seus 37 anos de vida, somada a experiência adquirida no Curso de Enfermagem, cujo conhecimento foi aplicado no serviço de obstetrícia do Hospital das Clínicas de São Paulo, seria útil, todavia, precisava ser aperfeiçoado.

A autocritica e determinação levou a futura heroína para o Curso de Emergência de Enfermeiras da Reserva do Exército (CEERE) e o Curso da Cruz Vermelha Brasileira. No dia 02 de julho de 1944, MARIA APARECIDA FRANÇA, foi nomeada enfermeira 3ª classe, pela Portaria nº 6.949. Na mesma data, outra Portaria, de nº 6.975, oficializava a sua convocação para o Teatro de Operações na Itália.

No dia 03 de agosto de 1944, Maria Aparecida, prestou compromisso e passou a disposição da Força Expedicionária Brasileira, sob comando do Excelentíssimo General João Batista Mascarenhas de Moraes. Os caminhos existem, mas não basta apenas conhece-lo: um dia você terá que percorrê-los. A heroína sabia qual era o seu destino.

Partiu em 19 de Novembro de 1944, com o 12º Grupo, destino a Nápoles (via aérea).  Embarcou em um potente avião de transporte norte-americano no aeroporto Santos Dumont, fez uma escala em na Capital do Rio Grande do Norte e pousou em solo Europeu para cumprir uma extensa e extenuante jornada.

Maria Aparecida serviu nas SHB anexas aos Hospitais de Sangue Norte-Americanos no Front Italiano. Por ordem do Chefe do Serviço de Saúde, Dr Emmanuel Marques Porto, a Enfermeira foi destacada para atuar no 7th Station Hospital, em Livorno, sob comando do major médico Sady Cahen Fisher; reforçou, por duas vezes, o efetivo do 32nd, Field Hospital, em Valdibura, como instrumentadora da 3ª equipe cirúrgica, organizada para atender o excesso de feridos, no auge das baixas em dois combates 22 a 27 de fevereiro de 45 e, de 16 a 18 de 45. Por fim, trabalhou no 35th Field Hospital, em Sparanize.

“Fé é diferente de esperança. A segunda convida a uma passividade que nos mantem presos a uma sensação de sermos vítimas do destino. Fé é a certeza que nos confere energia para agir. É a certeza de que a vitória nos dar força para batalharmos todos os dias”. (Pag 55, O Sucesso é ainda ser feliz, de Roberto Shinyashiki, publicado pela Editora Gente). Quando regressou à Pátria amada em 3.10.45 com o 16º Grupo – no navio Americano James Parker, Maria Aparecida estava convicta que a fé tinha ajudado a mudar os resultados da guerra. A estatística teve que se contentar com a redução do números de baixas no conflito.

A enfermeira foi licenciada do Serviço Ativo do Exército, pela portaria nº 8.914, D.O. de 28.12.1945 e recebeu como reconhecimento aos serviços prestados as seguintes condecorações:  Medalha de Guerra e Campanha – Exército Brasileiro; “Bons Serviços” Bronze – pela Cruz Vermelha e  Meritorium Service – do Governo dos Estados Unidos da América.

Dedicação é a capacidade de se entregar a um objetivo. Em tempos de pós-guerra, Maria Aparecida continuou sua carreira, mas o saudosismo não lhe deixava em paz. Bastava ver um soldado, uma viatura ou passar em frente a um quartel para renovar a vontade de vestir a farda verde-oliva.  Os caminhos existem, mas não basta apenas conhecê-lo: um dia você terá que percorrê-los. Isso não era mistério nenhum para heroína, afinal ela sabia exatamente o que fazer. Em 16 de Setembro de 1957, a heroína retornou ao Exército ficando lá até sua reforma definitiva como Capitão R/1.

Colaborador:  Vanderley Santos Vieira, é Jornalista, especialista em Comunicação, Oficial R2 (Infantaria) do Exército Brasileiro, Tecnólogo em Administração de Empresas, Escritor, Pós-graduado em Planejamento Estratégico e possui o Curso de Política e Estratégia da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Atualmente desempenha a função de Gerente em uma Multinacional, Voluntário da Defesa Civil de Campo Grande – MS e Sócio Especial da ANVFEB/MS.

Possui as seguintes honrarias: Medalhas: de Serviço Amazônico; Mérito da Força Expedicionária Brasileira; Marechal Machado Lopes; Medalha Cruz da Paz; Marechal Cordeiro de Farias; Mérito da Força Expedicionária Brasileira da Câmara dos Vereadores de Campo Grande – MS Mérito Legislativo de Campo Grande e Mérito Rondon – Academia de Estudo de Assuntos Históricos – MS.

E-mail: vandsav@hotmail.com


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