2º Tenente Enfermeira – Acácia Cruz

Da letargia para reação, basta apenas atitude!

 

Não podemos imaginar que as pessoas que habitam a terra vivam sem alimentar a utopia e a esperança de que tudo pode ser melhor no futuro. Foi assim no passado e é assim no presente. Quando a Segunda Guerra Mundial foi deflagrada e seus horrores divulgados a assertiva do sonho ganhou um significado ainda mais contundente. Naquela época de insensibilidade, morte e destruição, para muitas pessoas, entre eles os brasileiros, restava apenas esperar por um desfecho menos desastroso.

Entretanto, para 73 mulheres, não era suficientemente consolador ficar nos bastidores torcendo pela mudança do clima ruim. No livro de Roberto Shinyashiki, O Sucesso Ainda é Ser Feliz, publicado pela Editora Gente, página 55, um parágrafo define bem o sentimento delas:

“Fé é diferente de esperança. A segunda convida a uma passividade que nos mantem presos a uma sensação de sermos vítimas do destino. A fé é a certeza que nos confere energia para agir. É a certeza que a vitória virá nos dar força para batalharmos todos os dias”.

Então a fé tomou as rédeas da situação alterando comportamentos. Da passividade para ação; da inercia para o movimento; da omissão para dedicação; do ostracismo para ostensividade e do egoísmo para o altruísmo bastou atitude. Voluntariamente aquelas mulheres entregaram suas vidas a Força Expedicionária Brasileira para lutar contra as atrocidades da Segunda Guerra Mundial.

A missão que estas mulheres resolveram encarar era muito difícil e exigiu um treinamento intenso que contemplava duplamente a preparação física e psicológica. Todas aprenderam a marchar, rastejar, transpor obstáculos, atirar e a mais nobre das missões, salvar vidas. Fossem elas de aliados ou inimigos. Uma vez no hospital, todos se tornavam iguais e o duelo travado era pela tentativa da recuperação do dano físico ou psicológico causados pelos combates.

Muitos pereciam ao mesmo passo que outros tantos sobreviviam.

Cada uma dessas corajosas e ousadas mulheres receberam o título e exerceram exemplarmente a sublime função de enfermeiras.

O local de serviço: front italiano.

O risco: morte.

A recompensa: a liberdade e a vida.

As consequências: imprevisíveis.

Apesar de todos os óbices e incertezas, elas embarcaram e partiram para Itália. E cumpriram suas missões brilhantemente. Entre elas havia uma garota chamada Acácia Cruz. Paranaense nascida em 13 de maio de 1914, na cidade de Curitiba, filha de Raimundo Fernandes da Cruz e Maria da Luz Cruz. A moça partiu do Brasil via aérea com 13º Grupo, com destino Nápoles, no dia 29 de outubro de 1944.

Acácia permaneceu no front até 10 de junho de 1945. Durante toda sua permanência na linha de frente, serviu no 7th Station Hospital, em Livorno. Ali, os ensinamentos absorvidos no Curso de Enfermagem Samaritana da Cruz Vermelha Brasileira e Curso de Emergência de Enfermeiras da Reserva do Exército (CEERE), foram duramente cobrados no Teatro de Operações. Tudo o que os instrutores previram se concretizou. Só que de uma maneira ainda mais radical, pois os ferimentos desafiavam o conhecimento dos médicos e enfermeiras. Não havia tempo para hesitações.

A 2º Tenente Enfermeira, destacou-se pela notável atenção e incansável operosidade que dedicou aos enfermos. Pela valiosa colaboração prestada a Força Expedicionária Brasileira e ao Exército Brasileiro a enfermeira recebeu a condecoração de Medalha de Campanha, Medalha de Guerra, Medalha de Ouro da Cruz Vermelha Brasileira e a honraria concedida pelo Governo dos Estados Unidos da América, Distintivo de “Meritorium Service”.

Com o passar do tempo ela recebeu outras homenagens, porém o maior legado deixado por Acácia Cruz pode ser assim resumido:

a) Não podemos imaginar que as pessoas que habitam a terra vivam sem alimentar a utopia e a esperança de que tudo pode ser melhor no futuro.

b) Fé é diferente de esperança;

c) Da letargia para reação basta apenas atitude.

O resultado de sua ação não poderia ter sido melhor e o mundo agradece pelas valiosas lições.

Fonte de consulta e apoio:

VALADARES, Altamira Pereira. Álbum Biográfico das Febianas. Batatais – SP: Centro de Documentação Histórica do Brasil. 1976. 116p.

Colaborador:  Vanderley Santos Vieira, é Jornalista, especialista em Comunicação, Oficial R2 (Infantaria) do Exército Brasileiro, Tecnólogo em Administração de Empresas, Escritor, Pós-graduado em Planejamento Estratégico e possui o Curso de Política e Estratégia da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Atualmente desempenha a função de Gerente em uma Multinacional, Voluntário da Defesa Civil de Campo Grande – MS e Sócio Especial da ANVFEB/MS.

Possui as seguintes honrarias: Medalhas: de Serviço Amazônico; Mérito da Força Expedicionária Brasileira; Marechal Machado Lopes; Medalha Cruz da Paz; Marechal Cordeiro de Farias; Mérito da Força Expedicionária Brasileira da Câmara dos Vereadores de Campo Grande – MS Mérito Legislativo de Campo Grande e Mérito Rondon – Academia de Estudo de Assuntos Históricos – MS.

E-mail: vandsav@hotmail.com


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2 comentários

  1. Fico tão orgulhoso destes homens corajosos, infelizmente estes verdadeiros heróis estão deixando este mundo devido as suas idades.
    Será que os jovens de hoje não tem vergonha… milhares de jovens pedem para ser dispensado do serviço militar, enquanto estes homens foram voluntários para deixar suas esposas, pais e mães para ir a um lugar que nem eles mesmo sabiam e nem mesmo se voltariam vivos.
    Aos familiares, por favor vamos postar a historia deles. AMO VOCES.

  2. DE TODOS OS EXPEDICIONÁRIOS QUE CONHECI OUVI A SEGUINTE EXPRESSÃO “SE SOUBESSE QUE ESTAVA INDO PARA AQUELA GUERRA NUNCA ME LEVARIAM ATÉ LÁ”.

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