20 de janeiro de 1942 – 70 Anos de Wansee

Israel Blajberg (*)

Há 70 anos, num aprazivel parque de Berlin, uma reunião de funcionários nazistas definiu um protocolo para o exterminio de 11 milhões de judeus na Europa a ser dominada pelos nazistas.

O luxuoso palácio pode ser visitado até hoje, transformado que foi em Memorial e Museu, ficando a dúvida de como poderiam homens de carne e osso agirem de uma maneira tão científica e tão brutal visando pura e simplesmente tirar a vida sagrada de seres humanos, em escala industrial, aplicando conceitos até então utilizados apenas em matadouros. Foram elaboradas 30 cópias da minuta final do documento, classificado como altamente secreto. Participaram 4 ministros e inumeros oficiais de alto posto da SS, como Heydrich e Eichmann, para segundo consta no documento, dar uma solução final ao problema judaico na Europa.

A mansão onde ocorreu a Conferência de Wannsee. Hoje é um memorial e museu.

Não é a toa que o Rabino Israel Meir Lau em seu livro considera que o Dia do Holocausto deveria ser comemorado neste dia 20 de janeiro, e não em abril, época do Levante do Gueto de Varsóvia.

Porque foi em Wansee que tudo começou, em Varsóvia boa parte do Holocausto já estava consumado.

O Rabino Lau era um menino de 8 anos quando foi libertado pelos americanos no Campo de Exterminio de Buchenwald. Seu pai, um piedoso rabino, havia sido espancado e morto pelos nazistas na sua frente. Restaram apenas um tio e um irmao, da enorme familia que há 38 gerações ininterruptas contribuiu com eminentes rabinos para o Judaismo polones.

Seu livro “Lúlek – A história do menino que saiu do campo de concentração para se tornar o grão-rabino de Israel” foi lançado em português pela Editora Leitura, no ano passado. Em março de 2010, o Rabino Lau, como Presidente do Memorial do Holocausto, guiou Lula e a primeira-dama Marisa Letícia em sua visita ao Yad VaShem; ele pediu ao presidente que lhe conseguisse um encontro com Ahmadinejad para provar ao líder iraniano, na qualidade de ex-prisioneiro de Buchenwald,  que o Holocausto aconteceu mesmo. Lula afirmou então “que a humanidade não pode permitir que a Shoah ocorra novamente. Nunca mais, nunca mais, nunca mais”.

Para ler a tradução do Protocolo de Wansee para o inglês, utilizado como prova da acusação nos Julgamentos de Nuremberg,  consultar A Teacher’s Guide to the Holocaust, produzido pelo Florida Center for Instructional Technology, College of Education, University of South Florida, em http://fcit.usf.edu/holocaust/TIMELINE/WANSEE.HTM

O texto choca justamente por ser curto e conciso, como se estivesse tratando de alguma reunião banal, um assunto qualquer corriqueiro. A tabela original mostrando a soma dos judeus a serem eliminados por país, totalizando os 11 milhões, encontra-se no Museu do Yad VaShem em Jerusalem.

Os nazistas conseguiram concretizar pouco mais da metade do previsto naquele tétrico documento. Relembrar sempre o 20 de janeiro será uma singela homenagem que poderemos prestar aos mártires e heróis do Holocausto, comprovando que apesar de toda a brutalidade nazista, sua luta e sacrificio não foram em vão, e que apesar de tudo os judeus foram mais fortes que a barbárie, foram a final vencedores.

Como bem profetizou o Hino dos Partisans:

 

“Um dia o sol brilhará sobre nós…

enquanto o inimigo desaparece no passado”

 

 (*) iblaj@telecom.uff.br



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3 comentários

  1. crime contra a humanidade holocausto e hiroshima nunca mais

  2. Maria do Socorro Sampaio M. de Barros /

    Mais uma vez agradecemos aos nossos heróis da FEB a possibilidade de libertação desses irmãos. Parabéns Israel.

  3. Na verdade, se fosse para colocar na ponta do lapis, não seria em Wansee nem Vársovia, mas sim em em 30/01/1939, quando Hitler proferiu o discurso falando da aniquilação dos judeus:
    http://www.youtube.com/watch?v=UYmu_Zs12Ys
    Coloquei as falas em alemão e em portugues.Tem a tradução lá.

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