1942: O Brasil e sua guerra quase desconhecida

Por Dennison de Oliveira*

Li o livro do João Joao Barone e achei bem fraco, tanto na forma quanto no conteúdo. O autor muda o tempo todo o foco da narrativa do geral para o particular, do nacional para o internacional, vai e volta no tempo sem se ater a uma sequência cronológica, etc. Tabém é difícil se localizar no tempo/espaço da narrativa porque como costumo dizer um outro desafio no entendimento da FEB além da História é a geografia: uma densa massa de eventos ocorrendo em alguns poucos quilômetros quadrados de cada vez. É um texto desequilibrado no qual o autor esmiúça interminavelmente eventos absolutamente insignificantes e passa ao largo de questões fundamentais para a história da FEB. Tem também alguns erros fáticos que poderiam ter sido evitados por uma revisão profissional e alguns episódios inteiramente ficcionais que parecem ter saído diretamente da imaginação do autor, como se vê nas informações sobre a biografia do General Mascarenhas e no episódio do “fogo amigo”, o que o desqualifica como livro de História. Perdeu-se a oportunidade de fazer um bom livro sobre o Brasil na guerra à exemplo daquele publicado pelo Ricardo Bonalume Neto em 1995 que segue sendo o melhor do seu gênero até agora, otimamente escrito e resultado de sólida e extensa pesquisa. Enfim, ler a história que o baterista João Barone escreveu é tão interessante quanto ouvir o historiador Dennison de Oliveira tocando bateria: ambos são manifestações de amadorismo.

*Doutor em Ciências Sociais, UNICAMP, 1995. Professor do Programa de Pós-Graduação em História da UFPR, autor dos livros “Os soldados brasileiros de Hitler” e “Os soldados alemães de Vargas”, ambos lançados pela Editora Juruá, Curitiba, 2008. E-mail: kursk@matrix.com.br


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19 comentários

  1. Maria do Socorro Sampaio M. de Barros /

    O que não pode ser esquecido é que João Barone, não sendo escritor é filho de Veterano da FEB! O que diferencia seu trabalho/relato de um pesquisador/professor de História. Embora trazendo em suas entranhas tudo que seu genitor tão bem soube transmitir, não tanto pelas “falas” e sim por um ideal que poucos poderão testemunhar , interessa escutar o coração do artista e indagar: isso é amadorismo?? Como deve ter sido difícil para um entusiasta pela vida e criatividade ter sentido na pele os horrores de uma guerra em sua criação. Tudo isso me faz ser grata pelo seu livro.
    Sou filha de febiana e sei de histórias que minha mãe vivenciou,um tanto diferente do que já “li” em outras fontes.

  2. Sem dúvida que quantos forem as testemunhas, tantas serão as versões. A verdade está como que na média de todos os relatos, uns oficialmente históricos, outros reservados, de cunho pessoal.
    Não duvido que no livro de João Barone, boa parte do que lemos, está fora das bibliotecas… Até agora!

  3. Guilherme Coelho /

    Só acho que a idéia desse livro nunca foi a de ser um trabalho historiográfico, é uma coisa que já se é de imaginar pelo fato do cara ser baterista e não ter nenhuma formação acadêmica em História, parece que ele disse isso em entrevista, não me lembro qual… enfim, sua crítica caberia se fosse dirigida a um historiador sério

  4. Não li o livro, mas acho que a crítica deverá ser feita e vista com reservas. Creio que ele deixa claro que não é um livro de história e nem poderia ser visto como tal. É fato inegável que ele e tantos outros descendentes de pracinhas vivenciaram mais ou menos o que ocorreu nos campos de batalha, tendo em vista que muitos não falaram o que viram. Só quem realmente esteve no campo de batalha e olho nos olhos do inimigo é que sabe o que sentiu, o que viu, qual foi sua real impressão. O resto, todos, sem exceção serão meras especulações.

