2º Tenente Enfermeira Judith Arêas

“O que expressa um ser não é o tamanho de suas asas, mas sim a capacidade de voar”.

Há momentos vividos que desejaríamos que eles não tivessem sucedido.

Momentos que trazem consigo dor, medo, angústia e o receio de que a afirmação “a história se repete”, dita por Karl Marx esteja de fata equivocada!

Imaginem acordar com a notícia estampada na mídia:

COMEÇA A TERCEIRA GUERRA MUNDIAL!

Quando relembramos a sensação dilacerante e desesperadora causada pelo segundo maior conflito beligerante ocorrido na terra entre 1939 e 1945, sobrevém, quase que naturalmente, a bruma do ódio e do desamor de uma forma tão intensa que chegamos a cometer o desatino de indagar a existência do criador.

Talvez seja mais fácil se entregar do que resistir e buscar forças junto ao Consolador. Felizmente algumas pessoas, verdadeiros anjos, nasceram para servir como exemplo e fazer com que enxerguemos o mundo com outros olhos.

Mais precisamente em 25 de novembro de 1903, na cidade Maravilhosa de Rio de Janeiro, um dia memorável, a felicidade rondava o lar do casal Basílio da Silva Areas e Evelgista da Costa Arêas, enriquecida com o nascimento da filha JUDITH AREAS. Uma linda menininha agitada que tomaria uma decisão no futuro que entraria para história.

Deus nos dá todos os dias uma folha em branco, para que possamos escrever nosso amanha. O amor, carinho e dedicação recebidos pelos pais forjaram em Judith um desejo que a cada ano vivido fortalecia a certeza de como e o que escreveria em sua biografia.

O que expressa um ser não é o tamanho de suas asas, mas sim a capacidade de voar.

O voo que Judith queria alçar era o de se tornar enfermeira.

Então ela se tornou enfermeira. Simples assim, afinal, querer é poder.

Veio então a Segunda Guerra mundial.

Decidida alistou-se e diplomou-se pela Escola Ana Nery – do Quadro Especial do Ministério da Educação e Saúde – Serviço Hospitalar. Complementou seu conhecimento com o Curso Nursing Air Evacuation da Base Aérea de Mitchel Field em New York – United States of America.

De uma hora para outra se tornou uma integrante da Força Expedicionária Brasileira.

Um texto de autor desconhecido descreve que:

“É loucura odiar todas as rosas porque uma te espetou; entregar todos os teus sonhos porque um deles não se realizou; perder a fé em todas as orações porque em uma não foi atendido; desistir de todos os esforços porque um deles fracassou; condenar todas as amizades porque uma te traiu; descrer de todo amor porque um deles te foi infiel; jogar fora todas as chances de ser feliz porque uma tentativa não deu certo.

Quando a Enfermeira decidiu que iria para o front muitos acharam que ela estava cometendo uma loucura sem precedentes. Outros achavam que ela não deveria iniciar aquela caminhada que apresentava pouquíssimas opções de retorno. Todavia, convicta, a heroína precisava dar uma chance a sua intuição. Ela acreditava que mesmo na desesperança da guerra havia lugar o alento.

Então ela foi.

Serviu.

Salvou.

Curou.

Cuidou.

Solidarizou-se.

Rogou de joelhos a presença de Deus porque sabia que sem ele, nada somos!

Disse a si mesma que o desamor instalado na Europa precisava ser afrontado.

Sabia que naquele cenário caótico também existia espaço para receber pessoas diferentes daquelas que ceifavam vidas com um pseudo propósito cuja raiz jamais seria de quem realmente ama.

No dia 8 de Abril de 1953, Judith deixou nosso convívio para compartilhar com papai do céu a alegria de uma vida bem vivida de sonhos realizados. Deixou como lembrança das coisas boas e ruins da Guerra o Diploma de Medalha Militar do Ministério da Aeronáutica, oficializada pelo Decreto-Lei nº 7454, de 10 de Abril de 1945.

Fonte de apoio e consulta:

VALADARES, Altamira Pereira. Álbum Biográfico das Febianas. Batatais – SP: Centro de Documentação Histórica do Brasil. 1976. 116p.

Colaborador:  Vanderley Santos Vieira, é Jornalista, especialista em Comunicação, Oficial R2 (Infantaria) do Exército Brasileiro, Tecnólogo em Administração de Empresas, Escritor, Pós-graduado em Planejamento Estratégico e possui o Curso de Política e Estratégia da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Atualmente desempenha a função de Gerente em uma Multinacional, Voluntário da Defesa Civil de Campo Grande – MS e Sócio Especial da ANVFEB/MS.

Possui as seguintes honrarias: Medalhas: de Serviço Amazônico; Mérito da Força Expedicionária Brasileira; Marechal Machado Lopes; Medalha Cruz da Paz; Marechal Cordeiro de Farias; Mérito da Força Expedicionária Brasileira da Câmara dos Vereadores de Campo Grande – MS; Mérito Legislativo de Campo Grande e Mérito Rondon – Academia de Estudo de Assuntos Históricos – MS.


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