2º Tenente Enfermeira Dirce Ribeiro da Costa Leite

Dirce Ribeiro da Costa Leite

A ESPERANÇA TEM DUAS FILHAS LINDAS

 

Quem era essa mulher?

Nascida na cidade de Belém, Estado do Pará, Dirce era atenciosa e apegada à família. Gostava de se sentir útil e tinha o hábito de assumir responsabilidades que para algumas pessoas estava acima de sua capacidade. Era uma garota de personalidade forte. Quando assumia um compromisso dificilmente voltava atrás em suas promessas. Sempre pautada pela boa educação familiar, tinha como principais valores a confiança, a lealdade, a prudência, a disciplina, o respeito, a pontualidade e a sobriedade para separar o supérfluo do necessário.

A filha do casal Manoel de Paiva Ribeiro e Cora Barata Mancebo, impressionava com sua postura. Sempre com os pés no chão, não se deixava se levar por coisas que se mostrassem levianas. Quando ouvia ou lia sobre os relatos dos absurdos da 2ª Guerra Mundial teve compaixão das vidas perdidas e tirou suas próprias conclusões do conflito. Uma delas foi à de que não se permitiria ser uma expectadora. Sua consciência não a perdoaria. Seria uma omissão covarde que teria que carregar consigo para o resto da vida.

Traçou uma meta. Como era discreta contou seus planos para um pequeno círculo de amigos e parentes. Dirce com sua perspicácia sabia que a revelação de seus objetivos traria uma porção infindável de contra argumentações que foram facilmente refutadas por sua inflexível decisão fundamentada pela nobre missão de salvar vidas. Para ela a vida precisava de sentido. E o sentido naquele momento seria a Força Expedicionária Brasileira.

O Curso de Enfermagem da Cruz Vermelha Brasileira e o Curso de Emergência de Enfermeiras da Reserva do Exército (CEERE) – 2ª Turma – DF – 1ª Região Militar, chancelaram sua habilidade para cumprir seu plano. No dia 02 de agosto de 1944, foi publicada a Portaria nº 6.975, que determinava sua convocação. Em 18 de setembro, veio à designação para o Curso de Enfermagem em Transportes Aéreos. No dia 04 de janeiro de 1945, com o 13º Grupo, Dirce partiu de Natal para cumprir sua missão no front.

Durante sua permanência nas F.E.B., a Enfermeira de 3ª Classe, conquistou a admiração dos pares e superiores por conta de sua estabilidade, bom senso, produtividade, otimismo, criatividade, eficiência, cumprimento dos regulamentos, habilidade de cativar as pessoas e disposição. Fez três viagens acompanhando feridos. Os bons serviços prestados foram reconhecidos pela promoção concedida no dia 20 de agosto de 1945. A partir daquela data, Dirce dava um passo importante em sua carreira militar tornando-se Enfermeira de 1ª Classe.

A inesquecível página na história da veterana na 2ª Grande Guerra Mundial se encerraria com o licenciamento do Serviço Ativo do Exército. Além das lembranças, seus feitos se materializariam em um documento (Portaria nº 8.758, de 05 de novembro 1945) e em duas condecorações (Medalhas de Guerra e Campanha).

Da exemplar história de Dirce podemos extrair pelo menos uma reflexão.

Qual o sentido de sua vida?

 

Se já encontrou parabéns, continue fazendo acontecer.

Se não encontrou, continue a sua busca.

Pode ser que tenha encontrado e não saiba como fazer para torna-lo realidade. Não se preocupe, Santo Agostinho ensina:

 

A esperança tem duas filhas lindas:
A indignação e a coragem.

 A indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão;

A coragem, a mudá-las.

 

Fonte de apoio:

VALADARES, Altamira Pereira. Álbum Biográfico das Febianas. Batatais – SP: Centro de Documentação Histórica do Brasil. 1976. 116p.

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Colaborador:  Vanderley Santos Vieira, é Jornalista, especialista em Comunicação, Oficial R2 (Infantaria) do Exército Brasileiro, Tecnólogo em Administração de Empresas, Escritor, Pós-graduado em Planejamento Estratégico e possui o Curso de Política e Estratégia da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Atualmente desempenha a função de Gerente em uma Multinacional, instrutor, Voluntário da Defesa Civil de Campo Grande – MS e Sócio Especial da ANVFEB/MS.

Possui as seguintes honrarias: Medalhas: de Serviço Amazônico; Mérito da Força Expedicionária Brasileira; Marechal Machado Lopes; Medalha Cruz da Paz; Marechal Cordeiro de Farias; Mérito da Força Expedicionária Brasileira da Câmara dos Vereadores de Campo Grande – MS; Mérito Legislativo de Campo Grande; Mérito Rondon – Academia de Estudo de Assuntos Históricos – MS e Distinção Emblema de Oro – Instituto Técnico “Promoción Profesional Del Ejército” Bolívia.


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1 comentário

  1. no meu ponto de vista como ex-sd/BG e combatente de infantaria a única maneira de se valorizar in memorian aqueles que já se foram e prestigiar os que estão vivos…!!!

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