  5. Marcelo Barbosa /

    João Barone parabéns pela excelente obra, tive a oportunidade de folheá-la e certamente é mais um belo capítulo que valoriza os soldados brasileiros, que um dia verdadeiramente lutaram por uma causa justa

  6. Régis Guerra Vital /

    Respeito a opinião do historiador, mas a memória da nossa gloriosa Força Expedicionária Brasileira foi tão negligenciada ao longo desses anos todos que hoje qualquer iniciativa para resgatar esse tempo perdido vale muito, ainda mais vindo de uma pessoa pública, Parabéns João Barone, li o livro e gostei.

  7. Ainda não li o livro, mas pretendo ler, apesar de o artigo do historiador desqualificar o trabalho do baterista.
    Só não entendo como é que o Portal FEB publicou esse artigo.
    Afinal, este espaço no Portal cumpriria a missão de apresentar o livro. E neste caso serviu só pro historiador não recomendar a leitura, ao tempo em que divulgou suas publicações sobre o tema.
    Entretanto, perdoo o articulista caso ele tenha feito sua avaliação, a pedido, e a decisão de publicar seja do Portal.

  8. Leonardo Dourado /

    Caros colegas eu tive a oportunidade de ler o livro 1942: O Brasil e sua guerra quase desconhecida, do autor João Barone aqui citado como sendo apenas o “Baterista”, desculpe-me, mas discordo da posição colocada aqui. A Crítica pode ser feita, sabendo utilizar as palavras sendo menos agressivo e oposicionista como foi colocado, João Barone descreve de forma vivida o cenário que fora todos os acontecimentos daquela época, ainda que não tenham sido usadas todas as regras de construção de um texto histórico (cronologia, tempo/espaço etc.), mas tenho a convicção que João Barone queria transmitir o quanto nós esquecemos os nossos heróis, daqueles homens e mulheres que honraram nossa Pátria através de suas vidas, assim como João Barone aqueles homens estavam lutando em um terreno desconhecido, muitos eram melhores com um violão, um pandeiro, ou outro instrumento na mão do que um fuzil, engraçado observar que João Barone também é melhor (um dos melhores bateristas do Brasil) com um par de baquetas na mão, e assim como aqueles combatentes lhe coube a missão de continuar a divulgar e expandir para muitos da sociedade atual que não sabem que seu sangue já esteve em uma grande guerra. No País de tantos João(s), José(s) e Antônio(s), não adianta existir história dentro de quatro paredes e principalmente a história do nosso povo, pois foram eles que fizeram a história, João Barone por ser uma pessoa Publica tem a facilidade de alcançar muito mais pessoas por ter acesso a mídia, divulgando assim cada vez mais a história desconhecida por muitos. Ao contrário do que pensa o Doutor, ganhamos a oportunidade de viver e sentir um pouco mais do que foi a FEB.

  9. Eduardo Lima /

    A agressividade da crítica diz mais sobre o crítico do que sobre a obra. Parece ciúme acadêmico.

  10. Isa Muller /

    Crítica invejosa é comum no meio literário. A crítica por si só já perde o valor quando o tom parece apenas tentar denegrir a obra. Eu li e gostei muito. Acredito que a dificuldade do autor/crítico talvez seja fruto da incapacidade de interpretação causada pela resistência em tentar se aprofundar na leitura. Quando você já olha uma obra com uma ideia formada, pode ler quantas vezes quiser, seu preconceito/inveja não vai diminuir. Tem coisa que não vale nem ser lida, é o mesmo com essa crítica. Perdeu meu respeito!

  11. Mariana Silva /

    ”Doutor” Suas criticas são tão ou mais VAZIAS e amargas do que diz ser o EXCELENTE livro do João Barone.O livro é como o 01 de facil leitura,leve…e como MAGISTRALMENTE disse todos acima,em momento algum ele quer tomar ”o lugar de vcs”(achoq tem uma inveja ai né?!?! sua critica é MUITO surreal,pois baila o tempo todo em enfatizar o que ele ”não explica,dita,discorre” como se estivesse criticando um concorrente seu!

