2º Tenente Enf. Nilza Cândida da Rocha – Um gesto a favor da vida!

- Filha o que você quer ser quando crescer?

Perguntou, Senhorinha Rosa da Rocha.

– Pensa antes de responder filha.

Completou o Sr. Benjamim Cândido da Rocha.

Juntos, mãe e pai esperaram uma resposta da pequena fluminense Nilza Cândida da Rocha. Esta veio em forma de enigma:

– Ah, eu queria fazer algo para ajudar as pessoas.

Assistente social? Professora? Advogada? Os pais tentaram em vão desvendar o desejo da menina.

– Não faço a menor ideia, mas tem que ser algo pra ajudar as pessoas.

O tempo passou, a menina cresceu e logo achou sua vocação. Tornou-se enfermeira. A promessa de infância se cumpria. Nilza presenteava as pessoas doando o seu precioso tempo. Para uns, um gesto de solidariedade. Para outros, altruísmo. Alguns definiriam como uma forma como outra qualquer de ganhar a vida. Mas para ela, tratava-se do maior presente que poderia a dar si. Quando falava da profissão os olhos brilhavam. Quando alguém perguntava que definição ela daria a sua profissão a resposta vinha de bate pronto:

– Um gesto a favor da vida.

Sua dedicação ao próximo era tão contundente que convocação para o front, registrada na Portaria Nº 7.003 de 05.08.1944, foi recebida como um presente do destino. O que fosse possível fazer para salvar vidas seria feito. A experiência para a missão ela tinha aperfeiçoado em dois Cursos de ponta: o Curso de Enfermagem LBA e o Curso de Emergência de Enfermeiras da Reserva do Exército (CEERE).

O relógio marcava 7 horas da manhã quando o avião de bandeira americana decolou do Aeroporto Santos Dumont rumo aos campos de batalha na Europa. Em 1944, muitas pessoas desejavam conhecer o velho mundo. Aquele, definitivamente, não era um bom momento. Nilza lembrou-se da promessa de infância que sempre fora cumprida nos hospitais brasileiros, mas que agora, teria pela frente uma verdadeira prova de fogo.

E assim foi. Em Livorno, apresentou-se a Chefia da Seção Brasileira de Hospitalização anexa ao 7th Station Hospital. De lá, foi transferida para o 16th Evacuation Station Hospital, em Pistóia. Sua dedicação foi reconhecida pelo Major Ernestino Gomes de Oliveira, Chefe do 1º G.S.B.:

“A Enfermeira NILZA CÂNDIDA ROCHA  foi dedicada e eficiente nas missões que lhe foram confiadas merecendo por isso os nossos agradecimentos.Felizmente a guerra acabou. Era chegada a hora do regresso. Nas malas trouxe consigo a lembrança dos olhares dos combatentes, carregados de dor, mas também de uma momentânea paz que somente os anjos de branco poderiam transmitir.

Ali, naquele recinto, as pessoas lutavam pela vida independente da farda que o soldado estava vestindo.

Não havia distinção entre aliados ou inimigos.

A indiferença e os motivos torpes da guerra eram ignorados e esquecidos.

Naquele ambiente, Nilza teve a certeza que sua escolha profissional tinha um significado imensurável. O destino havia traçado um caminho que foi fielmente percorrido pela enfermeira. Sua missão na terra havia sido brilhantemente cumprida.

Regressou em 10.06.1945 com 4º Grupo (via aérea) e recebeu mais um elogio da Chefia S.B.H registrado em suas “alterações”: “Enfermeira NILZA CÂNDIDA ROCHA, trabalhadora e dedicada, sempre se esforçou no cumprimento do dever, dando aos seus doentes toda assistência e atenção: à  enfermeira Nilza os agradecimentos e elogios  desta Chefia.”

O reconhecimento ainda se materializaria em duas condecorações:

– Distintivo dos “USA” – “MERITORIUM SERVICE”;

– Medalha de Campanha e Guerra.

Licenciada pela Portaria nº 8.411 (D.O. de 23.06.1945), Nilza deixava para traz um importante legado. As dúvidas que os pais tinham no passado havia se transformado numa orgulhosa certeza. A menininha que queria ajudar as pessoas cumpriu sua promessa e entrou para história se tornando uma das 73 heroínas da Força Expedicionária Brasileira.

 

Fonte de consulta e apoio:

VALADARES, Altamira Pereira. Álbum Biográfico das Febianas. Batatais – SP: Centro de Documentação Histórica do Brasil. 1976. 116p.

 

Colaboradora: Maria do Socorro Sampaio M. de Barros. Filha da Cap Enf. da FEB ARACY ARNAUD SAMPAIO.

É Psicóloga, membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – DF ( AHIMTB ), Coordenadora de Ação Social UNIPAZ-DF, membro da Ordem Franciscana Secular ( OFS ).

 

Colaborador:  Vanderley Santos Vieira, é Jornalista, especialista em Comunicação, Oficial R2 (Infantaria) do Exército Brasileiro, Tecnólogo em Administração de Empresas, Escritor, Pós-graduado em Planejamento Estratégico e possui o Curso de Política e Estratégia da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Atualmente desempenha a função de Gerente em uma Multinacional, Voluntário da Defesa Civil de Campo Grande – MS e Sócio Especial da ANVFEB/MS.

Possui as seguintes honrarias: Medalhas: de Serviço Amazônico; Mérito da Força Expedicionária Brasileira; Marechal Machado Lopes; Medalha Cruz da Paz; Marechal Cordeiro de Farias; Mérito da Força Expedicionária Brasileira da Câmara dos Vereadores de Campo Grande – MS; Mérito Legislativo de Campo Grande e Mérito Rondon – Academia de Estudo de Assuntos Históricos – MS.


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