    Parabéns,por mostrar que os ”DOUTORES” são muitas vezes,ótimos,e em outras tantas…um patife idiota como um qualquer outro…e que DOUTORADO não é sinônimo de sempre maestria…

    esquisitissima sua critica…não por não ter gostado …mas por contem o amadorismo da INVEJA

  12. Por Paulo Polzonoff

    Resolvi ler 1942, de João Barone. A Segunda Guerra Mundial é um assunto que me interessa e eu nunca li um relato abrangente sobre a participação brasileira no conflito. A julgar por este livro, continuo sem ler.

    O livro começa errando já pelo título. Embora o Brasil tenha entrado no conflito em 1942, a FEB (Força Expedicionária Brasileira) só foi criada em 1943, no auge da guerra, e o Brasil só entrou no final do conflito, quando as forças nazistas já estavam praticamente vencidas. Na hora eu não percebi, mas o título já dava uma boa ideia da patriotada que eu teria pela frente.

    Barone escreve como alguém que acabou de se formar em ciências contábeis. O que daria para relevar, se o conteúdo do livro fosse minimamente atraente. Não é. Barone tenta imitar a estrutura de sucesso de 1808, 1822 e 1889, todos de Laurentino Gomes. Mas ele só consegue falar banalidades.

    Nem mesmo episódios extremamente interessantes, como a fuga do tenente Danilo Moura, merecem a atenção do escritor, cujo propósito maior parece ser enaltecer a participação brasileira na guerra. Para Barone, os pracinhas são todos heróis não reconhecidos. E a participação brasileira na Segunda Guerra Mundial parece ter sido crucial para o desfecho do conflito – o que qualquer um com dois neurônios sabe que não foi.

    Quando comprei o livro, não esperava ler a obra de um historiador; mas também não esperava ler a obra de um pacheco, com direito a todo tipo de patriotada possível. A participação brasileira na guerra é um assunto riquíssimo, cheio de nuances políticas e muitas histórias pessoais interessantes. Como leitor, só me resta esperar que alguém mais talentoso se debruce sobre o tema. Que tal, Laurentino Gomes?

  13. Ótima crítica, Dennilson. Muita gente que acha que a FEB foi esquecida simplesmente não sabe (talvez por preguiça de procurar) que existem diversos livros excelentes sobre o tema disponíveis. Um deles, que é bem fácil de achar, é o do Cesar Maximiano chamado “Barbudos, Sujos e Fatigados: soldados brasileiros na Segunda Guerra Mundial”, um livro que, além de muita coerência e critério, traz falas de dezenas de veteranos (ou seja, dá voz a eles, coisa da qual muita gente por aqui tá reclamando). O Francisco Ferraz, da UEL, tem um livro ótimo pra adentrar ao tema, que custa bem barato, “Brasileiros e a Segunda Guerra Mundial”, entre vários outros.

    Me impressiona ainda mais ver comentários do tipo “Nossa, como vocês publicam uma resenha dessas aqui?”. Isso só mostra que o Portal da FEB tenta ser o mais honesto possível. Se o livro tem falhas, o público TEM que saber, de modo a decidir por conta própria, sabendo prós e contras, se a obra vale a pena ser comprada.

    O Barone conseguiu publicar um livro como esse por uma editora gigante pelo simples fato de ser figura pública relativamente conhecida e porque seu irmão tem os contatos adequados. Tantas outras pesquisas por aí que poderiam ter tido o mesmo espaço e dar não apenas a dignidade que os veteranos merecem, mas um bom trabalho de história ao público…

    E tem mais, arrisco a dizer que quase todo mundo que critica esta crítica o faz por não saber como o ofício do historiador funciona. Antes de atacar o autor, vocês poderiam no mínimo pensar que este estudou durante muito tempo (provavelmente mais de dez anos) para tentar atingir um grau de conhecimento que o habilita a criticar o trabalho historiograficamente. É uma especialização como outra qualquer… A diferença é que quando é com Ciências Humanas, todo mundo acha que é só dar pitaco, que nada tem critério e que transformar uma pesquisa em um trabalho requer não apenas leitura de documentos e entrevistas, mas conhecimento teórico-metodológico.

    Pode até ser uma narrativa agradável para um leigo, mas como trabalho de história, este livro é pífio. Pode gostar de lê-lo o quanto for, isso não vai fazer do livro menos pobre.

  14. E pra quem acha que isso é ciúme de historiador por alguém que não é da área fazer história, não custa citar que o livro que a resenha recomenda como melhor trabalho sobre o assunto foi escrito por um JORNALISTA. Se fosse ciúme acadêmico, o Dennilson não teria sequer citado o nome do cara, tendo outras opções disponíveis de obras feita por outros historiadores.

  15. Eduardo Reis /

    Como de praxe críticas pesadas sobre aqueles que se interessam em relembrar o tema FEB e o papel do Brasil na WWII.

    Aliás o Brasil ultimamente está cheio de “donos da Verdade” que porém não agregam valor.

    Isto já presenciei num post de facebook quando mencionei que o 1º Esquadrão de Reconhecimento havia apoiado a tomada de Montese e fui grosseiramente criticado pelo dito historiador (o senhor da Verdade).

    Ocorre que visitei o local dos fatos e conversei com pessoas que possuem muito mais informações do que nós Brasileiros. Mas enfim, para não perpetuar as palavras grosseiras no post decidi por exclui-lo.

  16. André Luís /

    Me desculpe, mas a visão do crítico é positivista até demais. E não tem visão de historiador. Ciências sociais é uma coisa, humanas é outra… diferente até demais. O historiador não é obrigado a seguir ordem cronologica, pois o historiador é o homem do tempo. Ele é quem faz o seu tempo, sem precisar segui-lo. Um historiador não segue métodos rígidos. Em sua pesquisa ele é livre para poder descrever o que quiser, e o que mais me admira é o fato do barone não ser historiador, o barone descreve o seu tema abordando diversas fontes. Estou lendo e curtindo muito o livro. Um abraço a todos.

  17. André Pinto /

    O ponto é: ele como filho de um ex-combatente se preocupa em contar a história, o feito dos Pracinhas. Não há uma preocupação em se ser fiel ao tempo exato dos acontecimentos. O importante disso, da obra ou relato escrito por Barone vale como uma intensão de mostrar, de trazer a tona um importante acontecimento no qual o Brasil fez parte. É um tema que enaltece o Brasil e o reconhecimento só é sentido lá, nas regiões que foram libertadas pelos nossos pracinhas. O reconhecimento esperado até hoje pelos poucos que ainda vivem seria o de serem respeitados como heróis que são aqui em seu país que infelizmente quase que ignora a participação do Brasil num evento que foi catastrófico para o mundo inteiro, mas que se tivesse um outro viés teria consequências desastrosas até os dias atuais. O

  18. Allysson Oliveira /

    Um velho e surrado adágio popular diz que “cada macaco deveria ficar em seu galho”…

    Como Oficial da Reserva do EB, e com minha formação em Economia e Direito, evidentemente sou leigo no quesito História, onde me coloco como entusiasta e aficcionado.

    Tenho dezenas de livros sobre as 2 guerras mundiais e estou sempre atento aos novos lançamentos. Leio tudo o que acho sobre o tema.

    Isso posto, repito que me considero apenas um curioso, deixando a ciência histórica para os Historiadores de ofício.

    Em 2014 refiz o “Caminho da Vitória” dos Aliados na Normandia, Paris, Holanda, Bélgica, até o Reno alemão. Na época se comemorava os 70 anos do Dia D. Dentre os muitos livros e guias que usei na aventura estava o primeiro livro do baterista João Barone, “A Minha Segunda Guerra”.

    Em sua primeira incursão literária sobre o tema, Barone escreve de forma despretensiosa, simples, fazendo mais um guia rápido para alguém interessado em visitar a Normandia do que um compêndio histórico formal.

    Ali Barone se saiu melhor, mesmo com algumas falhas o livro cumpre seu objetivo.

    Mas no livro “1942 O Brasil e Sua Guerra Quase Desconhecida” ele entra em território que desconhece e comete muitas falhas, algumas gritantes. Com todo o respeito, como alguém disse antes, o livro tem um ar de almanaque.

    Acho que o doutor Dennison de Oliveira está coberto de razão em suas críticas. Juridicamente falando, acompanho o relator, o livro do Barone é fraco sim e teve uma revisão visivelmente ruim.

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